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Sem Coronavac, prefeituras de SP precisam remarcar datas para aplicar segunda dose

Profissionais de saúde e idosos deveriam ser vacinados a partir de quarta (24), mas cidades não têm o imunizante

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Simone Machado Marcelo Toledo
São José do Rio Preto e Ribeirão Preto

Profissionais de saúde e idosos com mais de 90 anos de cidades do interior de São Paulo que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19 no início deste mês estão sem receber a segunda dose da Coronavac, que deveria ter começado a ser aplicado na última quarta-feira (24).

O motivo do adiamento, no pior momento da epidemia, é que as doses que compõem a segunda etapa de vacinação desse público ainda não chegaram a diversas cidades paulistas, como São José dos Campos, Franca, Indaiatuba, Mirassol, Sertãozinho e Batatais.

Em todos eles a expectativa é que uma nova remessa de Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac, chegue no início da próxima semana e a vacinação seja concluída até o dia 5 de março, quando vence o prazo máximo de intervalo entre as aplicações nesses municípios.

O Instituto Butantan indica que a segunda dose da vacina seja aplicada em um período entre 14 e 28 dias após a primeira. A data da segunda dose é anotada no cartão de vacinação de cada pessoa, assim como qual laboratório produziu o imunizante recebido.

Sem ter como imunizar 400 profissionais de saúde, Mirassol (a 450 km de São Paulo) ainda não recebeu um posicionamento oficial do governo estadual sobre quando as vacinas chegarão à cidade e remarcou a data da imunização, que deveria ter tido início na quarta-feira, para a próxima semana.

“Esses profissionais estão procurando o centro de vacinação, mas não temos doses para vaciná-los. Esperamos que até segunda ou terça-feira as vacinas cheguem e a gente consiga vacinar todos esses profissionais dentro do prazo”, afirmou Frank Hulder de Oliveira, diretor do departamento de saúde de Mirassol.

Também sem ter como imunizar os profissionais de saúde que receberam a primeira dose da vacina na primeira semana de fevereiro, Indaiatuba fechou o CET (Centro Esportivo do Trabalhador), onde estava sendo realizada a vacinação.

O local está sem funcionar desde esta quinta-feira (25) e deverá ser reaberto apenas quando as novas doses chegarem, o que ainda não tem data para acontecer.

Em Batatais, além dos profissionais de saúde idosos com mais de 90 anos também aguardam a chegada da segunda dose da Coronavac. Sem saber exatamente o dia que o imunizante irá chegar, a prefeitura emitiu um comunicado pedindo para que a população fique atenta e busque informação junto à saúde municipal diariamente para não perder a data e deixar ultrapassar o prazo de no máximo 28 dias entre as duas doses.

A medida desagradou profissionais de saúde autônomos, que no último dia 5 ficaram até seis horas na fila para a vacinação drive-thru.

A vacinação —foram disponibilizadas 300 doses— estava marcada para começar às 8h na Estação Cultura, mas pouco depois das 2h já havia profissionais à espera na fila de veículos que se formou.

Após receberem a primeira dose, saíram do local com o comprovante de vacinação indicando a aplicação da segunda dose da Coronavac nesta sexta-feira (26), o que não ocorreu.

Por isso, um grupo deles cogita recorrer ao Ministério Público no início da semana caso não haja sinalização da aplicação das doses nos próximos dias.

São José dos Campos também não recebeu uma nova remessa da Coronavac. De acordo com o município, 8.553 pessoas já foram vacinadas contra a Covid-19 na cidade, sendo que 2.446 delas já receberam a segunda dose. O município não informou quantas dessas pessoas estão à espera da segunda dose e aguardam a chegada do imunizante.

Sertãozinho e Franca também emitiram comunicados à população informando sobre o adiamento da vacinação dos profissionais de saúde que receberam a primeira dose da vacina Coronavac no início deste mês.

“Na carteirinha de vacinação foi colocado o prazo mínimo de 21 dias, mas todos esses profissionais serão imunizados até o prazo máximo de 28 a partir da primeira dose”, afirmou o secretário-adjunto da Saúde de Sertãozinho, Renan Urizzi.

Por meio de nota, o governo de São Paulo informou que planeja e executa a logística e distribuição das grades em conformidade com os intervalos previstos em bula e indicados pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações), abastecendo os municípios para realização da campanha de forma segura e igualitária.

“O estado redistribui as doses de vacinas de forma equânime para todas as regiões e cidades do estado considerando-se os públicos-alvo da campanha com as respectivas orientações de aplicação”, diz trecho da nota.

Sob chuva, pessoas usam sombrinhas e guarda-chuvas em fila à espera da vacinação em prédio de Serrana
Moradores de Serrana, na região metropolitana de Ribeirão Preto, aguardam em fila para serem vacinados com a Coronavac - Eduardo Anizelli/Folhapress

A remarcação da aplicação da segunda dose da vacina Coronavac em cidades do interior de São Paulo acontece simultaneamente à vacinação de outros grupos --idosos de 80 a 84 anos e de 85 a 89, variando de acordo com a cidade.

Para isso, o governo está distribuindo 474 mil doses da vacina contra Covid-19 da Fiocruz (Oxford/AstraZeneca) para a continuidade da campanha nas 645 cidades paulistas.

O cálculo de distribuição para regiões e cidades tem como referência estatísticas populacionais e os públicos-alvo da campanha de vacinação contra a gripe de 2020.

Enquanto a região de Barretos, por exemplo, terá 5,7 mil doses, Ribeirão Preto ficará com 16,5 mil e Campinas, com 45,6 mil. A Grande São Paulo terá 206,5 mil doses.

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