Homens pretos e pardos se tornam pais antes e têm mais filhos, mostra pesquisa

Estudo do IBGE indica que população com baixo nível de estudo e de renda também vira pai antes

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Rio de Janeiro

Um novo estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que homens pretos ou pardos costumam ter mais filhos e viram pais mais cedo, na comparação com o restante da população.

A mesma lógica também vale para quem tem pouco estudo ou está nas menores fatias de renda, indica a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada nesta quinta-feira (26).

O estudo inclui novos recortes de dados frente à edição anterior, de 2013. O levantamento, contudo, ainda não capta os reflexos da pandemia de coronavírus na área de saúde, já que a Covid-19 chegou ao país em 2020.

Uma das novidades da pesquisa é justamente o retrato sobre os homens de 15 anos ou mais que já tiveram pelo menos um filho.

Conforme o estudo, pais pretos ou pardos tinham, em média, 25,1 anos quando o primeiro filho nasceu. A marca entre os brancos foi maior, de 26,8 anos.

A média de filhos entre os homens pardos que já eram pais ficou em 2,8. Pretos vieram logo na sequência, com 2,7. Já entre os brancos, o número foi de 2,4.

No recorte por nível de escolaridade, os dados apontam que homens com ensino fundamental completo e médio incompleto tinham 24,6 anos quando viraram pais. É a menor marca da pesquisa.

Já os homens sem instrução ou fundamental incompleto se tornaram pais com 25,1 anos.

Brasileiros com ensino superior completo, por sua vez, viraram pais mais tarde. A média nesse grupo foi de 27 anos.

Segundo o IBGE, o número de filhos foi superior entre os pais sem instrução ou fundamental incompleto: 3,5. Entre os homens com ensino superior completo, a marca foi de 2 filhos.

Quando a variável é nível de renda, os brasileiros com renda domiciliar per capita inferior a um quarto do salário mínimo ingressaram na paternidade antes, com 24 anos, e eram os que tinham o maior número de filhos (3,1).

Na faixa de renda mais alta da pesquisa, com rendimento domiciliar per capita de mais de um salário mínimo, a idade era maior (26,7 anos), e a média de filhos, menor (2,4).

Os dados também trazem recorte por região. Segundo o estudo, homens do Norte e do Nordeste viraram pais antes e tinham mais filhos.

Outro módulo pesquisado pela PNS é o da saúde da mulher. De acordo com o estudo, em torno de 80,5% das mulheres de 15 a 49 anos sexualmente ativas usavam algum método para evitar a gravidez em 2019.

A fatia de 40,6% considerava a pílula anticoncepcional como o método mais eficaz. Em seguida, vinham a camisinha masculina (20,4%) e a laqueadura (17,3%).

No Brasil, 4,7 milhões de mulheres de 15 anos ou mais tiveram filhos entre 29 de julho de 2017 e 27 de julho de 2019.

No parto, 87,2% foram atendidas por médicos, 10,4% por enfermeiros e 1% por parteiras.

O levantamento também indica que, em 2019, 81,3% das mulheres entre 25 e 64 anos haviam realizado o exame preventivo para câncer de útero no período de menos de três anos. Enquanto isso, 6,1% nunca haviam feito o procedimento.

De acordo com o IBGE, cerca de 58,3% das mulheres de 50 a 69 anos haviam realizado mamografia nos últimos dois anos. O percentual foi ligeiramente mais alto do que o verificado em 2013 (54,3%).

O estudo mostra ainda que em 2019, 17,3 milhões de pessoas com dois anos ou mais tinham alguma deficiência no país. O número equivale a 8,4% da população nessa faixa etária.

Segundo o IBGE, apenas 28,3% das pessoas com deficiência e em idade de trabalhar (14 anos ou mais) estavam na força de trabalho em 2019. Entre as pessoas sem deficiência, o percentual era superior, de 66,3%.

A força de trabalho é o conceito que reúne tanto os profissionais empregados (ou ocupados) quanto os desempregados (ou desocupados, que seguem em busca de novas vagas).

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