Descrição de chapéu São Paulo 2030

Preservação de mananciais deve ser prioridade para saneamento em SP

Especialistas ressaltam importância dessas áreas no acesso universal à água

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Artur Búrigo
Florianópolis

A preservação dos mananciais deve estar entre as prioridades de empresas de saneamento e governos para que sejam atingidas as metas de universalizar os serviços de distribuição de água e de coleta/tratamento de esgoto.

Essa é a avaliação dos participantes do segundo painel do webinário São Paulo 2030, promovido pela Folha na terça-feira (27), com apoio de Sabesp e Grupo Nelson Wilians.

No caso da cidade de São Paulo, as áreas das represas Guarapiranga e Billings merecem atenção especial, em razão das ocupações urbanas irregulares no seu entorno.

“O saneamento não existe sozinho no ambiente urbano, temos que pensar em políticas públicas que integrem setores importantes, como habitação. Não podem ter estratégias separadas”, afirma o presidente da Sabesp, Benedito Braga.

Guilherme Barbosa Checco, coordenador de projetos do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), aponta uma alternativa para evitar novas ocupações nas represas Guarapiranga e Billings.

“O cuidado com o uso e a ocupação do solo é essencial. Nessas regiões, há atividades produtivas agrícolas muito pujantes. O ideal seria considerar os agricultores como uma espécie de guardiões dessas áreas, evitando novas ocupações.”

Checco acredita que o planejamento e foco nos mananciais devem estar na ordem do dia para evitar uma nova crise hídrica, como aconteceu em 2014 e 2015, quando o volume morto (reserva técnica de água) teve de ser utilizado para evitar a falta de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo.

“Não podemos colocar a culpa em são Pedro. Diferentes padrões de chuva são a nova realidade climática. As áreas produtoras de água devem estar no centro do debate, incorporadas aos modelos de negócio”, afirma Checco.

Outra estratégia citada pelos debatedores para garantir a segurança hídrica é minimizar o desperdício de água.

Para isso é necessário que as empresas invistam em tecnologia que aumente a eficiência de seus processos, avalia Adriana Leles, diretora de relações institucionais e de captação do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

“A nossa indústria tem grandes oportunidades com o novo marco do saneamento. Com tecnologia e operação mais moderna e eficiente haverá descarte de água em melhor nível. Quanto melhor a qualidade da água captada no seu manancial, menos vai se gastar no processo de tratamento”, afirma.

De acordo com os dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) reunidos pelo Instituto Trata Brasil no Ranking do Saneamento, a capital paulista tem um percentual menor de perda de água na distribuição em relação à média nacional e se comparada às cem maiores cidades do país. Ainda assim, mais de um terço da água tratada distribuída aos paulistanos é desperdiçada.

O novo marco do saneamento básico, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro no ano passado, determina que 99% da população seja atendida com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até o fim de 2033. A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) passou a ser a responsável por regular o setor.

Christianne Dias, diretora-presidente do órgão, observa que o arranjo do novo marco é complexo, pois os municípios são responsáveis pelos serviços de saneamento, enquanto os modelos de concessão podem ser regionalizados, o que garante escala para as empresas prestadoras do serviço. “Nesse contexto, os governadores têm um papel político muito importante”, afirma.

De acordo com o advogado Marcel Daltro, sócio do escritório Nelson Wilians, uma amostra de como o novo marco irá contribuir com mais investimentos para o país é o interesse privado pelos quatro lotes da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) que foram colocados em leilão.

“Mesmo com a pandemia, existe sinalização do mercado de que serão feitos investimentos para a universalização do saneamento.”

Na cerimônia de sanção do novo marco, no ano passado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo calcula que o setor atraia investimentos da ordem de R$ 600 bilhões a R$ 700 bilhões nos próximos anos.

O webinário teve mediação de Artur Rodrigues, repórter da Folha.


Assista à íntegra do webinário

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