Meningite meningocócica pode ser fulminante e deve ser tratada imediatamente

Número de casos caiu 63% no país entre 2010 e 2016; doença pode ser prevenida com vacinas

São Paulo

A meningite, doença que causou a morte do neto de 7 anos do ex-presidente Lula, é uma infecção que se instala quando uma bactéria, vírus ou fungo ataca as meninges, três membranas que envolvem e protegem o encéfalo, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central. A transmissão é por via respiratória. 

As meningites bacterianas são as mais graves e devem ser tratadas imediatamente. Segundo Celso Granato, professor de infectologia da Unifesp, a doença é fulminante. O risco de morte é de 10% a 20%. 

É esse o tipo que atingiu o menino Arthur Araújo Lula da Silva, 7. Ele deu entrada às 7h20 desta sexta (1) no Hospital Bartira, da rede D'Or, em Santo André (Grande São Paulo), com quadro instável, segundo boletim médico. O estado dele se agravou, e a criança morreu de meningite meningocócica (causada por uma bactéria, o meningococo) às 12h36.

Os sintomas da doença incluem febre alta e repentina, dor de cabeça, rigidez do pescoço, vômitos e, em alguns casos, sensibilidade à luz e confusão mental. Nesses casos, é preciso levar a criança a um pronto-socorro com rapidez. Há risco de sequelas graves, como surdez, cegueira e amputações, que atingem entre 10% a 20% dos sobreviventes.

Há vacinas para a meningite. Na rede pública, as imunizações disponíveis protegem contra as meningites causadas pelo hemófilo B, por pneumococo e pelo meningococo C. 

Na rede privada, a vacina quadrivalente protege contra a meningite meningocócica dos tipos A, C, W e Y. Também há a vacina contra a meningite tipo B. 

Isabella Balalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), ressalta que as vacinas contra os tipos C e contra os tipos A, C, W e Y conseguem proteger o organismo por aproximadamente cinco anos, daí a necessidade de reforços periódicos.

Os casos de meningite estão em queda no país. O número de casos caiu 63% entre 2010 e 2016, segundo dados do Ministério da Saúde. 

Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da USP, afirma que a ocorrência de um caso não é reflexo de surto ou epidemia. "Não estamos totalmente livres da meningite. Só estaremos mais protegidos quando todas as vacinas estiverem disponíveis para todo o mundo e quando todos se vacinarem."

Após uma morte por meningite, entra em cena o serviço de monitoramento e vigilância para verificar se há outros casos na região onde a pessoa morava e de qual subtipo se trata. Pessoas mais próximas podem ter que tomar antibióticos. Alguns casos podem ser reflexo de imunodeficiência congênita —ou seja, de uma inabilidade do organismo em lidar com infecções.

É preciso, porém, tomar cuidado com uma eventual corrida aos postos às clínicas de vacinação, afirma o presidente da Abcvac (Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas), Geraldo José Barbosa. "É importante sempre manter a carteira de vacinação atualizada, especialmente em momentos como esse. Se a busca por vacinas aumentar acima do esperado, o preço pode aumentar, faltarão produtos e quem está mais exposto a riscos não poderá ser imunizado."

Segundo Barbosa, não é incomum que haja falta de algumas vacinas na rede privada mesmo em períodos em que não há surtos. Em todo o país, cerca de 50 mil pessoas recebem mensalmente vacinas meningocócicas dos tipos ACWY e B.

​Kallás e Granato lembram também que não existe vacina 100% eficaz. "Sempre há uma taxa de escape. A vacina contra a caxumba protege 70% na primeira dose e 85% na segunda. Já a vacina contra o sarampo protege contra 95% com duas doses. Depende da formulação e das características da doença, mas é essencial se vacinar", diz Kallás.

Vacinas contra meningite

Ao nascer

Na rede pública

  • BCG (Bacilo Calmette-Guerin). Previne as formas graves de tuberculose, principalmente miliar e meníngea

Aos 2 meses

Na rede pública

  • Pentavalente,  1ª dose. Previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite e infecções por HiB 
  • Pneumocócica 10 Valente,  1ª dose. Previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo pneumococo.

Aos 3 meses

Na rede pública

  • Meningocócica C,  1ª dose. Previne a doença meningocócica C 

Em clínicas privadas

  • Meningocócica ACWY,  1ª dose. Previne a doença meningocócica dos tipos A, C, W e Y. Custa entre R$ 270 e R$ 425 a dose; a idade ideal para as doses pode variar de acordo com a formulação
  • Meningocócica B, 1ª dose. Previne a doença meningocócica do tipo B. Custa entre R$ 490 e R$ 800 a dose

Aos 4 meses

Na rede pública

  • Pentavalente,  2ª dose. Previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite e infecções por Haemóphilus influenzae tipo B 
  • Pneumocócica 10 Valente,  2ª dose. Previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo pneumococo

Aos 5 meses

Na rede pública

  • Meningocócica C,  2ª dose. Previne doença meningocócica C

Em clínicas privadas 

  • Meningocócica ACWY,  2ª dose. Previne a doença meningocócica dos tipos A, C, W e Y. Custa entre R$ 270 e R$ 425 a dose; a idade ideal para as doses pode variar de acordo com a formulação
  • Meningocócica B,  2ª dose. Previne a doença meningocócica do tipo B. Custa entre R$ 490 e R$ 800 a dose

Aos 6 meses

Na rede pública

  • Pentavalente, 3ª dose. Previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite e infecções por HiB

Aos 7 meses

Em clínicas privadas 

  • Meningocócica ACWY,  3ª dose. Previne a doença meningocócica dos tipos A, C, W e Y. Custa entre R$ 270 e R$ 425 a dose; a idade ideal para as doses pode variar de acordo com a formulação
  • Meningocócica B,  3ª dose. Previne a doença meningocócica do tipo B. Custa entre R$ 490 e R$ 800 a dose

Aos 12 meses

Na rede pública

  • Pneumocócica 10 Valente, reforço. Previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo pneumococo.
  • Meningocócica C, reforço. Previne doença meningocócica C

Em clínicas privadas 

  • Meningocócica ACWY,  4ª dose. Previne a doença meningocócica dos tipos A, C, W e Y. Custa entre R$ 270 e R$ 425 a dose; a idade ideal para as doses pode variar de acordo com a formulação
  • Meningocócica B, reforço. Previne a doença meningocócica do tipo B. Custa entre R$ 490 e R$ 680 a dose

Aos 5 anos

Em clínicas privadas 

  • Meningocócica ACWY, reforço. Previne a doença meningocócica dos tipos A, C, W e Y) – reforço. Custa entre R$ 270 e R$ 370

Dos 11 aos 14 anos

Na rede pública

  • Meningocócica C, dose única ou reforço. Doença invasiva causada por Neisseria meningitidis do sorogrupo C

Em clínicas privadas 

  • Meningocócica ACWY, reforço. Previne a doença meningocócica dos tipos A, C, W e Y) – reforço. Custa entre R$ 270 e R$ 370

Dos 10 aos 19 anos

Na rede pública

  • Pneumocócica 23 Valente, uma dose a depender da situação vacinal. Previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo pneumococo

Fontes: Ministério da Saúde http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/vacinacao/calendario-vacinacao#crianca; SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações); Geraldo José Barbosa (presidente da Abcvac, Associação Brasileira das Clínicas de Vacina); Laboratório Fleury

Mariana Versolato , Phillippe Watanabe e Gabriel Alves
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