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O passo inicial para empreender com impacto e propósito

Na busca pelo propósito, é fundamental saber o que faz seus olhos brilharem

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Marcus Nakagawa

Professor da ESPM e coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental. É idealizador e diretor da Abraps e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

Retomada econômica inclusiva, energia renovável e sustentável, logística reversa, combate à Covid-19, apoio a pessoas em situação de rua, impacto na periferia, diversidade e inclusão, segurança alimentar, orgânicos, captação de recursos. Seria possível escrever um artigo inteiro com esses temas, que são alvo de impacto de empreendedores socioambientais.

Fico pensando o quanto as pessoas devem ficar agoniadas com tantos problemas e desafios que temos no país. A complexidade da nossa civilização e a busca por um estilo de vida de sucesso não-comunitário devem também ajudar nesse processo.

Quando dou exemplos de empresas, empreendedores, ONGs, projetos e trabalhos voluntários que existem, as pessoas ficam encantadas, com vontade de sair fazendo. E quase sempre vem aquela pergunta: como posso empreender e gerar impacto?

Academicamente, para desenvolver um produto ou serviço, especialistas dizem que precisamos entender o público-alvo (ou o beneficiário) e, agora, na modernidade, o usuário.

Nessas quase três décadas em que trabalho na área, na maioria das vezes o empreendedor já vinha com uma solução pronta. Então, quando eu perguntava sobre o público-alvo, percebia que ainda seria preciso que ele aprofundasse o conhecimento.

No empreendedorismo de impacto socioambiental, temos mais clareza do propósito. A dificuldade fica em afunilar esse sentimento e transformá-lo em uma missão clara, com objetivos e metas —sempre entendendo profundamente nosso usuário, cliente ou beneficiário.

Gosto de citar nesse momento Bill Drayton, que coloca o conceito de empreendedor social como alguém que aponta tendências e traz soluções inovadoras para problemas sociais e ambientais. Seja por enxergar um problema que ainda não é reconhecido pela sociedade ou por vê-lo em uma perspectiva diferente. Ou seja, o alvo será fundamental para o empreendedor de impacto, para ver que problema ele quer resolver.

No mundo corporativo, podemos dizer que o propósito de uma empresa é gerar valor para seus consumidores. Para Peter Drucker, pai da administração moderna, o intuito de todo negócio é criar um cliente.

Agora, cada vez mais, sabemos que as empresas precisam gerar valor para seus stakeholders e públicos de relacionamento. Tem até o movimento da "economia de stakeholders", pensado para que o valor não vá só para acionistas e consumidores. Assim sendo, o foco é a “alma” do negócio.

De uma maneira pragmática, para escolher o propósito do negócio de impacto podem ser referenciadas uma das 169 metas dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Os objetivos trazem clareza para quais problemas e com qual indicadores queremos atuar.

Daí voltamos a um dos temas que iniciaram este artigo. Todavia, para escolher a que propósito você se dedicará em um negócio de impacto, e sabendo que o que você tem de mais precioso é seu tempo, é fundamental saber o que faz seus olhos brilharem ou o que deixa você desconcertado.

Pense em algum problema, injustiça ou tema que te deixe com aquela sensação horrível, a garganta seca, com vontade de sair gritando ou escrevendo sem parar.

Aquele incômodo que você, a todo momento, tenta esconder. É isso que te dará energia para trabalhar, articular, planejar, desenvolver, enfim, ir atrás da resolução desse problema.

Para tudo isso, o autoconhecimento é essencial para descobrir este incômodo, o propósito e o problema do mundo que se quer resolver. Descobrir o seu “eu” para depois mobilizar outras pessoas e ir, aos poucos, modificando a sociedade.

Talvez este seja o passo inicial para o propósito do empreendedorismo de impacto: entender seu objetivo pessoal. Depois disso, vem aquela parte mais pragmática, que é verificar o foco de atuação, como nos 17 ODSs: na área social, na saúde, política, educação, meio ambiente...

O que não dá é para ficar parado vendo tantas injustiças, desigualdades, queimadas, corrupção, devastação da natureza, entre outros problemas. Vamos buscar nossa meta e ajudar a transformar tudo isso.

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