Descrição de chapéu Ao Vivo em Casa

Mesmo com vacina, coronavírus pode causar novos surtos, diz Atila Iamarino

Até que população alcance resposta imune adequada, testagem e distanciamento serão necessários, afirma biólogo

São Paulo

Mesmo com a perspectiva de a vacinação contra o coronavírus ter início ainda neste ano, ainda é possível que a população mundial volte a sofrer com surtos da Covid-19 nos próximos anos. O que vai determinar isso, afirma o biólogo Atila Iamarino, é a resposta imune que os indivíduos apresentarem após receberem a vacina ou se curarem da doença.

O ideal, segundo Iamarino, é que se tenha de 70% a 80% das pessoas protegidas —curadas ou vacinadas—para que se chegue a um nível de normalidade em relação ao vírus. E isso deve levar por volta de um ano, levando em conta o tempo de distribuição da vacina e o tempo para as pessoas desenvolverem a resposta imune. Enquanto isso, o ideal é que se controle o vírus com ação humana, ou seja, ampla testagem e manutenção do distanciamento social.

O biólogo participou do Ao Vivo Em Casa, série de lives da Folha que, nesta quarta-feira (23), discutiu as perspectivas para os próximos meses deste ano e para 2021. A entrevista foi conduzida pelo jornalista Emilio Sant'Anna.

Iamarino é doutor em ciências pela USP e fez pesquisa na Universidade Yale. É divulgador científico no YouTube em seu canal pessoal e no Nerdologia e colunista da Folha.

AO VIVO em casa com Atila Iamarino
AO VIVO em casa com Atila Iamarino - Reprodução

Há, de acordo com Iamarino, várias possibilidades de cenários sobre o desenvolvimento de imunidade da população. No pior cenário, podem acontecer reinfecções com tantas complicações quanto na primeira contaminação. Isso acontece, por exemplo, com outros tipos de coronavírus, contra os quais a imunidade pode diminuir com o tempo. Do lado oposto, existe o cenário em que a imunização, por vacina ou cura, é permanente.

"A maioria dos cenários prevê o vírus por mais tempo. Por isso podemos ter surtos anuais ou bianuais, especialmente no inverno", afirma.

Ele citou o caso de Manaus, onde até 66% da população teria sido infectada pelo Sars-CoV-2, desenvolvendo a chamada imunidade de rebanho. "Se o vírus voltar a circular numa região tão atingida como Manaus foi, é porque o vírus pode voltar mais vezes."

O maior problema do desenvolvimento de imunidade de rebanho, afirma, é o custo humano. Na capital amazonense, mais de 130 mil pessoas foram infectadas e quase 4.000 perderam a vida durante a explosão de casos e ao longo dos últimos seis meses.

"O ponto de falarmos que o vírus vai ficar por dois anos ou mais não é para dizer que a vida acabou, é para dizer que, para retomar a vida, vamos ter que usar máscara, manter distanciamento em algumas épocas do ano, fechar algumas coisas em piores cenários e fazer testes constantes."

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.