Ministério da Saúde anuncia criação de banco nacional de genoma de brasileiros

Governo pretende investir R$ 600 milhões no projeto nos primeiros quatro anos; inspiração é programa britânico

Brasília

O Ministério da Saúde lançou nesta quarta-feira (14) um programa de medicina de precisão, cujo objetivo é criar um banco de dados nacional com 100 mil genomas de brasileiros para tentar antecipar o diagnóstico de doenças.

O programa Genomas Brasil (Programa Nacional de Genômica e Saúde de Precisão) foi lançado em evento no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Oficialmente, porém, o programa existe desde 5 de agosto, quando foi publicada uma portaria no Diário Oficial da União

Em um breve discurso, Bolsonaro defendeu as medidas tomadas pelo governo para o enfrentamento da crise da Covid-19 e elogiou Pazuello, efetivado no cargo em setembro após quatro meses como interino.

"Ele faz um trabalho com sua equipe, no meu entender, excepcional. E agora dá um grande passo para nós entrarmos na elite na questão do tratamento de doença no Brasil através do projeto Genomas Brasil", disse o presidente.

O ministro da Saúde afirmou que grande parte do mundo já está tratando de temas relativos à medicina de precisão.

"Já estamos atrasados. Grande parte do mundo já está há mais de oito anos tratando de genoma, terapia genômica e nós precisamos correr atrás do prejuízo", afirmou o ministro Pazuello. "Precisamos dar o remédio certo, na dose certa para aquela pessoa em que o remédio vai fazer efeito. Se não, não vamos estar dando a saúde que o brasileiro merece em 2020 e 2021", disse o ministro.

O Ministério afirma que devem ser investidos R$ 600 milhões nos primeiros quatro anos do projeto.

O secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministéiro, Hélio Angotti Neto, afirmou que a criação do banco de dados vai possibilitar conhecer as variações genéticas típicas da população brasileira.

Dessa forma, o banco de dados vai permitir compreender a relação entre os genes dos brasileiros e as doenças na população.​

Esse conhecimento, argumenta o secretário, vai possibilitar prever a ocorrência de doenças em determinados indivíduos, além de proporcionar um tratamento individualizado.

"Com o conhecimento do DNA de nossa população, poderemos entender a relação entre o código genético e as doenças. Poderemos inclusive desenvolver um tratamento específico para uma única pessoa ou para um grupo de indivíduos que possuam a mesma informação genética", disse Angotti Neto.

O objetivo é que esses tratamentos personalizados sejam disponibilizados no SUS (Sistema Único de Saúde).

Serão sequenciados genes de portadores de doenças raras, cardíacas, infectocontagiosas, como a Covid-19, e de câncer. Os participantes da pesquisa que terão seus genomas sequenciados serão recrutados diretamente pelos serviços da rede pública que cuidam desses pacientes.

"Para obter o máximo benefício, o programa reunirá experiência de grupos de pesquisas de excelência, distribuídos em diversos estados do Brasil e em diferentes instituições, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), universidades públicas e institutos de pesquisas do governo federal", afirma material de divulgação do ministério.

Em sua fala, Eduardo Pazuello disse que está em estudo uma parceria com a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), além de outras universidades e empresas privadas.

O ministro e seus técnicos, no entanto, não esclareceram como o programa vai funcionar inicialmente e qual instituição vai liderar a iniciativa.

O Ministério da Saúde informa que o projeto é inspirado no 100.000 Genomas do Reino Unido, iniciado em 2012.

A pasta disse ainda que o projeto vai se desenvolver em torno de três grandes pilares: fortalecimento da ciência e tecnologia, da inovação industrial e do SUS.

Além dos recursos anunciados pela pasta, o Ministério da Saúde também afirma ter firmado um acordo com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que disponibilizou mais de R$ 71 milhões do seu orçamento para viabilizar ações de fomento à pesquisa e à capacitação de pesquisadores.

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