Descrição de chapéu Coronavírus

Itália registra 919 novas mortes, maior número diário desde início da pandemia do coronavírus

País tem agora 9.134 mortos; dos que morreram nas últimas 24 horas, mais de 500 viviam na Lombardia

Bruxelas

A Itália registrou nesta sexta (27) 919 novas mortes provocadas pelo novo coronavírus, o maior número diário desde que a pandemia atingiu o país, no começo deste ano. O recorde anterior havia sido registrado em 21 de março, quando 793 pessoas morreram.

O país conta agora 9.134 mortos. Dentre os que morreram nas últimas 24 horas, mais de 500 viviam na Lombardia, região mais rica do país, ao norte.

Outras regiões do país, como a de Campania, onde fica a cidade de Nápolis, têm registrado crescimento no número de doentes. A Campania tem 1.454 pessoas doentes e 98 mortos.

Na semana passada, houve uma desaceleração no número diários de novos casos italianos. Mas, na manhã desta sexta (27), o instituto italiano de saúde afirmou que a transmissão do coronavírus não chegou ainda ao pico no país, e que as medidas de restrição devem ser prorrogadas.

O total de casos às 14h (horário do Brasil) era de 86.498, das quais 66.414 ainda estão doentes. Recuperaram-se 10.950, segundo o governo italiano.

Há 3.732 em terapia intensiva e 36.653 pacientes em isolamento domicilIar.

A Itália é o país mais atingido da Europa e tem o maior número de mortes no mundo, mas foi ultrapassada pelos Estados Unidos em número de casos confirmados. Os EUA têm nesta sexta 93.329 pessoas infectadas pelo coronavírus.

A falta de estrutura para atender aos casos mais graves faz com que a Itália registre o mais alto índice de mortos por coronavírus por 100 mil habitantes. Até a tarde desta sexta, eram 13,6 mortes por 100 mil habitantes no país.

Na Espanha, segundo país com maior número de casos na Europa e onde também faltam unidades de terapia intensiva, a taxa alcança 10,5 mortes por 100 mil habitantes. A França tem uma proporção menor, de 2,6, e a Alemanha, de 0,4 mortes por 100 mil habitantes.

A região da Lombardia é a mais atingida do país, com mais de 34,8 mil casos. É lá que fica Milão, cidade que lançou a campanha "Milano Non Si Ferma" (Milão Não Para), em 27 de fevereiro de 2020, quando o país contabilizava 12 mortos. Diante da expansão da Covid-19, o prefeito foi obrigado a mudar o tom e a pedir para que as pessoas ficassem em casa.

A campanha recomendava que a população não adotasse mais o isolamento social e o confinamento, como faz agora o governo brasileiro, com a campanha #OBrasilNãoPodeParar. Também exaltava os "milagres" feitos todos os dias pelos cidadãos de Milão e seus "resultados econômicos importantes". "Porque, a cada dia, não temos medo. Milão não para", dizia o vídeo.

O prefeito da cidade, Beppe Sala, admite: "Foi um erro. Ninguém ainda havia entendido a virulência do vírus", disse aos jornalistas nesta quinta (26).​

Para reforçar o combate à Covid-19 na Itália, o estado alemão da Turíngia vai mandar uma equipe de médicos e enfermeiras ao país vizinho.

Segundo o departamento de Saúde da região, além de apoiar o sistema de saúde italiano, os médicos poderão ganhar experiência no tratamento dos doentes com coronavírus.

Nesta semana, o Ministério de Assuntos Exteriores da Alemanha já havia anunciado que hospitais alemães receberiam 47 pacientes em estado grave.

A Alemanha tem um dos maiores números de leitos hospitalares por 100 mil habitantes da Europa, enquanto a Itália esgotou suas UTIs e tem sido obrigada a deixar pacientes sem atendimento.

Na cidade de Rimini, um homem de 101 anos, identificado apenas como "sr. P", recebeu alta depois de uma semana hospitalizado com Covid-19. A informação foi dada pela vice-prefeita de Rimini, Gloria Lisi, segundo jornais italianos.

​P., que nasceu em 1919, durante a epidemia de Gripe Espanhola, deixou o hospital na noite desta quinta (26). Desde o começo desta pandemia, Rimini, no nordeste da Itália, tinha confirmados 1.189 casos de coronavírus.

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