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O empreendedorismo prateado cresce no Brasil

Bete Marin

​O poder de compra dos seniores deve superar os R$ 30 trilhões no mundo em 2020, de acordo com a pesquisa Consumer Generations. O envelhecimento populacional tem impulsionado a Silver Economy, que movimenta, globalmente, cerca de US$ 7,1 trilhões (R$ 26,70 trilhões) anuais. Na prática, essa cifra confere à Economia Prateada o status de terceira maior atividade econômica do mundo.

No Brasil, a consultoria Hype60+ conduziu o estudo Negócios da Longevidade, em parceria com o Aging 2.0, organização do Vale do Silício que apoia negócios em mais de 20 países, para mapear as empresas nacionais mais inovadoras, que atuam nessa indústria. Entre os objetivos estão entender as oportunidades e desafios do empreendedor de impacto social que investe na temática. 

Essa iniciativa está em sintonia com o propósito da Hype60+, consultoria de marketing especializada no consumidor sênior, que atua norteada pelo propósito de transformar o Brasil em um país mais inclusivo para os maduros, ajudando empresas a criarem melhores produtos, serviços e experiências para os prateados.

Para se ter uma ideia do potencial do segmento sênior no país, em menos de uma década ganhamos 8,5 milhões de cidadãos acima dos 60 anos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa parcela da população deve chegar a 38 milhões em 2027.

O número crescente de adultos idosos no país faz parte de uma realidade mundial e com isso surge uma demanda cada vez maior por produtos e serviços adaptados às necessidades dos maduros.

Na análise dos resultados da Negócios da Longevidade, chama a atenção o fato de o estado de São Paulo concentrar 59% das empresas com foco na economia prateada; Minas Gerais apresenta 14%; Rio Grande do Sul aparece com 6%; Rio de Janeiro e Bahia têm 5% cada. Os estados de Pernambuco e Ceará têm o índice de 4% e 1%, respectivamente.

As empresas em geral são jovens: 73% tem menos de cinco anos de existência e 40% delas ainda não têm faturamento. Internet das coisas (14%), big data (9%) e sensores (8%), são as três tecnologias mais utilizadas pelas startups com foco na longevidade. 

Em um cenário com poucas informações consolidadas sobre os hábitos de consumo e comportamentais da população idosa para embasar os novos negócios, a pesquisa se torna muito relevante no fomento dessa indústria de impacto social.

Os dados mostraram que 39% das startups estão posicionadas em engajamento e propósito; 23% em gestão e cuidado; 12% em mobilidade e movimento; 9% em estilo de vida; 9% em cuidados; 5% em saúde mental e 4% em gestão financeira.

Conhecer esse consumidor é um grande desafio para os empreendedores que estão se voltando para atender às necessidades dos chamados baby boomers. A boa notícia é que essa lacuna já foi percebida, e existe um movimento ativo no país para preenchê-la.

O mapeamento identificou 141 iniciativas com soluções para o envelhecimento e mais de 80 negócios com tecnologias em saúde, bem-estar, segurança, autonomia, moradia, geração de renda e lazer para atender às necessidades e desejos do público com mais de 60 anos.

Nesse universo destaco duas iniciativas, a primeira é a ISGame que ensina jovens e idosos a desenvolver games em 2D para PCs e smartphones. Além de promover a inclusão digital, a programação e o uso dos games desenvolvidos pela ISGame também são uma forma de tratamento preventivo para doenças cognitivas para idosos. Idealizada por Fábio Ota, a ISGame foi selecionada para integrar a Estação Hack –iniciativa de aceleração de negócios de impacto social conduzida pela Artemisia em parceria com o Facebook.

A segunda é a Morar.com.vc –plataforma de moradia compartilhada, criada pelas empreendedoras Marta Monteiro, 64, especialista no mercado imobiliário, e Veronique Forat, 61, especialista em marketing de relacionamento.

Marta Monteiro (à esq.), 64, e Veronique Forat, 61, fundadoras da Morar.com.vc, em apartamento em SP
Marta Monteiro (à esq.), 64, e Veronique Forat, 61, fundadoras da Morar.com.vc, em apartamento em SP - Adriano Vizoni/Folhapress

Elas se conheceram em 2016, em um workshop sobre reinvenção do trabalho após os 60, e perceberam que tinham muito em comum. Têm energia de sobra, vontade de continuar trabalhando e estavam abertas a aproveitar a experiência e conhecimentos para fazer algo diferente na “segunda metade” da vida profissional.

Ambos os negócios de impacto social têm em comum o propósito de trazer inovação a indústria da longevidade –compromisso assumido também pela Hype60+. Um dos reflexos desse nosso comprometimento é a realização do Beleza Pura –um projeto amplo que pretende ser uma fonte de inspiração para as mulheres maduras e para as marcas que querem, genuinamente, dialogar com elas.

Em 8 de março de 2019, realizamos um evento na Unibes Cultural, em São Paulo, cuja proposta foi engajar profissionais do mundo da beleza para ensinarem e aprenderem com essa consumidora.

Na ocasião divulgamos a pesquisa inédita Beleza Pura - Mulheres Maduras 2019, que destacou as demandas do público que mais cresce no Brasil e no mundo: a geração de mulheres baby boomers, nascidas após a Segunda Guerra Mundial, entre 1945 e 1964.

Bete Marin

Cofundadora das empresas Hype60+, Amo Minha Idade, ED Comunicação, ED Promoção e Eventos, é sócia da Virada da Maturidade e da Beleza Pura e parceira do Longevidade Expo+Forum 2019

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