Descrição de chapéu Coronavírus

Após prever vacina de Covid em março, dezembro e janeiro, Pazuello agora diz "fevereiro"

Ministro da Saúde também disse que termo de consentimento será necessário para vacina com registro emergencial

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Brasília e São Paulo

Depois de anunciar que a vacinação contra Covid-19 no Brasil poderia começar em dezembro deste ano ou em janeiro ou março de 2021, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, agora diz que o plano de imunização nacional deve começar a ser aplicado em fevereiro do ano que vem.

A nova previsão foi dada nesta quarta-feira (16) no Palácio do Planalto, após o anúncio da nova versão do plano nacional de imunização, lançado em meio a reiteradas falas antivacina do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O documento de 110 páginas inclui novos grupos prioritários para receber a imunização e eleva de 300 milhões para 350 milhões o total de doses “em negociação”, mas não tem data exata para início da campanha nem detalha o cronograma de aplicação das doses.

Também inclui a vacina Coronavac, desenvolvida em parceria entre a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan, em uma lista de “adesão do Brasil às vacinas”.

O imunizante virou alvo de disputa entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) —Bolsonaro chegou a comemorar a interrupção dos testes da Coronavac após a morte não relacionada à vacina de um voluntário e esvaziou, em outubro, um acordo anunciado por Pazuello para a compra de 46 milhões de doses do imunizante.

Doria, por sua vez, anunciou o início da campanha em São Paulo para 25 de janeiro, apesar da falta de dados até agora de eficácia da Coronavac.

O governo não informou, porém, se há um acordo fechado com o Butantan. O secretário de vigilância, Arnaldo Medeiros, disse que a lista envolve acordos e memorandos de intenção para compra. “Dependendo da eficácia e segurança, o país vai comprar vacinas”, disse.

A lista do governo também tem as vacinas de AstraZeneca/Oxford, Pfizer/BioNTech, Bharat Biotech, Moderna e Janssen, além do consórcio da Covax Facility, da OMS.

"Se nós conseguirmos manter o planejado do Butantan e da Fiocruz de apresentar a fase 3 dos estudos e toda a documentação da fase 1 e 2 ainda em dezembro à Anvisa e solicitar o registro, nós teremos aí janeiro para análise da Anvisa e, possivelmente, em meados de fevereiro para frente nós estejamos com estas vacinas recebidas e registradas para iniciar o plano", disse Pazuello.

O ministro resistiu em cravar uma data sob o argumento de não querer vender ilusões. “Vendeu-se muita ilusão quando se falava de compra de respiradores, equipamentos. Então, a partir da vacina registrada, segura e eficaz, garantida pela Anvisa e recebida, em cinco dias nós iniciamos a distribuição nos estados.”

A apresentação de um plano sem datas e parâmetros definidos para a imunização nacional contra a Covid-19 foi vista com desalento por autoridades paulistas.

Apesar de o plano enfatizar relativamente a Coronavac, a opacidade do anúncio predominou nas avaliações.

O governo paulista esperava mais. Na terça-feira (15), véspera do anúncio, um emissário de Pazuello esteve com Dimas Covas, diretor-presidente do Butantan, e Antonio Imbassahy, representante de São Paulo em Brasília.

Na conversa com o assessor Airton Cascavel, a pasta se disse comprometida a comprar a Coronavac e a incluí-la no plano nacional. Ficou em aberto a questão das datas e não houve novos contatos.

A impressão no Palácio dos Bandeirantes foi a de que o governo federal está enrolando.

Em entrevistas, membros do governo estadual disseram que preferem a Coronavac incluída num plano nacional —o que tornaria a iniciativa estadual anunciada por Doria parte dele.

Questionado sobre o fato de o estado de São Paulo estar planejando sua própria campanha de vacinação, o ministro afirmou que “todas as vacinas que estiverem no Brasil serão do Programa Nacional de Imunização, sem exceção”. O mote da campanha é “Brasil imunizado - Somos uma só nação”.

“Isso já está pacificado e acordado com todos os entes da federação”, disse, mas não explicou como se daria essa incorporação. Questionado pela Folha, o Ministério da Saúde negou em nota qualquer intenção de confisco.

No anúncio desta quarta, entraram na lista dos grupos prioritários trabalhadores da educação (e não apenas professores), populações quilombolas e ribeirinhas, pessoas em situação de rua, pessoas com deficiência severa, trabalhadores do transporte coletivo, transportadores rodoviários de carga e população privada de liberdade.

A intenção de vacinar a população carcerária já havia sido anunciada pela pasta, mas foi retirada. Após críticas, voltou a ser incluída.

A lista mantém os trabalhadores da área da saúde, idosos, indígenas e pessoas com comorbidades, professores e membros das forças de segurança e salvamento.

Não há menção sobre quantas pessoas estão nos grupos prioritários e quantas doses seriam necessárias. Em um dos trechos, o governo cita que as três primeiras fases incluiriam 49 milhões de pessoas e 104 milhões de doses.

A previsão é que a vacinação comece a ser aplicada em trabalhadores de saúde de capitais e regiões metropolitanas, seguidos por aqueles de outras regiões e idosos.

O plano divulgado diz que “estima-se que os grupos de maior risco para agravamento e de maior exposição ao vírus estariam vacinados ainda no primeiro semestre de 2021” e prevê que a vacinação da população em geral será concluída no período de 12 meses após à fase inicial, dependendo “do quantitativo de imunobiológico disponibilizado para uso”.

Indagado sobre o termo de responsabilidade que terá de ser assinado por quem tomar a vacina, Pazuello disse que ele só será necessário enquanto os imunizantes tiverem autorização apenas para uso emergencial. “Não será exigido termo algum quando disponibilizarmos as vacinas registradas, seguras e garantidas pela Anvisa”, disse Pazuello.

O governo anunciou também um montante maior investido na aquisição de 300 milhões de agulhas e seringas. Agora são R$ 80,5 milhões. Antes eram R$ 62 milhões.

Futuramente, segundo Medeiros, a campanha vai dizer que “a vacinação contra Covid-19 é o Brasil em ação pela sua proteção”, uma mensagem que vai na direção oposta ao discurso de Bolsonaro, que afirmou nesta semana que não iria se vacinar e que quer incluir a obrigatoriedade num termo de responsabilidade para quem optar por tomar o imunizante.

“Iremos convocar os grupos a serem vacinados a ir aos postos de vacinação”, afirmou o secretário.

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