Novo chefe da Educação de Covas tem histórico de polêmicas com kit escolar

João Cury Neto respondeu processo, que foi arquivado, quando prefeito de Botucatu

São Paulo

O novo secretário da Educação da cidade de São Paulo, João Cury Neto, se envolveu em polêmicas relacionadas à compra de material pedagógico tanto no cargo de prefeito de Botucatu, no interior do estado, quanto como secretário estadual da Educação mais recentemente na gestão Márcio França (PSB). 

Cury Neto foi anunciado nesta terça-feira como novo integrante da equipe do prefeito Bruno Covas (PSDB), em substituição a Alexandre Schneider, no cargo havia dois anos. Essa troca na Educação visa tanto já construir apoios para a reeleição de Covas, no ano que vem, como atrair França, virtual concorrente do prefeito na disputa. 

França tentou a reeleição ao governo no ano passado, mas foi derrotado por Doria em disputa acirrada de segundo turno.

De 2009 e 2016, Cury Neto foi prefeito de Botucatu. Na cidade, foi alvo de ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em 2013, devido a um contrato que assinou ainda em 2009 com uma empresa para implantar nova metodologia da disciplina de Ciências para alunos da rede municipal de ensino. O contrato teve vigência de dois anos e então foi suspenso pela prefeitura.

Como a contratação por R$ 11 milhões foi feita sem licitação, o Ministério Público moveu ação pública na qual solicitou ressarcimento aos cofres públicos por parte dos acusados —entre eles, Cury Neto. Pedia também que ele respondesse por improbidade administrativa e tivesse seus direitos políticos cassados. A ação foi julgada improcedente pela Justiça.

João Cury Neto (de camisa branca, no centro, ao lado do homem segurando uma placa) em evento em outubro
João Cury Neto (de camisa branca, ao lado do homem segurando uma placa) em evento em outubro - Divulgação

Depois da prefeitura, Cury Neto foi presidente do FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), responsável pela execução das políticas educacionais da Secretaria da Educação de São Paulo, dejaneiro de 2017 a abril de 2018.

Em abril passado, Cury Neto assumiu o cargo de secretário estadual de Educação da gestão França, o que foi entendido pelos tucanos ligados a João Doria (PSDB) como apoio ao pessebista contra Doria na disputa eleitoral.

Cury Neto assume a prefeitura em momento que sua atuação como secretário da educação no estado é alvejada por críticas do atual governador, que acusa a gestão França de não ter comprado os kits escolares para o ano letivo de 2019. 

Nesta terça-feira (8), após a nomeação de Cury Neto para a pasta municipal, Doria postou sobre o assunto no Twitter. "Conforme a imprensa noticiou, assumimos a gestão sem contratos de compra de kits de material escolar para 2,6 milhões de alunos das escolas estaduais. Para tentar minimizar os danos para nossas crianças, agilizamos o processo e em uma semana foi possível firmar estes contratos", escreveu o governador. 

Além disso, assim que assumiu o cargo na semana passada, o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, disse que 60 mil alunos de todo o estado poderão ficar sem aula devido à falta de 8.500 professores.

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