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José Dias

Inovação social em tempos de crise

José Dias

Formado em ciências econômicas, é coordenador e captador de recursos do Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS). É empreendedor social da Ashoka e da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais.

A inovação social reside na forma de como fazer o processo de transformação acontecer, evidentemente incluindo componentes novos, mais seguros e eficientes.

É algo que deve estar aberto para novas inovações por meio de um processo continuado de experimentação, com constante observação e identificação daquilo que pode ser inovado.

Logo se conclui que o campo de inovação social é muito vasto e, de uma importância significativa no processo de desenvolvimento, com princípios de sustentabilidade e inclusão social.

Um auditor de indicadores sociais de projetos apoiados pela Inter-American Foundation e Instituto Oi Futuro, Eduardo Batista, no ano de 2014, em uma reunião com camponesas e camponeses, na área experimental do Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS), didaticamente definiu inovação social como sendo uma poda.

CEPFS (Centro de Educação Popular e Formação Social), Teixeira (PB), em 2013
Coordenado por José Dias, o CEPFS desenvolve tecnologias sociais que fomentam o desenvolvimento sustentável do sertão da Paraíba - Renato Stockler

​Segundo ele, quando se faz uma poda em uma árvore, nascem novos brotos, novos ramos que darão mais e melhores frutos.

Avaliei como bastante didática essa definição, sobretudo para a compreensão das camponesas e camponeses, na oportunidade em reunião, em busca de melhores condições de vida.

Claro e evidente que o resultado final dependerá, sempre, da eficiência da poda. Se a poda for feita tecnicamente correta e no momento correto, em relação à planta, haverá novos brotos, novos ramos que darão mais frutos e com mais sustentabilidade. Do contrário o resultado pode ser drástico, extremamente complicado, podendo levar à morte da planta ou no mínimo à perda da produção no ano em que a poda for realizada.

Partindo desse pressuposto, logo se percebe que no processo que se busca inovar é fundamental que haja um bom e participativo planejamento a ponto de se identificar bem o que e como se pretende inovar, de tal modo que a poda (retirada de determinados componentes ou iniciativas) ou a incorporação de novos elementos ao processo possa ter eficiência para o alcance dos objetivos pretendidos.

Portanto, são processos que devem ser liderados por pessoas que tenham uma visão sistêmica, inclusiva e possam assumir a condição de moderadores no processo, acolhendo as ideias e promovendo o diálogo, no horizonte de se encontrar os melhores e mais seguros caminhos para se efetivar a inovação pretendida.

Trago para a reflexão a idéia de que inovações mais seguras requerem tempo para maturar possíveis e sustentáveis caminhos. Até porque é preciso olhar bem, se apropriar do que já se tem, do que já vem sendo desenvolvido, para poder pensar novos caminhos, novos maneiras de fazer, com mais eficiência, com menos custos, com mais sustentabilidade etc.

Isso não significa dizer que não há possibilidade de se inovar em uma crise. Contudo, as inovações que nascem em períodos de crise, embora tenham origem na realidade, na necessidade de mudar, podem ter períodos de eficiência menores em razão das estratégias nascerem a partir da realidade de crise, não sendo possível dedicar tempo suficiente para o planejamento, para o processo de pensar e repensar os caminhos.

Nesses casos, com certeza, haverá ainda mais necessidade de novas podas, de reaver os processos em cursos, justamente para repensar os caminhos e estratégias adotadas.

Costumo refletir que, em uma crise, há uma tendência das pessoas se agarrarem, a primeira opção de saída ofertada.

Vejamos, se nos encontrarmos em uma enchente, analisando-a como cenário de crise iremos perceber que uma primeira iniciativa possível será a de nos agarramos aos primeiros galhos, como forma de nos salvar, sem analisar se os instrumentos são seguros ou não. Isso porque não há tempo para pensar, para analisar se o que aparece em nossa frente pode ser ou não sustentável.

Fica evidente que, em que nos agarrarmos em uma crise pode ser ou não a saída, sobretudo se o objetivo maior for a superação.

Assim sendo, há sempre a necessidade de avaliação permanente do caminho trilhado a partir de uma crise, sempre na perspectiva de identificar se é possível inovar, se podem ser feitas podas, se há novos fatos possíveis de melhorar os processos de tal modo a torná-los mais eficientes, mais seguros e, portanto, com mais chance de alcançar a superação da crise.

É com essa abordagem que o Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS) vem atuando no semiárido da Paraíba há 35anos.

Necessitamos de novos parceiros e financiadores para ampliar esse importante trabalho. Visite nosso site www.cepfs.org.br, conheça nosso trabalho e se torne um doador. Ajudem-nos a continuar com a missão de promover o empoderamento daqueles que mais precisam.

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