Em 1º dia como prefeito em exercício, Nunes tem maratona de reuniões e fala em união

Vice-prefeito de SP quer evitar disputas políticas em momento delicado da saúde de Covas

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São Paulo

O primeiro dia de Ricardo Nunes (MDB) como prefeito em exercício na atual licença de Bruno Covas (PSDB), que se afastou da Prefeitura de São Paulo por 30 dias, foi de reuniões intensas entre assessores, secretários e políticos.

A ideia do emedebista é passar um recado de que os trabalhos continuam normalmente e, para apaziguar movimentações políticas que já o pressionam por cargos, a palavra mais repetida pelo vice-prefeito foi de união.

Vice-prefeito Ricardo Nunes (MDB) em coletiva na Prefeitura de São Paulo - Ricardo Nunes no Facebook

Pouco depois das 7h da manhã desta segunda (3), Nunes já estava no telefone com os secretários de Educação (Fernando Padula) e Saúde (Edson Aparecido), com quem falou em manter os rumos definidos pelo titular.

Ainda pela manhã, ele manteve uma agenda marcada desde a semana anterior —antes de saber que assumiria o cargo—, e conversou por videoconferência com a diretoria da Apas (Associação Paulista de Supermercados), além de duas secretárias, Claudia Carletto (Direitos Humanos) e Aline Cardoso (Desenvolvimento Econômico e Trabalho).

Na pauta, a criação de cem pontos de arrecadação de alimentos pelo programa social Cidade Solidária, termo que os supermercados devem assinar com a prefeitura na próxima quinta (6).

Esse tipo de compromisso vinha sendo comum na agenda do vice-prefeito, que recebeu nos últimos quatro meses uma romaria de políticos e entidades em seu gabinete.

A surpresa veio no fim da manhã, com a notícia de que Covas foi para a UTI (unidade de terapia intensiva) e precisou ser intubado para conter um sangramento no trato digestivo, onde começou o tumor do prefeito.

O episódio assustou os assessores do chefe do Executivo e aumentou a movimentação nos bastidores.

Tanto em privado, em conversas com partidários do tucano, quanto em público, como disse à Folha ainda no domingo (2), quando anunciada a licença do prefeito, Nunes tem tentado colocar panos quentes e abafar disputas políticas mais intensas, afirmando que não fará nenhuma mudança nos rumos do Executivo.

Repete ainda que vai consultar Covas para temas importantes e que está seguro que o prefeito retomará o cargo.

Tucanos próximos de Covas se incomodaram com uma movimentação de políticos de outras esferas do MDB, principalmente da Alesp (deputados estaduais), que acionaram o vice-prefeito na última semana por mais espaço no executivo municipal.

Nunes teria se irritado com os correligionários, segundo relatos feitos à Folha, e tratou a movimentação como indelicada. Nesta segunda, ele repetiu diversas vezes ao longo do dia que o momento é de união. A mensagem é que não há motivos para abrir uma guerra política agora.

Para deixar clara a ideia de união, alguns dos assessores mais próximos de Covas, como Ricardo Tripoli (Casa Civil), Edson Aparecido e Rubens Rizek (governo) fizeram ou farão agendas públicas com o prefeito em exercício.

Rizek e Aparecido estiveram na entrega de 40 leitos de UTI no Hospital Municipal da Vila Santa Catarina, na zona sul de São Paulo.

No evento, Nunes citou a internação de Covas e falou da “preocupação do prefeito de ter UTI para todos para ninguém ficar sem tratamento”.

Já Tripoli deve acompanhar o prefeito em exercício na chegada à cidade de doses da vacina contra a Covid-19 produzidas pela Pfizer, prevista para as 13h desta terça (4).

A presença do secretário foi definida em reunião, por vídeo, com os secretários do grupo executivo da Covid-19, nomes do primeiro escalão que discutem os temas de combate à pandemia na cidade, no meio da tarde. Eles ainda decidiram que estarão na próxima quinta (6) em um drive thru no começo da vacinação de pessoas com idades de 60 a 62 anos.

Os secretários debateram o calendário de divulgação do inquérito sorológico da capital, que monitora a parcela da população que foi exposta ao vírus —uma nova divulgação foi marcada para a semana que vem.

Depois, às 18h, Nunes se reuniu com o chefe de gabinete do prefeito para assinar os decretos de nomeação e exoneração que serão publicados no Diário Oficial nesta terça (4), que deve trazer o nome do vereador Adilson Amadeu na composição do Conpresp (conselho municipal do patrimônio).

À noite, ele ainda receberia o chefe de gabinete da SPObras, Diogo Batista Soares, e Aline Torres, militante do MDB Mulher.

Os dias do agora prefeito em exercício têm se encerrado por volta das 23h.

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