Conheça dez curiosidades do Datafolha acerca das propostas da escola sem partido

Posicionamento varia conforme idade, orientação sexual, religião e escolaridade

Flávia Faria
São Paulo

Embora a maioria dos brasileiros seja favorável às discussões sobre sexualidade e política na escola, segundo o Datafolha, a opinião a respeito desses temas em sala de aula varia bastante conforme religião, partido de preferência, orientação sexual e escolaridade.

Ao passo que 63% dos partidários do PSL são contrários às aulas de educação sexual, 67% dos peessedebistas são a favor. Enquanto a maioria dos evangélicos se posiciona contra o tema, católicos, espíritas e adeptos de religiões afro-brasileiras são favoráveis. 

Por outro lado, fatores como sexo e região do país têm pouca influência no posicionamento. Setenta e um por cento dos homens concordam com aulas sobre assuntos político, mesmo percentual das mulheres. Também não há diferença muito significativa entre os moradores das cinco regiões do Brasil.

Como mostrou pesquisa Datafolha realizada em dezembro de 2018, 71% dos brasileiros concordam que assuntos políticos sejam temas de aulas, e 54% pensam o mesmo sobre educação sexual. O instituto ouviu 2.077 em 130 municípios brasileiros. O nível de confiança é 95% e a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Há, na Câmara dos Deputados, um projeto de Escola sem Partido que pretende limitar as discussões sobre gênero, sexualidade e política nas instituições de ensino. A proposta é defendida pelo presidente, Jair Bolsonaro (PSL), que critica uma suposta doutrinação ideológica nas escolas brasileiras. Educadores, por outro lado, acreditam que o projeto seria uma forma de censura aos professores.

Abaixo, veja dez curiosidades da pesquisa segundo recortes como local de moradia, cor, sexo, idade e religião.

1- Evangélicos neopentecostais são os mais contrários às aulas de educação sexual, mas são a favor de abordar assuntos políticos

Por outro lado, espíritas e membros de religiões afro-brasileiras são os mais favoráveis aos temas. 

2- Quanto maior a escolaridade, maior o apoio 

Sessenta e três por cento das pessoas com ensino superior defendem as aulas de educação sexual e 83% são a favor de aulas sobre assuntos políticos. Entre os que têm apenas o ensino fundamental, percentual cai para 49% e 62%, respectivamente.

3 - Opinião é semelhante entre os gêneros, mas varia conforme idade

Posicionamento sobre assuntos políticos e sexualidade fica empatado na margem de erro. Por outro lado, mais jovens são mais favoráveis ao debate em sala de aula.

4- Maioria dos eleitores do PSL é contra aulas de educação sexual

Defesa dos temas é maior entre partidários do PSDB: 67% apoiam debater sexualidade na escola e 81%, assuntos políticos.

5- Homossexuais são os maiores defensores de abordar sexualidade e política na escola

90% dos gays defendem abordagem de assuntos políticos, e 82% dos bissexuais. Entre os héteros, percentual cai para 53%.

6- Indígenas e orientais são os menos favoráveis às discussões na escola

49% dos indígenas querem educação sexual nas escolas. Entre brancos e negros, 73% defendem aulas sobre política.

7- Maioria dos eleitores de Bolsonaro é contra educação sexual

Quarenta e quatro porcento são a favor, ante 68% dos eleitores de Fernando Haddad (PT) . Defesa dos assuntos políticos é semelhante nos dois grupos.

8- Moradores de capitais são mais favoráveis ao debate político na escola que os do interior

Opinião sobre educação sexual, contudo, é semelhante nos dois grupos, empatando na margem de erro.

9- Região do país tem pouca influência na opinião dos entrevistados

Percentuais são muito semelhantes, e Sul, Sudeste e Nordeste empatam na margem de erro no quesito educação sexual. Diferença também é pequena em relação a temas políticos.

10- Renda influencia mais a opinião sobre política que sobre sexualidade

​Pessoas que ganham de 5 a 10 salários mínimos são os mais a favoráveis às discussões em sala de aula, mas opinião sobre educação sexual é semelhante nas outras três faixas de renda. 

Mais pobres são os que menos defendem política na escola.

 

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