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Pipoca, reunião online e peixe beta; leitores adaptam a rotina para o home office

Em meio à crise do coronavírus, empresas optam pelo trabalho remoto e escolas públicas param as aulas

São Paulo

Por causa da crise do coronavírus, empresas começaram a autorizar funcionários a trabalhar remotamente. No outro lado, todos os estados cancelaram aulas na rede pública estadual. A suspensão também vale para a rede municipal das capitais, e alguns colégios particulares adotaram a medida.

Mas como fica conciliar o trabalho com o tempo ocioso das crianças? Leitores da Folha mandam os seus relatos e contam como estão adaptando a rotina em meio à pandemia.

Se você ou parentes estão fazendo home office, ou seu seus filhos estão em casa em decorrência da pausa nas escolas, mande seu relato. É só escrever para o email enviesuanoticia@grupofolha.com.br. ​

Por causa da crise do coronavírus, empresas começaram a autorizar funcionários a trabalhar remotamente
Por causa da crise do coronavírus, empresas começaram a autorizar funcionários a trabalhar remotamente - Carolina Daffara

Tenho 42 anos, sou casado e pai de três filhos. A crise do coronavírus já mudou totalmente nossa rotina, especialmente porque mudei de emprego recentemente e, já no primeiro dia, recebi orientação para trabalhar em home office.

Sou desenvolvedor de uma empresa de segurança da informação, e está sendo um bom desafio conciliar o trabalho em casa com as crianças. Minha esposa é auxiliar de enfermagem em um hospital, e nos dias de plantão, minha sogra me auxilia, cuidando das crianças. (Marco Antonio Damaceno Santana)

Estou em home office. Sou assessora de imprensa, então não tenho muitas dificuldades para o exercício da função. Trouxe o notebook, tenho boa conexão e estamos fazendo reuniões diárias e trocando mensagens ao longo do dia no grupo criado no WhastApp. Tenho uma filha de 12 anos e outra de 24.

Já trabalhei como freelancer há uns dois anos, então home office não é novidade para mim. Mas reconheço que, num apartamento de 69 metros quadrados, com quatro pessoas dentro e proibição de uso das áreas comuns do prédio, fica bem complicado.

Já me imagino estressada daqui uma semana. (Carla Espino)

Somos em quatro moradores: a pequena Agnes, de 2 anos e 10 meses, eu (Danila) e Elton, os pais que fazem home office, e o mais novo morador, Nemo, peixinho beta que foi comprado justamente para dar um novo ar à rotina de quarentena.

Desde a semana passada já começamos a nos preparar psicologicamente a estarmos todos juntos num pequeno apartamento no bairro da Saúde, em São Paulo. Com a nova rotina, revezamos brincadeiras, musiquinhas, atividades da casa e horário de trabalho.

Tem dias que não vemos o chão, e o cômodo da casa mais organizado é a garagem! Agnes ainda não compreende que não podemos ir aos espaços compartilhados do condomínio, como o parquinho. Mas, apesar de todo o caos, estamos vivenciando um momento muito próximo, de união, de alegria e amor. (Danila Ribeiro)

Sou servidora pública estadual do Tribunal de Justiça do MS, atualmente lotada no Fórum de Campo Grande. Estou cumprindo meus afazeres no computador de minha casa.

Esta quarta (18) foi o primeiro dia. Saí do apartamento apenas para almoçar no restaurante da esquina, onde me sentei à mesa que fica na calçada, ao ar livre. Muito pouco movimento. No local sempre cheio, agora havia apenas uma mesa ocupada; no lado de dentro, apenas duas.

A diferença de trabalhar em casa é a música do rádio num bom volume e a pipoca no meio da tarde. Como moro sozinha, não fui interrompida nenhuma vez. Estou animada porque rendeu muito bem o meu serviço! (Simone Possas Fontana)

Sou servidora pública federal e já executo meu trabalho em casa desde o ano passado. Tenho três filhos, um menino de 16 anos, um de 5 e a caçula com 2 anos apenas.

Antes da pandemia, realizava minhas atividades enquanto todos estavam na escola, mas hoje consigo trabalhar apenas de madrugada ou durante as pequenas sonecas que eles tem à tarde. Não moro com o pai deles e também não tenho familiares por perto que possam me auxiliar com os cuidados dos pequenos ou com as tarefas domésticas.

Tenho certeza que sou privilegiada por ter essa opção de trabalho, mantendo o meu emprego e meu salário, mas toda essa experiência tem sido desafiadora e meus limites estão sendo testados dia após dia. (Patricia Costa de Souza)

Estou em home office pela primeira vez em 28 anos de trabalho. A empresa está fazendo um rodízio das pessoas entre home office e plantões físicos.

A experiência tem sido boa, acho que a produtividade aumentou muito. Eu fico em um cômodo separado que organizei para trabalhar. Meus filhos são adolescentes, então conversei com eles e combinamos algumas regras, como bater na porta e perguntar se eu posso falar.

É bom estar mais disponível para eles e poder acompanhar tudo de perto. Deixei perto de mim uma garrafa de água e um spray com álcool 70%. (Iara Azevedo)

Eu trabalho home office há mais de dois anos. Em meio à minha adaptação, atravessei a morte do meu marido. Parecia que tinha perdido tudo junto: meu casamento, meu marido, meus colegas de trabalho, convívio social. Mas eu tinha um propósito: manter meu trabalho.

Hoje tenho clareza do que me ajudou a fazer esse estilo de vida eficiente para mim e para o meu trabalho, e vou listar aqui: delimite seu espaço de trabalho; avise o pessoal da casa; separe os materiais necessários; organize os horários; mantenha o foco; seja grato e faça pequenas pausas. (Larissa Kassem)

Somos Claudio e Claudia e por aqui, em Perdizes (SP), estamos em isolamento desde a segunda (16), quando a escola das crianças encerrou as aulas presenciais.

Como jornalistas, estamos em home office produzindo normalmente, com respaldo de uma boa conexão de internet, reuniões via aplicativos de videoconferência, suporte do Whatsapp e o bom e velho email.

Além da rotina de trabalho e estudos, diariamente nos exercitamos em família, nos alimentos com comida de verdade, mantemos a rotina de higienização sugerida e nos divertimos ao final do dia com jogos de tabuleiro, além dos serviços de streaming. Grande abraço e juntos iremos frear essa crise! (Claudio Hollanda)

Sou mestrando em Comunicação e minha universidade, a Unisinos, não vai ter aulas presenciais. Mas não é uma paralisação, pois as aulas serão dadas por videoconferência para nada atrasar.

Os seminários e eventos científicos estão todos adiados, mas o conteúdo de aula continua. Como sou bolsista e minha dedicação exclusiva é a pesquisa, tenho a sorte de poder ficar em casa trabalhando e só saio para comprar o básico (e sem estocar de maneira desnecessária para ajudar o coletivo).

É complicado não ter a rotina com professores e colegas, mas é algo necessário e que no final das contas irá atrapalhar menos que o esperado inicialmente. (Alison Rodrigues Soares)

Moro em Varginha, no sul de Minas, e trabalho em uma instituição de ensino superior particular. Nossa instituição suspendeu as aulas presenciais, estamos lecionando as disciplinas usando as ferramentas do Google, principalmente o Meet, para aulas por webconferência, no mesmo horário que seriam as aulas presenciais.

No home office, utilizo o escritório que já tínhamos em casa. Temos um horário diário a cumprir de trabalho, embora com flexibilidade. Divido o dia entre o trabalho e atenção ao Bento –nosso gato de estimação. Ele é o que mais está gostando do home office, já que antes passava o dia sozinho.

Minha maior preocupação é com minha esposa, que trabalha em um centro de distribuição logístico de uma grande empresa de cosméticos do Brasil. Achei um absurdo, até o momento, não tomarem nenhuma atitude. (Sidney Verginio da Silva)

Estamos fazendo home office com uma criança em casa. É mais difícil, pois temos que manter a criança entretida com tarefas e alegria, dedicando atenção a ela e ao trabalho.

Um ponto dificílimo é quando a pandemia encontra pessoas que não têm conhecimento real das causas e das consequências e se inicia uma paranoia ao redor de cada pequeno ato. É impressionante o que estamos vivendo neste momento. (Ricardo de Freitas)

Aqui na minha empresa, apesar de ser uma multinacional, não temos recursos de home office para todos. Aqueles que têm notebook da empresa já estão usando. Outros, que só têm desktop, estão aguardando.

Acredito que isso se resolva ainda esta semana. Boa sorte a todos! (Douglas Garcia)

Estou fazendo home office, o que é facilitado pelo SEI (Sistema Eletrônico de Informações), já que todos os processos do Incra estão no formato digital. Além disso, meus filhos estão em casa, com aulas à distância por meio do Google Education. (Lawrence Espinosa)

O colégio Objetivo do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, onde minha filha estuda, já dispensou os alunos. Eles estão estudando online. (José M. Santos)

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