Brasil tem 20 novas mortes por coronavírus, maior alta em um dia; total vai a 77

Um mês após primeiro diagnóstico de Covid-19, país tem 2.915 casos confirmados da doença

Brasília

O número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil subiu para 77 nesta quinta-feira (26), segundo dados do Ministério da Saúde. Até quarta-feira (25), eram 57 mortes. O registro de 20 óbitos em apenas um dia é o maior até agora.

O estado com maior número de registros é São Paulo, com 58 mortes já confirmadas. Também houve 9 mortes no Rio de Janeiro, 3 no Ceará e 3 em Pernambuco. Amazonas, Goiás, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm 1 registro casa.

Mais cedo, Goiás confirmou a primeira morte por Covid-19 na região Centro-Oeste do país. Com esse caso, todas as regiões do país têm mortos pela doença.

Ao todo, já são ao menos 2.915 registros da Covid-19. Na quarta, eram 2.433 casos, um aumento de 19,8%.

“Podemos observar que houve um incremento de casos. Isso vai estar oscilando e será influenciado pela disponibilidade de testes da circulação viral em cada localidade”, disse o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira.

Nos últimos dias, o percentual de aumento nos casos confirmados caiu de 37%, no domingo, para 19,8% nesta quinta.

A situação coincide com a mudança no protocolo previsto pelo Ministério da Saúde, que prevê testagem apenas em pacientes internados em hospitais com quadro respiratório grave.

A pasta também divulgou um balanço mais detalhado dos casos e mortes por causa do coronavírus.

De acordo com os dados, entre os mortos prevalecem os homens, com 68% do total. Nos casos graves, eles são 58%, contra 42% de mulheres.

Além disso, a faixa etária com maior número de mortes é entre 80 a 89 anos (39%), seguidos de pacientes de 70 a 79 (33,9%) anos. Três pessoas entre 30 e 39 anos de idade morreram de Covid-19 até esta quinta, segundo Oliveira.

Hoje, são 194 casos sendo tratados em UTI e 205 em enfermarias em todo o país.

De acordo com o ministério, cardiopatia é a doença associada mais comum em pacientes de Covid-19 —36 das pessoas que morreram por coronavírus tinham alguma doença cardíaca. Em seguida, vêm os diabéticos (23 mortos), imunodeprimidos (sete mortos) e pessoas com pneumopatias (15 mortos). Alguns tinham mais de uma doença associada.

Pacientes renais crônicos tiveram uma alta letalidade entre os casos informados, de acordo com o ministério. Também foram citados casos de doenças hematológicas crônicas, hepáticas crônicas, asma e doenças neurológicas crônicas, além de obesidade.

Entre os estados, o maior número de casos confirmados ocorre em São Paulo, com 1.052 casos confirmados, seguido do Rio de Janeiro, com 421. Há registros, porém, em todo o país (veja lista abaixo).

Desde a última semana, a pasta orienta que qualquer pessoa com sintomas de gripe tenha o quadro avaliado como possível infecção por coronavírus.

Exames, porém, são restritos apenas a pacientes com quadros graves, o que inviabiliza a confirmação. Para os demais, a orientação é que seja feito o isolamento domiciliar.

Ao comentar os dados, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse que a previsão “é ter 30 dias muito difíceis” daqui para frente. Ele evitou, porém, citar projeções.

"Nós vamos ter daqui para frente um número de casos novos superior ao número de casos novos do dia anterior. E é bem provável que nós tenhamos um número de óbitos maior do que o número de óbitos do dia anterior. Isto num período que deva ocorrer de 20 a 30 dias é esperado, vai acontecer", afirmou Gabbardo.

Segundo Gabbardo, o aumento de casos está abaixo da projeção inicial da pasta, que previa inicialmente que o país tivesse o dobro de casos a cada três dias.

Ele reforça, porém, que os dados podem mudar nos próximos dias conforme a ampliação da testagem. Nos últimos dias, a pasta anunciou que iria ampliar para 22,9 milhão a oferta de testes para diagnóstico. Outras parcerias com empresas são analisadas, diz.

"Se começarmos a ampliar enormemente o número de testes, vamos ter um crescimento muito grande do número de casos. Não vai mudar a doença das pessoas, mas vamos identificar mais", diz.

Segundo Oliveira, a dificuldade atual na ampliação de testes no país é o fornecimento de insumos para produção. "Temos recurso para compra de todos os testes necessários. Possivelmente vamos ter que comprar muito mais do que esses 23 milhões."

"Estamos buscando alternativas, soluções, para podermos colocar a sociedade de volta na rua o mais breve possível", diz Oliveira.

Gabbardo diz esperar que o aumento de casos no país não seja tão grande como na Itália.

"Começamos de forma menos lenta que a Itália, mas Itália teve crescimento abrupto, que esperamos que não tenhamos. Temos que acompanhar. Temos expectativa de que não vamos ter mesmo número de óbitos por população que Itália está tendo". O secretário citou dois fatores de diferença: a idade populacional e o número de leitos de UTI.

A Itália tem a segunda população mais idosa do mundo, o que amplia o número de pessoas em grupo de risco. Além disso, segundo o ministério, o Brasil possui o triplo de leitos em relação ao tamanho da população que o país europeu.

Lista de casos e mortes confirmadas, por estado:

Acre - 24
Amazonas - 67, com 1 morte
Amapá - 2
Pará - 13
Rondônia - 5
Roraima - 8
Tocantins - 7

Alagoas - 11
Bahia - 104
Ceará - 235, com 3 mortes
Maranhão - 10
Paraíba - 5
Pernambuco - 48, com 3 mortes
Piauí - 9
Rio Grande do Norte - 19
Sergipe - 16

Espírito Santo - 39
Minas Gerais - 153
Rio de Janeiro - 421, com 9 mortes
São Paulo - 1.052, com 58 mortes

Distrito Federal - 200
Goiás - 39, com 1 morte
Mato Grosso do Sul - 25
Mato Grosso - 11

Paraná - 102
Santa Catarina - 122, com 1 morte
Rio Grande do Sul - 168, com 1 morte

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