Descrição de chapéu O que foi a Ditadura

Publicidade usa cor amarela para expressar alegria

Folha tem estimulado leitores a usar a cor em defesa da democracia

São Paulo

Experimente oferecer a uma criança a chance de escolher almoçar um prato de comida saudável ou um combinado daquela lanchonete famosa, com sanduíche, batatas fritas e bebida.

São raras as que ficarão com a primeira opção. E isso não se deve apenas a uma preferência de paladar, mas também ao poder de conexão que têm com a marca.

Não é preciso ser um gênio para saber que falamos do McDonald’s, rede de fast food que só no Brasil tem mais de mil lojas. Com seus descomunais arcos amarelos, que formam a inicial “M”, a marca domina a paisagem e o imaginário de adultos e crianças, transmitindo a ideia de pureza e alegria.

É isso que diz Gabriel Rossi, professor da ESPM, especialista em marketing e comportamento do consumidor. “O McDonald’s, com sua logomarca, reforça o arquétipo do inocente. A cor amarela se conecta com as crianças e nos faz lembrar que, na infância, a gente era mais feliz”, diz.

Restaurante do McDonald's na Pensilvânia, nos EUA - Karen Bleier/AFP

Segundo Rossi, as cores, em geral, ajudam a transmitir a promessa de uma marca. Funcionam como um sinal de transmissão, que leva um diferencial ao público. “Uma cor mal escolhida pode gerar um sinal cruzado. Quando você promete uma coisa e fornece elementos que vão contra o que foi prometido”.

“Nunca mais esqueci uma campanha do McDonald’s, ‘Follow the Arches’, que usa os arcos amarelos para indicar o caminho das lojas. Aqui, a semiótica da cor se junta com sua característica de destaque. E o resultado é incrível”, completa o publicitário André Pallu, que já trabalhou para marcas como Coca-Cola e Nissan, entre outras.

Em sua campanha em defesa da democracia, inspirada no movimento das Diretas Já, da década de 1980, a Folha tem estimulado os leitores a usar a cor amarela.

Pallu se baseia nos estudos da semiótica para comentar a força do amarelo. Segundo o publicitário, trata-se de uma das cores mais icônicas porque transmite alegria, energia e calor. “O amarelo chama a atenção. Não à toa a sinalização nas estradas tem essa cor”, afirma.

“Na propaganda, sempre se escolhem cuidadosamente os elementos que compõem uma peça. Tudo tem uma razão para existir, um significado”, diz Pallu.

O professor Gabriel Rossi dá como exemplo o Buscapé, site de comparação de preços, que usa o amarelo em sua logomarca. “É o arquétipo prestativo, de quem está disponível a todo instante”.

Um dos nomes mais premiados da história da publicidade brasileira, Washington Olivetto gosta de lembrar que a camisa amarela da seleção se tornou “sagrada” na Copa do Mundo de 1958. Só foi perder esse status em 1970, quando já existia no país “uma tremenda ditadura”.

“Vejo gente tentando se apossar do amarelo em nome de uma brasilidade que não é verdadeira porque a verdadeira é democrática”, afirma Olivetto.

“Esse período que o Brasil vive tem similaridade com os piores momentos do país. Acho que a Folha habilmente está retomando aquele que foi o seu espaço mais significativo, durante as Diretas. E nada melhor do que combater os piores momentos com os nossos melhores momentos”, conclui o publicitário.

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