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Escolas particulares dizem que retorno em setembro pode levar a demissões

Diretores de colégios pedem o retorno das atividades presenciais para educação infantil em julho

São Paulo

Com o anúncio de que as aulas presenciais em São Paulo só poderão ser retomadas a partir de setembro, segundo critérios do governo estadual, as escolas particulares temem a perda de mais alunos e de terem que demitir professores. Já professores acham precoce o retorno.

O anúncio surpreendeu os colégios, que se programavam para voltar com parte dos alunos em julho ou agosto. Como o governo João Doria (PSDB) autorizou a retomada de comércio e serviços, muitas famílias precisam das escolas abertas para que possam voltar a trabalhar.

“Desde que anunciaram a abertura do comércio, a escola particular começou a se preparar para receber os alunos dessas famílias. Não queremos voltar com todos os estudantes de uma vez, mas dar o suporte para os pais que precisarem”, afirmou Benjamin Ribeiro, presidente do Sieeesp (sindicato das escolas particulares do estado).

Para a entidade, as famílias, sobretudo as com crianças pequenas, podem ter de recorrer a outros serviços, como babás ou mães crecheiras. “A rede particular em São Paulo tem a maioria dos alunos vindos das classes C e D. As famílias não irão continuar a escola abrir enquanto precisam trabalhar”, disse Ribeiro.

Levantamento do sindicato aponta que as creches (que atendem crianças dos 0 aos 3 anos) perderam ao menos 10% das matrículas desde o início da pandemia, o que representa mais de 53 mil alunos.

“As famílias não vão continuar com os filhos na escola sabendo que eles só terão mais três meses de aula. E os colégios estão em situação financeira complicada e vão ter que demitir professores”, afirmou.

Arthur Fonseca, diretor da escola Uirapuru e membro da Abepar (associação de escolas particulares), também avalia que o plano de retomada das aulas deveria ter considerado a situação das famílias com crianças pequenas.

“Estão considerando todas as escolas, todas as cidades e situações tão diversas do estado como se fossem iguais. As realidades são distintas e deveria haver um plano específico para a educação infantil, com uma retomada antecipada”.

Os professores da rede particular temem as demissões até setembro e também o aumento da carga de trabalho após a retomada das aulas.

Segundo eles, as escolas não avaliam estender o ano letivo no próximo ano e devem aproveitar sábados e emendas de feriados para completar as 800 horas letivas em 2020.

Outra preocupação é a de que não consigam manter as aulas do ensino à distância. Como sempre haverá 35% da turma em sala, os docentes terão de estar presentes na escola todos os dias.

Os alunos que não estiverem em sala, porém, poderão se ver à deriva, já que não restará tempo para a preparar as aulas online, que exigem outro tipo de trabalho, sobretudo no caso do Fundamental 1, em que nã há rodízio de matérias.

Eles temem que a manutenção das duas modalidades de ensino (presencial e a distância) e para mais turmas, já que as salas terão que ter quantidade menor de alunos, também aumente a carga de trabalho.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação disse que o pedido dos donos das escolas para antecipar o volta às aulas tem "interesses próprios e econômicos, enquanto o governo de São Paulo planeja o retorno pautado em medidas de contenção da epidemia, atendendo aos interesses da população e sem colocar nenhuma vida em risco".

Redes públicas

Os sindicatos de professores das redes municipais e estaduais de São Paulo avaliam que o anúncio da reabertura das aulas é precipitado. Eles afirmam que o estado continua a registrar recordes de novos casos e que não há garantia de segurança para a volta às aulas.

“O estado tem recorde atrás de recorde e quer colocar 5 milhões de estudantes nas escolas estaduais. Antes de retomarmos, o governador terá que apresentar um plano bem estruturado do que fará nas unidades para garantir o distanciamento e quantos professores irá contratar já que as turmas serão reduzidas”, disse a deputada Maria Izabel Noronha (PT), presidente da Apeoesp (principal sindicato da categoria).

O Sinpeeem (sindicato dos professores da rede municipal) também afirmou não considerar que haja segurança para a retomada das aulas, sobretudo para a educação infantil onde não é possível garantir o distanciamento de alunos e professores.

O plano do governo é que as aulas possam ser reiniciadas em 8 de setembro com 35% dos alunos, desde que todo o estado esteja durante pelo menos 28 dias (quatro semanas) na fase amarela do plano de reabertura da economia.

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