Após fundar negócio que inclui minorias, programador trans ganha prêmio de empreendedorismo jovem

Gustavo Glasser, criador da Carambola, é o Empreendedor Social de Futuro 2019

São Paulo

Na idade limite para participar da disputa, Gustavo Glasser, 35, fundador da Carambola, foi o vencedor da 11ª edição do Prêmio Empreendedor Social de Futuro. A cerimônia ocorreu na noite desta segunda-feira (4), no Teatro Porto Seguro, em São Paulo.

A categoria é uma iniciativa exclusiva da Folha, criada em 2009, voltada para empreendedores sociais de no máximo 35 anos que estejam à frente de iniciativas de até três anos de existência ou em fase de consolidação.

Glasser recebeu o troféu de Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação.

Gustavo Glasser, vencedor da categoria Empreendedor Social de Futuro, durante a cerimônia do Prêmio Empreendedor Social, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo - Eduardo Anizelli/Folhapress

"Estou muito honrado por representar muita gente que está aqui comigo. Foi um desafio chegar até aqui, e hoje trago muita gente comigo. Eu também sou um privilegiado. Tenho 35 anos e essa é a expectativa de vida da população trans desse país. Me considero um exemplo de superação por estar vivo", disse o vencedor no palco da premiação.

Nascido Juliana numa família de classe média baixa no Grajaú, periferia da capital paulista, e vítima de preconceito ao ser assumir, primeiro, LGBTQ+ e, depois, por trilhar muitos trabalhos braçais, que exigiam muito e remuneravam pouco, o empreendedor social descobriu na tecnologia a saída para uma vida melhor.

Ao se formar em programação, Gustavo tinha em mente que era preciso abrir caminhos para que outros jovens, de periferia e de grupos excluídos e minoritários, pudessem entrar no mercado da tecnologia, dominado por homens heteros, brancos e de classe média alta.

Assim nasceu a Carambola, em 2013, um negócio de impacto que alia educação, tecnologia e inclusão social. 

Em um mercado com falta de desenvolvedores —são 460 mil vagas não preenchidas em TI na América Latina (2018) e apenas 20 mil formandos por ano no Brasil— e pouca diversidade —mulheres só ocupam 6% dos cargos de liderança—, a startup cria metodologias educacionais para gerar equidade nas empresas.

A metodologia da Carambola é inovadora porque forma e remunera minorias sociais que normalmente não conseguem se inserir no mercado de TI. Com foco em negros, mulheres, população LGBT e jovens de periferia, o negócio social fornece mão de obra para grandes empresas por meio do programa em que o futuro empregado recebe entre R$ 1.500 e R$ 6.000 mensais para aprender antes da contratação.

Glasser competiu no Prêmio Empreendedor Social de Futuro com Diogo Tolezano, 35, fundador da Pluvi.On —iniciativa que atua no monitoramento climático e alerta populações sobre chuvas e enchentes, evitando prejuízos e salvando vidas.

Criada em 2016, a startup foi a primeira a ser incluída na plataforma de cidades inteligentes da ONU (Organização das Nações Unidas).

TROFÉU GRÃO

Além do prêmio de Futuro, a cerimônia realizou a segunda edição da categoria Troféu Grão, voltada para líderes de organizações de impacto social sem fins lucrativos com no mínimo um ano de atuação.

A campeã da vez foi Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta e da PretaHub. Negra oriunda de uma família matriarcal e empreendedora, a paulistana foi considerada em 2017 um dos 51 negros mais influentes do mundo pela MIPAD (Most Influential People of African Descent).

A PretaHub é uma plataforma de inventividades e criatividades pretas que desenvolve o maior festival de cultura e empreendedorismo voltado para afrodescendentes da América Latina, a Feira Preta.

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