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Empreender é também buscar parceiros

No mundo do impacto social e ambiental, é comum empreendedores buscarem seus opostos, mas com valores semelhantes

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Marcus Nakagawa

Professor e coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental, autor premiado com o Jabuti 2019, palestrante e idealizador da Abraps e do Dias Mais Sustentáveis.

Quando iniciamos um empreendimento, temos diversas atividades a serem cumpridas. Uma mesma tarefa que você talvez passe horas para fazer, outra pessoa pode terminar em alguns minutos. Nesse momento, o autoconhecimento e suas competências físicas e emocionais são imprescindíveis.

Tenho alguns amigos que "pilotam" planilhas financeiras como se estivessem jogando videogame. Outros escrevem como se estivéssemos batendo papo em um almoço.

Marcus Nakagawa, professor de Empreendedorismo Social da ESPM (Escola Superior e Propaganda e Marketing)
Marcus Nakagawa, professor de Empreendedorismo Social da ESPM (Escola Superior e Propaganda e Marketing) - Divulgação

Michael Gerber, referência no estudo do empreendedorismo, aborda três 'personas' de empreendedores. O primeiro é o visionário, sonhador, criativo, que catalisa a mudança.

Pessoas são obstáculos no caminho da realização de seus sonhos. Esta primeira é, geralmente, a que aparece na capa das revistas e nas reportagens de jornais e revistas de negócios. É quase um herói ou heroína, personagem de filmes.

A outra 'persona' é o administrador, pessoa planejadora, pragmática, que vive mais no passado e se apega ao 'status quo'. Treinada para ver problemas e extremamente organizada. É o sonho de consumo de qualquer empresa, o executivo que tem tudo mapeado.

E a última persona é o técnico, aquele que põe a mão na massa, adora fazer ela mesma, vive consertando tudo. Tem que ter o que fazer e toda tarefa tem que ser cumprida. Além disso, é feliz trabalhando e o que importa é o jeito de fazer. É a famosa "gente que faz".

Provavelmente, você se identificou com uma destas 'personas' —e gostaria de ter características de todas elas.

Com esta reflexão gostaria de colocar a importância das parcerias tanto no empreendedorismo de impacto quanto no tradicional. É preciso conhecer seus pontos fortes, saber o que você consegue fazer mais rápido e com eficiência.

E saber o que você não sabe fazer, no que você é lento, ou o que você não consegue ter atenção suficiente e verificar quais pontos fracos precisa melhorar na sua rotina.

Mas se você não tem tempo para se desenvolver, então é melhor buscar um parceiro. No mundo do impacto social e ambiental é comum empreendedores buscarem seus opostos, mas com valores semelhantes.

Por exemplo, uma pessoa sonhadora que busca mudanças sociais ou ambientais, com atividades mais de relações humanas e que busca mais contato pessoal, talvez precise do apoio de alguém mais pragmático, com pensamento linear e que consiga "aterrissar" as ideias para o mundo das finanças ou das ações imediatas.

Conheci, ao longo da minha trajetória, organizações e empresas com este tipo de parceiros na direção ou na liderança de empreendimentos de impacto. Ou, ainda, quem terceiriza este parceiro por meio de consultorias ou mentorias.

É fundamental se aprofundar primeiro no seu "eu", conhecer suas competências positivas e a melhorar, e entender que tipo de parceiro ou parceira você está buscando.

É fundamental conhecer suas competências positivas para entender que tipo de parceiro ou parceira você está buscando

Marcus Nakagawa

ESPM

Se você não sabe fazer ou gasta muito tempo fazendo uma atividade, vá atrás de parceiros: colaboradores, sócios, mentores, fornecedores.

Temos uma grande oportunidade de descobrir e aprender com o outro conhecimentos e competências que não temos. E, com isso, fazer parcerias em que todas as partes ganham —lembrando sempre de calçar as "sandálias da humildade", colocando o "nós" acima do "eu".

E mais importante do que capas de jornais ou o palco de palestras, é o verdadeiro impacto social ou ambiental que o seu empreendimento causa.

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