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Fisioterapeuta de 26 anos com síndrome de Down toma posse como vereadora no RS

Luana de Moura era suplente na Câmara de Santo Ângelo (RS)

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Luciano Nagel
Porto Alegre

A suplente de vereadora Luana Rolim de Moura (PP), 26, com síndrome de Down, fez história no início desta semana na Câmara de Santo Ângelo, na região das missões, no Rio Grande do Sul. Ela tomou posse como vereadora --virtualmente, em razão da pandemia.

Neste domingo (21), comemora-se o Dia Internacional da Síndrome de Down.

A gaúcha Luana Rolim, que é fisioterapeuta, concorreu ao cargo de vereadora pela primeira vez em 2020 e conquistou 633 votos, ficando como a primeira suplente do PP. Devido a um problema de saúde, o titular da bancada, vereador Nivaldo Langer de Moura, saiu de licença e abriu espaço para a jovem.

Mulher de óculos está sentada em uma bancada em frente a um microfone com duas bandeiras ao fundo
A fisioterapeuta Luana Rolim de Moura (PP), 26, que tem síndrome de Down, foi empossada vereadora em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul - Maria Lúcia de Moura/ Arquivo Pessoal

‘’Este era meu sonho. Sempre fui muito estimulada pelos meus pais a estudar e trabalhar, e agora quero me dedicar dentro da política com projetos ligados aos direitos dos cadeirantes, LGBTs e pessoas portadoras de síndrome de Down, entre outros’’, disse a nova vereadora à Folha por telefone.

Entre as atuações no cargo, Luana pretende promover ações de emprego por programas de educação profissional aos jovens com deficiência física e intelectual. ‘’Vamos transformar as nossas limitações em autonomia e independência. Trabalhar e buscar atitudes positivas, isso que precisamos’’.

Luana é filha única. Quando criança, nos primeiros dois anos, frequentou a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), e posteriormente ingressou no jardim de infância e pré-escola em colégios regulares.

Segundo a mãe, Maria Lúcia de Moura, Luana cursou o ensino fundamental e médio, e foi oradora da turma. “Ela participava de todas as atividades que a escola oferecia, como balé, capoeira, teatro, música, dança e futebol. Ela sempre gostou de participar de tudo’’, contou a mãe.

Depois, prestou vestibular para o curso de fisioterapia pela Faculdade CNEC de Santo Ângelo, sua cidade natal. "Escolhi cursar fisioterapia porque gosto muito de tratar as pessoas, em especial pacientes portadores com deficiência intelectual’’, disse Luana.

mulher de branco conduz aula de exercícios físicos com mulher em academia
Como vereadora, a fisioterapeuta Luana Rolim de Moura quer incentivar programas de educação profissional a deficientes - Maria Lúcia de Moura/ Arquivo Pessoal

Com o tema para o trabalho de conclusão de curso “O tratamento de gameterapia nos portadores de paralisia cerebral”, ela abordou o uso de videogames em sessões fisioterapêuticas, neurológicas e ortopédicas como forma de reabilitação de pacientes mais dinâmica e recreativa.

Ela pretende dividir as funções de vereadora e fisioterapeuta com um futuro curso de pós-graduação.

‘’Sofri, sim, preconceito, mas os incentivos de outras pessoas eram bem maiores e eu usava isso a meu favor, ignorando episódios desagradáveis’’ disse.

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