Descrição de chapéu Coronavírus

SP acumula 389 mortes em 24h, bate recorde e aglomeração preocupa governo

Governo analisa indicadores para saber se maior exposição resultará em aumento da transmissibilidade

São Paulo

O estado de São Paulo bateu nesta quarta-feira (17) novo recorde de mortes registradas em 24 horas ao atingir 389 óbitos, e o crescimento das aglomerações preocupam o governo João Doria (PSDB). Ao todo, o estado soma 11.521 mortes por coronavírus e beira os 200 mil casos, quase 1/5 do total do país.

Os dados foram apresentados no Palácio dos Bandeirantes, na zona oeste de São Paulo, em entrevista coletiva sobre medidas contra a pandemia. Semanalmente, a gestão Doria faz um balanço do chamado Plano SP, que trata das ações de reabertura no estado —antes divulgada às quartas, essa calibragem agora passará a ser informada às sextas-feiras.

Dependendo dos índices que alcançam, as regiões de São Paulo podem ser autorizadas a reabrir mais setores da economia ou serem obrigadas a fechar.

Após o início da flexibilização, contudo, as ruas do estado lotaram de pessoas, que fizeram filas para entrar nos comércios. "Claro que essa aglomeração nos preocupa e muito. As orientações têm sido dadas, têm sido muito claras, quem deve, quem pode sair", disse secretário de Saúde, José Henrique Germann. Doria também ressaltou a preocupação.

"Esses indicadores que vão apontar se a exposição maior tem sido suficiente para aumentar a transmissibilidade do vírus e mais adiante é que nós vamos verificar se isso está tensionando o sistema de saúde", disse João Gabbardo, coordenador executivo do comitê contra coronavírus.

O governo informou que, no estado de São Paulo, as UTIs registram 70,6% de ocupação e, na grande São Paulo, 77,1%. Vale lembrar que as UTIs têm ficado estáveis, mas tem havido incremento de vagas, devido à chegada de respiradores.

Segundo Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, a taxa de letalidade está caminhando para uma estabilização e o número de casos aumenta por causa do aumento de testagem, antes restrita a casos graves, profissionais da saúde e da segurança e paciente smunidos de pedido médico e capazes de pagar laboratórios particulares.

Um dos indicadores que podem embasar essa afirmação é a média móvel de internações, que mede os sete dias anteriores. Esse número chegou a 2.056 e depois caiu para 1.910.

Para o professor da área epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP Eliseu Alves Waldman, as mortes registradas agora ainda não refletem em sua totalidade a reabertura, iniciada no começo de junho, mas feita de maneira gradual ao longo do mês.

"É muito pouco provável que esses óbitos tenham algum nexo com a reabertura. Os óbitos ocorrem geralmente ocorre em torno dos 15 e 20 dias de evolução da doença, especialmente porque temos condições de internar [devido à existência de vagas em UTI]", diz. "Os óbitos dos últimos dias devem refletir situação anterior à reabertura."

Segundo ele, porém, no aumento atual de mortes pode pesar a situação de cidades do interior, como as regiões que tiveram flexibilização dia 1o. de junho e depois foram obrigadas a fechar, como Ribeirão Preto. Na capital paulista, o comércio de rua só reabriu a partir do dia 10, e os shoppings, no dia seguinte.

Waldman avalia que antes do fim de junho, mesmo até o fim desta semana, já será possível medir os impactos da reabertura. Isso deverá ser feito, diz ele, separadamente por região, não na totalidade do estado, para que seja possível de fato relacionar uma coisa a outra. Dessa maneira, afirmou, será possível avaliar a necessidade de retroceder ou não na flexibilização.

O governo paulista indicou que a contabilização final de casos deve ser revista e atualizada nesta quinta (18), após falha técnica, para além do registro diário.

Doria também tratou do caso dos respiradores comprados pelo estado e não entregues. A procuradora geral-adjunta do estado, Claudia Polto, disse que a empresa que atrasou a entrega tem atuação investigada e pode ser punida caso seja provado que teve responsabilidade no caso.

Na terça (16), o governo divulgou o cancelamento na compra dos 1.280 respiradores chineses. Do total, apenas 433 máquinas (34%) que deveriam ter sido entregues até segunda (15) desembarcaram no Brasil. O governo paulista pagou antecipadamente R$ 242 milhões e calcula que o valor a ser devolvido pode chegar a quase R$ 180 milhões.

Revelado pela Folha, o imbróglio dos respiradores de Doria teve início em abril, quando o governo paulista adquiriu 3.000 respiradores chineses por intermédio de uma empresa de brasileiros sediada nos EUA, a Hichens Harrison, que já deveria ter entregue os equipamentos.

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