Brasil não é o único país a registrar protestos contra isolamento social

EUA, Canadá e Israel também tiveram manifestações pela abertura de empresas e estabelecimentos comerciais

São Paulo

É falsa a informação de que o Brasil é o único país do mundo a registrar protestos contra o isolamento social em função da pandemia do novo coronavírus. Estados Unidos, Canadá e Israel são algumas nações que tiveram manifestações semelhantes.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) defende a quarentena como medida de prevenção à doença em países onde a transmissão da Covid-19 não está controlada. Em todo o mundo, mais de 130 mil pessoas já morreram pelo novo coronavírus, segundo dados desta quarta-feira (15) da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, que monitora a doença.

No Brasil, entretanto, grupos estimulados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) têm defendido o isolamento parcial ou vertical, que consiste em retirar do convívio social apenas os mais suscetíveis à mortalidade pelo novo coronavírus, como pessoas com doenças preexistentes e acima de 60 anos.

Em abril, simpatizantes do presidente saíram às ruas ao menos duas vezes em São Paulo contra as medidas tomadas pelo governo estadual para combater o vírus. Na semana passada, o governador do estado, João Doria (PSDB), chegou a ameaçar prender quem se aglomerasse.

Os Estados Unidos registraram manifestações semelhantes. Nesta quarta, um grupo conservador realizou um protesto no estado de Michigan contra as medidas de isolamento adotadas pelo governo para conter o contágio do coronavírus. No ato organizado pelo movimento Comitê Conservador de Michigan, os participantes se reuniram em frente ao Capitólio estadual.

Na segunda-feira (13), aproximadamente cem pessoas protestaram no estado de Ohio pela reabertura da economia em frente à sede do governo, segundo o site do canal americano Fox News. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram manifestantes segurando cartazes com as mensagens “A cura é pior que o vírus”, “Abrir Ohio: queremos nossos direitos de volta” e “Meus direitos inerentes não terminam onde o seu medo começa”.

Os EUA se tornaram o epicentro da Covid-19 no mundo. Nesta quarta, o país registrava mais de 600 mil casos confirmados do novo coronavírus e 24.429 mortes. É o país com o maior número de óbitos causados pela doença.

No Canadá, o ministro da Saúde, Adrian Dix, criticou no domingo (12) grupos que pedem o fim do isolamento social. “Não os promovam”, afirmou o político, segundo a emissora canadense Global News.

O ministrou respondia a um vídeo que viralizou nas redes sociais mostrando dezenas de pessoas protestando contra o isolamento social na cidade de Vancouver. Nas imagens, é possível ver crianças e idosos aglomerados e sem máscaras. Um dos manifestantes diz que o coronavírus é “fake news”.

No mês passado, em Israel, centenas de manifestantes ultraortodoxos também protestaram contra as medidas de quarentena impostas pelo governo. O protesto aconteceu no bairro de Mea Shearim, em Jerusalém. De acordo com o jornal The Times of Israel, manifestantes chegaram a atirar pedras em policiais, e ao menos três pessoas foram detidas.

Na Índia, migrantes se manifestaram contra a extensão do bloqueio. O primeiro-ministro do país, Narendra Modi, ampliou na terça-feira (14) as medidas de isolamento no país de 1,3 bilhão de habitantes até 3 de maio. De acordo com a canal Al Jazeera, sediado no Qatar, pelo menos 1.500 pessoas protestaram em Mumbai.

Desde que Modi decretou o confinamento da população, em março, milhares de trabalhadores tentam voltar para suas casas no interior do país. A medida já levou a demissões em massa. Sem fonte de sustento nem onde ficar, indianos estão enfrentando longas viagens para deixar para trás os grandes centros urbanos onde trabalhavam, como Déli e Mumbai, e retornar às suas cidades de origem.

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