Descrição de chapéu Coronavírus

Com recorde de mortes, governador do RS vai liberar prefeitos sobre abrir ou não comércio

Porto Alegre está com todas as UTIs ocupadas para tratar casos graves de Covid-19

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Porto Alegre

Num cenário em que as mortes provocadas pela Covid-19 batem recordes diários no Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite (PSDB) vai editar decreto no final de semana retomando a cogestão da pandemia com as prefeituras, que estava suspensa desde 8 de março. A medida valerá a partir da próxima segunda-feira (22).

Com a volta da cogestão, os prefeitos poderão legislar novamente sobre as restrições dos protocolos das bandeiras estaduais. O modelo permite que o administrador municipal possa adotar as regras da bandeira imediatamente inferior à decretada no Estado.

A medida é tomada em um momento em que a capital, Porto Alegre, enfrenta lotação máxima em todas as suas UTIs.

Um contêiner precisou ser instalado no hospital Moinhos de Vento, o maior particular da cidade, para abrigar corpos de vítimas do coronavírus. Em outro grande centro médico, o Hospital da Restinga e do Extremo Sul de Porto Alegre, na periferia do município, pacientes ficam nos corredores, de pé e ao lado de cilindros de oxigênio, devido à lotação.

O governador Eduardo Leite irá manter os protocolos da bandeira preta no estado, a mais restritiva das quatro classificações, mas, com a retomada da cogestão, os prefeitos terão autonomia para descerem um degrau na classificação e adotar critérios da bandeira vermelha.

Na prática, podem determinar a reabertura do comércio local, com restrições de horário e de capacidade, e da circulação de pessoas. O toque de recolher entre 20h e 5h será mantido pelo menos até 31 de março.

A proposta do governador foi apresentada na terça-feira (16) às principais lideranças do comércio e será submetida aos prefeitos em reunião marcada para a sexta-feira (19). Os protocolos de bandeira vermelha, com a volta da cogestão, deverão ser reforçados, com aumento das restrições.

O comércio não essencial, como lojas de departamentos e salões de beleza, só poderão funcionar de segunda a sexta-feira, das 9h às 20h, com permissão de ingresso de clientes até 19h.

Cortinas plásticas cobrem gôndolas em corredor de supermercado
Gôndolas bloqueadas em supermercado de Porto Alegre, após decisão de proibir venda de itens não-prioritários pelo governod o Rio Grande do Sul. - Diego Vara/Reuters

Bares e restaurantes, por outro lado, poderão funcionar todos os dias da semana, até 17h, com ingresso de clientes até 16h. Hotéis e pousadas deverão respeitar o critério de lotação máxima de 50%. As aulas presenciais nas escolas públicas e particulares, incluindo educação infantil, continuam vetadas por decisão judicial.

Na terça-feira (16), o Rio Grande do Sul bateu recorde de mortes por Covid-19 com 502 óbitos em 24 horas. A média móvel subiu 120% nas últimas duas semanas, passando de 115 por dia no dia 3 de março para 253 pelo balanço desta quarta-feira (17). O Estado já contabilizou 15.606 óbitos.

As UTIs continuam com superlotação. Nesta quarta-feira, a rede SUS registra 100% de ocupação, enquanto a rede privada alcança 133% dos leitos de terapia intensiva. Os casos confirmados de Covid-19 chegam a 72% das 3.494 internações em UTIs no estado.

O governador justificou a decisão pelo que chamou de “fôlego curto” da economia. “Pode parecer estranho para alguns, mas a decisão será baseada em dados científicos. Ficamos embaixo d’água, sem respirar, pelo máximo de tempo que pudemos. Foram três semanas. Mas o fôlego é curto, não se sustenta mais”, disse Leite.

Ele destacou que a reabertura das atividades econômicas será “lenta e gradual”, com muitas restrições e fiscalização. Mesmo assim, condicionou a retomada da cogestão à confirmação dos dados de recuo da pandemia.

Leite citou a queda na taxa de transmissão do vírus, que baixou de 2,35% no final de fevereiro para 1,41% nesta semana, e a demanda decrescente de leitos como indicadores positivos no Estado.

“Se tivermos segurança para dar esse passo [a reabertura do comércio], vamos dar”, afirmou o governador. Leite também criticou o valor da retomada do auxílio-emergencial definido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “É três vezes menor que o primeiro. Não será suficiente para sustentar as nossas famílias”, disse.

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), voltou a reafirmar que irá reabrir o comércio assim que o decreto do governador permitir. “Sempre defendi que o comércio aberto regularmente, de forma responsável, deveria ser mantido”, disse. Quando assumiu, em janeiro deste ano, Melo chegou a defender a adoção de um protocolo exclusivo para a capital, mas, depois, decidiu aderir ao modelo de cogestão.

O governo do Rio Grande do Sul também deverá anunciar linhas de crédito para pessoas físicas e jurídicas no banco do Estado, no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e no Badesul, especialmente para o setor de turismo.

A região da Serra Gaúcha pressiona o governo pela retomada das atividades devido à proximidade da Páscoa, que ocorre no primeiro final de semana de abril. A prefeitura de Nova Petrópolis já confirmou a realização da Chocofest no período de 27 de março a 11 de abril.

“Acreditamos que, nas próximas semanas, a situação deixará de ser tão grave. Estamos planejando a Páscoa em formato híbrido, mas permitindo que as famílias celebrem juntas”, disse o prefeito de Nova Petrópolis, Jorge Darlei Wolf (PSDB).

A manutenção dos eventos de Páscoa foi definida pelos prefeitos e secretários de turismo da Amserra (Associação dos Municípios de Turismo da Serra) em reunião virtual no dia 9 de março. Além de Nova Petrópolis, haverá festividades em Picada Café, Gramado, Santa Maria do Herval, Canela e São Francisco de Paula.

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