Devo trocar minha obturação de amálgama por uma de resina?

Substituição do material da restauração só é recomendada em casos de fratura ou infiltração

Matheus Moreira
São Paulo

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu, em 2017, a fabricação, importação e comercialização de mercúrio e pó para liga de amálgama não encapsulada no Brasil. O produto era usado em obturações (o termo odontológico é restauração). A medida passou a valer em janeiro de 2019. 

Apesar da proibição, não é preciso trocar a restauração de amálgama pela de resina. Camillo Anauate Netto, conselheiro do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), afirma que a substituição do material da restauração só é recomendada em casos de fratura ou infiltração. “Enquanto a restauração estiver na boca do paciente cumprindo bem sua função, pode ser mantida tranquilamente”, diz.

Dentista atende paciente na UBS São Vicente de Paula no Ipiranga em São Paulo
Dentista atende paciente na UBS São Vicente de Paula no Ipiranga em São Paulo - Lalo de Almeida/Folhapress

A restauração de amálgama de prata (que leva o mercúrio em sua composição) costuma ser visível. Em termos estéticos, a resina camufla a obturação. “Atualmente, a expectativa do paciente por restaurações estéticas é grande. As pessoas não querem mais restaurações metálicas em sua boca”, afirma Netto.

Para além da estética, Netto explica que há uma diferença relevante entre a durabilidade das restaurações de amálgama e de resina. 

“A longevidade de uma restauração de amálgama é grande. Temos na literatura casos que variam de 30 à 40 anos. As resinas, que até uns 10 anos atrás não tinham muitos requisitos de longevidade, hoje, tecnologicamente são materiais que melhoraram muito. As boas resinas compostas já podem substituir o amálgama, mas a longevidade delas não é igual, elas costumam durar em torno de 10 anos”, diz. 

Netto diz que não há perigo na restauração de amálgama. “A liga é uma mistura, ela já é colocada na boca do paciente misturada. O risco de contaminação existe na manipulação desse material ou quando o produto fica muito tempo em ambiente seco, o que não acontece na boca.”

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