Aplicativo brasileiro permite que pessoas doem sem gastar dinheiro

Doações geradas pela Ribon beneficiaram mais de 540 mil pessoas nos últimos três meses

São Paulo

Desde que a pandemia da Covid-19 foi decretada, muita coisa mudou mundo a fora, inclusive o jeito de doar.

O ambiente de crise e instabilidade se mostrou fértil para o surgimento de tecnologias de impacto social que aparecem com o objetivo de amenizar os efeitos negativos da pandemia, como o aplicativo Ribon, plataforma brasileira que possibilita que usuários doem sem gastar um centavo do seu bolso.

O processo que permite a doação gratuita é simples: grandes empresas e fundações, como Malwee e Klabin, patrocinam o aplicativo, que já conta com mais de 50 mil usuários ativos por mês.

Ribon: tecnologia criada no Brasil permite que qualquer pessoa faça doações para causas ao redor do mundo sem gastar dinheiro do bolso
Ribon: tecnologia criada no Brasil permite que qualquer pessoa faça doações para causas ao redor do mundo sem gastar dinheiro do bolso - Divulgação

Esse dinheiro é transformado em ribons, a moeda utilizada no app para fazer doações, e distribuído diariamente pros usuários da plataforma direcionarem para as ONGs cadastradas.

Criada por estudantes da Universidade de Brasília (UnB) em 2016, a Ribon tem o objetivo de tornar a doação parte da cultura do brasileiro, indo além das campanhas nacionais de televisão ou fornecimento de donativos eventuais pelas ruas.

Diferente da maioria dos empreendimentos, a startup de impacto social vive na pandemia seu melhor momento, e viu seus números de usuários e de doações crescerem nos últimos meses.

Só no primeiro semestre deste ano, foram arrecadados mais de R$ 110 mil, valor que equivale a 60% do montante obtido pela startup durante todo o ano de 2019.

Só com o que foi coletado em abril, maio e junho deste ano, a plataforma conseguiu ajudar mais de 543 mil pessoas no Brasil, África e Ásia durante a pandemia.

Os resultados da Ribon são reflexo de um momento em que a arrecadação de doações para caridade bate recorde no Brasil.

De acordo com o Monitor de Doações da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), até o momento já foram destinados para ações de combate ao novo coronavírus mais de R$ 5,9 bilhões.

De acordo com o levantamento do World Given Index divulgado em 2019, o Brasil ocupa a 74° posição de 126 países presentes no ranking que mede o quanto que as pessoas estão dispostas a doar dinheiro. No entanto, especula-se que os brasileiros subirão algumas posições no ranking deste ano, tendo em vista o movimento de solidariedade registrado durante a pandemia.

Rafael Rodeiro, CEO da Ribon, é otimista quando analisa o cenário da solidariedade digital.

“Há anos trabalhamos pelo fomento à cultura de doação no Brasil e vínhamos tendo sucesso, cientes de que é um trabalho que leva tempo. Entretanto, a pandemia acelerou esse processo e despertou o sentimento de empatia entre as pessoas. A tecnologia tem uma participação muito importante nisso tudo”, afirma.

Rafael Rodeiro, CEO da Ribon, startup brasileira que permite que pessoas doem para organizações sociais sem gastar dinheiro do bolso
Rafael Rodeiro, CEO da Ribon, startup brasileira que permite que pessoas doem para organizações sociais sem gastar dinheiro do bolso - Divulgação

A grande diferença da Ribon em relação aos demais atuantes no mercado é que nela os doadores podem doar para causas sem gastar dinheiro do seu bolso.

No entanto, buscando contemplar os usuários que querem aumentar seu impacto para além das doações gratuitas, foi criado um serviço de assinaturas mensais de doações para as sete causas pré-selecionadas pela plataforma.

O número de assinantes da modalidade triplicou a sua base desde março, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou a pandemia.

Outra característica da startup é que o foco das campanhas não é para o valor arrecadado, mas sim qual o potencial de impacto prático que ele causa na vida das pessoas.

“O principal critério que levamos em conta ao escolher as ONGs beneficiadas é o quanto elas conseguem gerar de impacto com o recurso disponível. Nossa base de usuários recebe relatórios mensais do que está sendo feito com as doações e se empolga ao ver os números crescentes”, diz Rodeiro.

No segundo trimestre de 2020, as doações realizadas via Ribon garantiram à população vulnerável brasileira mais de 543 mil higienizações de merendas escolares, 19 mil refeições, 297 rendas mínimas para catadores.

Na África, foram 2.180 vidas cobertas com programa de nutrição infantil por um ano e outras 2.170 com programa de medicamentos contra doenças tropicais por um ano, além de outros projetos de impacto realizados na África e na Ásia.

Entre os projetos beneficiados pela base de usuários da Ribon estão a Ação da Cidadania, que distribui alimentos e kits de higiene para famílias em vulnerabilidade; WFP Centro de Excelência Contra a Fome Brasil, que oferece descontaminação de merendas escolares para estudantes carentes de escolas públicas brasileiras; Pimp My Carroça, que garante renda mínima para catadores de materiais recicláveis; Evidence Action, que garante água potável na África; SCI, que oferece o controle de esquistossomose em países da África Subsaariana; PHC, de nutrição infantil e Living Goods, de saúde básica.

Para realizar as doações para estas causas, basta baixar o aplicativo Ribon e seguir as instruções para escolher quais projetos o usuário quer destinar os donativos.

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