Descrição de chapéu Obituário Fúlvio Pileggi (1923 - 2021)

Mortes: Foi referência na cardiologia e figura-chave na história do Incor

Fúlvio Pileggi foi professor, clínico, acadêmico e diretor-geral do instituto de cardiologia da USP de 1982 a 1997

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São Paulo

Aos seis anos, o cardiologista Roberto Kalil, atual presidente do Conselho Diretor do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas de São Paulo, diretor-geral de cardiologia do Hospital Sírio-Libanês e professor titular de cardiologia da Faculdade de Medicina da USP, já queria ser médico.

A influência de seu tio Fúlvio Pileggi, referência na cardiologia brasileira e latino-americana, foi fundamental em sua carreira. “Sou quem eu sou hoje por causa dele. Sabe um escultor? Ele pegou um barro e me fez. Moldou. Ele me esculpiu na medicina”, diz Kalil.

Fúlvio era um homem rigoroso, justo e de coração grande, sempre pronto a ajudar. Foi assim com Kalil, quando insistiu para que o sobrinho fizesse um fellowship (modalidade de pós-graduação) nos EUA para que um dia ocupasse o seu lugar.

“Falei que não tinha pretensão alguma porque não chegaria a ser professor titular. Ele disse que eu iria para os EUA e voltaria em dois anos. Quando voltei, fui contratado em uma UTI que cuidava de infarto. Sempre muito duro comigo, ele dizia que eu tinha que estudar, fazer ciência e ser um professor titular. Meu tio queria sempre a melhor formação para as pessoas.”

Fúlvio Pileggi (1927-2021)
Fúlvio Pileggi (1927-2021) - Eduardo César/Pesquisa Fapesp

“Quando fui assistente dele, aprendi muito. Aprendi a verdadeira medicina, a cuidar do doente, a ouvir o paciente”, conta Kalil.

“Ele foi o maior professor de cardiologia que o país já teve e formou profissionais à sua maneira. Um cara brilhante. Vivia 24 horas para os doentes. Não viajava. Atendia todo mundo, estudava todos os dias até as 3h. Qualquer livro ou novidade sobre cardiologia ele sabia. O Incor deve tudo ao doutor Pileggi. Ele foi tudo para mim. Sigo seus exemplos."

Fúlvio foi diretor-geral do Incor de 1982 a 1997, contribuiu para consolidá-lo como centro de excelência e deu destaque nacional e internacional para a instituição. Também ajudou a transformar a Fundação Zerbini em um modelo de entidade pública de apoio à saúde, inspirando inúmeros hospitais no Brasil.

A trajetória na medicina começou em 1947, quando passou em terceiro lugar no exame para a USP. Fez internato e residência no HC e ganhou uma bolsa de estudos da Fundação Rockfeller para o Instituto Nacional de Cardiologia do México, naquela época um dos centros mais importantes da cardiologia mundial.

De volta ao Brasil, trabalhou com o professor Luiz Venere Décourt, à época chefe do Serviço de Cardiologia Clínica do HC, e participou da união do Serviço de Cardiologia Clínica, de Décourt, com o Serviço de Cirurgia Cardíaca, de Euryclides de Jesus Zerbini. Viu o aumento da demanda dos leitos cardiológicos, que levaram ao desenvolvimento do Incor.

Após obter todos os títulos de professor de cardiologia na Faculdade de Medicina da USP, tornou-se diretor-geral do Incor. Fúlvio Pileggi se aposentou em 1997. Em 59 anos de exercício na medicina, atuou na cardiologia clínica e na pesquisa científica. Publicou cerca de 488 artigos em revistas científicas nacionais e 233 em periódicos internacionais.

Fúlvio Pileggi morreu dia 4 de abril, aos 93 anos. Deixa os filhos Fúlvio, Renata, Roberta e José Carlos, e oito netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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