Descrição de chapéu Coronavírus

Para abrir escolas em fevereiro, é preciso conter alta de casos agora, dizem especialistas

Sindicatos de professores e especialistas dizem que governo de SP precisa efetivar ações para volta presencial segura

São Paulo

Sindicatos de professores e especialistas em educação afirmam que o governador João Doria (PSDB) ainda precisa garantir melhores condições de segurança no estado e nas escolas para permitir que elas fiquem abertas em 2021.

Nesta quinta (17), o governador anunciou que vai publicar um decreto classificando as instituições de ensino básico como serviços essenciais para que elas possam continuar abertas mesmo em regiões que estejam em fases mais restritivas do plano de controle da pandemia do coronavírus.

Pela regra atual, as escolas só podem ser abertas na fase amarela. Com a mudança, elas continuarão funcionando até mesmo em regiões que estejam na fase vermelha, a de maior risco da doença.

Doria disse que a abertura das escolas no início do ano letivo de 2021 —programada para 1º de fevereiro na rede estadual —é prioridade do governo, por isso, a mudança na regra.

Para especialistas, no entanto, se o governo defende que educação seja a área prioritária, deveria já ter iniciado restrição em outros setores para impedir que a quantidade de casos e hospitalizações continue aumentando em São Paulo.

Eles afirmam que os países usados como exemplo pelo governador para defender a abertura das escolas nas fases mais críticas da pandemia mostram a necessidade de maior controle em outros setores da economia.

França, Reino Unido, Irlanda e Alemanha, que foram citados pelo secretário de Educação, Rossieli Soares, estão com lockdown ou com restrições severas ao funcionamento de bares e restaurantes.

“É preciso que se demonstre em ações e que se adotem medidas para que seja seguro o retorno das crianças e professores às escolas no próximo ano. Se mantiver o comércio, bares e restaurantes funcionando normalmente agora, a volta presencial não será segura”, disse Fernando Cássio, professor da UFABC e dirigente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação e Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, também defende que o retorno presencial das aulas seja prioridade, mas diz que é preciso pensar em toda a logística envolvida.

“Precisamos pensar em tudo o que envolve esse retorno presencial. Haverá ônibus em quantidade suficiente e adequada para que os professores se desloquem até as escolas com segurança?”, questiona. "É fundamental que as escolas reabram, mas é preciso que todos esforços estejam focados nessa direção para que isso ocorra de forma segura”, completa.

Os sindicatos de professores das redes estadual e municipal de São Paulo disseram que não descartam a possibilidade de greve caso tenham que retornar presencialmente em 2021. Eles também cobram que o governador os inclua no grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19.

A Folha apurou que as equipes de educação já se preparam para uma possível greve de professores. A iminência da vacina é vista como um possível entrave para o retorno presencial em fevereiro, já que os professores argumentam que não há motivo para colocá-los em risco de contaminação há pouco tempo da imunização ser iniciada.

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