Descrição de chapéu
Fábio Righetto e Laura Ferreira

Design sustentável: uma possível solução para salvar o planeta

Fabio Righetto Laura Ferreira

No contexto histórico, diferentemente do que se poderia imaginar, o design não é e nunca foi um atributo de um produto, nem se restringe à estética ou à linguagem plástica de algo.

Essa visão reducionista, juntamente com a banalização do termo pelo mercado, relativizou sua importância social, negligenciando seu papel vital e transformador dentro dos contextos sociais.

O design é um processo criativo muito poderoso, que tem como finalidade tornar algo melhor para alguém e para o mundo, repensando se o que existe é realmente bom.

E o que é ser bom? Bom para quem?

Essas questões centrais no design nos permitem entender que o mesmo define o ser humano como elemento central de um cenário altamente complexo. Assim, busca estudar e compreender seus comportamentos atuais e futuros para promover soluções relevantes visando a contribuição social de forma sustentável.

A Cartone é uma empresa que fábrica de móveis feitos de papelão. Na foto, banco de papelão - Marcus Leoni/Folhapress

O paradigma de produção e fabricação industrial se manteve focado na geração de novas demandas para o consumo até o final do século 20, mas mudou sua trajetória em direção a uma produção mais flexível, com cada vez mais setores buscando segmentar e adaptar os produtos devido à demanda por diferenciação.

As corporações reconheceram o valor estratégico do design e o termo tradicional “produto” obteve mutação nas ultimas décadas. Isso porque a relação do consumidor com esses produtos tornou-se afetiva, e possuí-los significa pertencer e compartilhar as mesmas ideologias.

Na contemporaneidade, os produtos são carregados de conceitos e questões simbólicas e, neste contexto, o design passa a ser solicitado para pensar e buscar soluções em novas áreas e necessidades sociais mais complexas.

Desta forma, projetar passa a significar também criar soluções para problemas sociais. O design então assume sua responsabilidade para com o futuro e a sustentabilidade passa a ser sua profissão de fé.

Não adianta ser sustentável ambientalmente se como um modelo de negócios ele não se consolida e nem dá frutos. Tem que ser sustentável em todos os aspectos sociais, comerciais, humanos e culturais.

Se pensarmos que praticamente tudo o que o design produziu ao longo de sua história já foi ou será descartado enquanto matéria-prima, torna-se urgente entender que, para um novo produto nascer, ele deve oferecer o menor impacto ambiental possível.

Não só isso, mas também o máximo de benefícios humanos e sociais, dentro ou a partir deste sistema produtivo e de consumo, conduzindo um projeto de maneira estratégica com soluções de processos e materiais ecologicamente corretos, economicamente saudáveis e socialmente justos.

Essa é a natureza do design, e essa mudança deve ser conduzida pelos próprios designers, conscientes de sua responsabilidade e destino.

Não há como mudarmos a cultura de consumo se não mudarmos a maneira de pensar e projetar o mundo. Produtos biodegradáveis, desmaterialização dos objetos em serviços, concepção do que podemos chamar de produto mínimo, produtos compartilhados etc. farão cada vez mais parte do universo do design.

Não como mais uma especialidade ou onda, que se dissipa tão rapidamente quanto arrebata. Trata-se de entender a questão em sua complexidade, em sua solidez e coerência. Não é um modismo. Não é mais um novo discurso para profissionais se auto-intitularem gurus.

O design tem que ser sustentável. Sempre deveria ter sido assim. Não é inovação, é responsabilidade assumida. O design sustentável pode ser a solução para ajudar a salvar o planeta. Caso contrário, poderemos não chegar ao século 22.

Fábio Righetto

Diretor da área de artes plásticas e coordenador do curso de design da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado)

Laura Ferreira

Professora e historiadora da arte e do design na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado)

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