Pimp My Carroça aposta em aplicativo, série Cataflix e vaquinha para fortalecer catadores na pandemia

Organização concorre na Escolha do Leitor em que público poderá, além de votar em suas preferidas, doar para ações de enfrentamento à Covid-19

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São Paulo

O esforço de tirar catadores de material reciclável da invisibilidade ganhou o mundo virtual durante a pandemia. A organização Pimp My Carroça aposta em uma série de vídeos, no aplicativo Cataki e em vaquinha coletiva para fortalecer trabalhadores pelo país.

“Ainda que 90% de todo o material reciclado no Brasil seja coletado pelos catadores, a categoria segue na informalidade e invisível às políticas sociais”, aponta o grafiteiro Mundano, 35, idealizador do movimento.

Em 2020, a organização criou a campanha Renda Mínima pros Catadores na Pandemia e foi um dos destaques no Prêmio Empreendedor Social do Ano em Resposta à Covid-19.

Ela garantiu R$ 650 em doação para 2.117 catadores, que perderam sua fonte de renda do dia para a noite, e distribuiu 197 toneladas de alimentos e quase 12 mil EPIs.

Todo o processo de mobilização de recursos foi feito pela internet. Enquanto as pessoas doavam pela vaquinha online, a organização orientava os catadores a se cadastrarem e atualizarem seus dados no Cataki.

Para que o auxílio chegasse aos beneficiários, a iniciativa se valeu do banco de dados do aplicativo, que conecta catadores a pessoas e empresas que desejam contratar serviços de reciclagem. “Tivemos 2.188 novos cadastros e 43 mil downloads do Cataki”, diz Mundano.

A série de vídeos Cataflix foi uma maneira de trazer ao debate público o tema da reciclagem e o papel dos profissionais que tiram dela seu sustento. Com cinco episódios, colocou catadores como protagonistas.

“A gente vive em um país que vê mais sentido em enterrar dinheiro do que gerar emprego e renda para o profissional da reciclagem”, diz Anne Caroline Barbosa, 28, uma das apresentadoras da série, em referência aos R$ 16 bilhões perdidos anualmente com a falta de reciclagem adequada ao lixo.

Das 80 milhões de toneladas que o país gera, apenas 4% é reciclada e 40% têm destinação imprópria, segundo dados da Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. “O investimento das empresas ainda é muito tímido”, afirma Mundano.

As ações virtuais deram uma nova perspectiva ao Pimp My Carroça. “Somos uma organização muito presencial, de aglomeração, mão na massa”, diz o artista. "Revitalizávamos cooperativas, fazíamos eventos e tivemos que rever tudo”. Apesar do distanciamento, ele enxerga a aproximação com os trabalhadores um legado da pandemia.

A ONG testa agora um modelo de carroça elétrica, com energia renovável, que pode carregar até 400 kg sem grande esforço do catador. “Temos o desafio de criar um fundo para escalar as carroças do futuro”, afirma Mundano.

Com a diminuição das doações, a ONG criou uma campanha para reforçar a renda dos trabalhadores, essenciais em tempos de pandemia. A categoria segue com dificuldades e sente falta das cestas básicas que alimentaram muitas famílias em situação de vulnerabilidade social.

Como finalista na categoria Ajuda Humanitária do prêmio, Pimp My Carroça vai à votação popular, concorrendo com outras nove iniciativas na Escolha do Leitor.

O público poderá eleger seu finalista favorito em cada uma das categorias ao longo de três meses, em formato inovador no qual a enquete, no site da Folha, torna-se também plataforma de doação.

COMO VOTAR NA ESCOLHA DO LEITOR

Passo 1 Acesse folha.com/escolhadoleitor2021 e escolha a iniciativa que mais fez seus olhos brilharem

Passo 2 Clique no botão "Quero votar" e aguarde a confirmação

Passo 3 Faça uma doação para uma delas clicando em "Doar agora"

Passo 4 Preencha seus dados, valor da doação e clique em "Enviar"

Os vencedores da Escolha do Leitor, tanto os recordistas de votos quanto os líderes na captação de doações, serão anunciados em um dos eventos de comemoração aos 100 anos do jornal ao longo de 2021.

A ONG pretende utilizar as doações arrecadadas na premiação para adquirir cestas básicas, equipamentos de proteção individual e outras necessidades dos catadores. “Se trata de ajuda humanitária e todos os recursos serão destinados a isso”, diz Mundano.​

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