Polícia Civil de SP faz operação contra as 'primeiras-damas' do PCC

Entre os alvos da ação está a mulher de Marcola, líder da facção criminosa

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São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo cumpriu, na manhã desta quarta-feira (16), mandados de busca e apreensão em endereços ligados à família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado pela polícia e pelo Ministério Público o número 1 do PCC.

Entre os alvos estão Cynthia Giglioti Herbas Camacho, a mulher do criminoso, além do pais dela. Integrantes da polícia disseram à Folha que Francisca Alves da Silva, a cunhada de Marcola, também é investigada, mas, desta vez, nenhum mandado foi expedido contra ela.

Ao todo, a polícia cumpriu mandados contra nove suspeitos, incluindo empresários, que teriam participado de esquema de lavagem de dinheiro estimado em cerca de R$ 15 milhões usados na aquisição de imóveis e carros de luxo.

Os mandados foram cumpridos nas cidades de Suzano, Carapicuíba, Mairiporã, Guarulhos —todas da Grande SP, além da capital paulista.

Além de documentos, foram apreendidos dois veículos e uma motocicleta. De acordo com a polícia, a investigação vem sendo conduzida desde janeiro de 2019, após o início da gestão do governador João Doria (PSDB), que elegeu o combate ao PCC como uma das suas bandeiras na área da segurança.

O principal alvo da investigação da polícia é um imóvel de luxo na região do Alphaville, cujo valor está estimado em R$ 5 milhões (registrada no valor de R$ 1,1 milhão) e está no nome dos pais de Cynthia, que não possuem renda para justificar tal compra. Para a polícia, os verdadeiros donos seriam Marcola e a mulher.

O chefão do PCC, Marco Camacho, é conduzido por policiais do Distrito Federal durante deslocamento - Adriano Machado/REUTERS

Segundo o Deic (Departamento de Combate ao Crime Organizado), que conduziu as investigações e coordena as operações desta quarta, não há mandados de prisão –embora tenham pedido.

A Folha apurou que a polícia fez o pedido de prisão de uma série de pessoas, entre elas da família de Marcola, mas o Ministério Público foi contra, um entendimento que frustrou os policiais por indicar medo de eventual retaliação por parte dos criminosos.

Intregantes do Ministério Público ouvidos pela reportagem afirmam que, em se tratando de um inquérito de lavagem de dinheiro, não caberia a prisão temporária –algo vedado pela lei. Diferente se fosse um caso de organização criminosa ou associação ao tráfico.

Ações contra familiares dos criminosos do PCC eram consideradas tabu na polícia paulista por existir uma espécie de pacto tácito entre policiais e criminosos –como se os familiares fossem deixados de fora da “guerra”. A operação desta manhã inaugura uma nova etapa.

Reportagem recente da Folha revelou a existência de investigações em curso contra as chamadas “primeiras-damas” do PCC pelas polícias Civil e Federal. Os investigadores cruzaram informações financeiras e detectaram que as esposas de integrantes da cúpula da facção criminosa tinham em seu nome patrimônio incompatível com a renda.

A investigação conduzida pela Polícia Federal faz parte de uma estratégia para sufocar financeiramente a facção e, nessa rede, as pessoas que supostamente se beneficiam financeiramente dos crimes cometidos pela organização —grande parte deles associados ao tráfico internacional de drogas.

Em documentos obtidos pela Folha, a PF indicava ter ter encontrado “vínculos substanciosos” com uma quadrilha presa na operação Rei do Crime, ligada a uma rede de combustíveis.

De acordo com policiais federais ouvidos pela reportagem à época, não se sabe se a operação desta manhã inviabilizou as ações que estão em curso pela PF contra, ao menos, dois núcleos suspeitos.

Participam também das investigações policiais federais e civis de Minas Gerais. As forças de segurança do estado vizinho de São Paulo também deflagraram duas fases da operação Caixa Forte contra a cúpula do PCC.

Na segunda fase da operação, os policiais interceptaram familiares de presos que recebiam recursos do PCC por meio de supostas transferências com dinheiro do crime. Ao menos 310 pessoas foram presas na ocasião, entre elas uma mulher de 82 anos.

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