Reino Unido se prepara para começar vacinação contra a Covid-19 nesta terça-feira

Maior programa de imunização da nação começara vacinando idosos acima de 80 anos

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Nova York | The New York Times

O Reino Unido se tornará, nesta terça (8), a primeira nação do mundo a começar um programa de vacinação contra a Covid-19 após a conclusão de todos os testes e a aprovação por parte de uma agência regulatória. Será o maior programa de vacinação em massa na história do Reino Unido, parte de uma campanha global sem precedentes.

Na Inglaterra, 50 hospitais foram escolhidos inicialmente como postos de vacinação, segundo a BBC. A Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte também começarão a aplicar a vacina em hospitais nesta terça.

Clínicas de vacinação temporárias estão sendo preparadas para o futuro, incluindo locais "drive through" (em que as pessoas são vacinadas dentro de seus carros), estádios esportivos e prédios públicos.

Os primeiros a receberem as doses da vacina da Pfizer e da BioNTech, aprovada na semana passada, serão idosos acima de 80 anos e moradores de asilos e cuidadores, que deverão se apresentar num horário marcado por profissionais do NHS, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido. Para evitar desperdícios, os horários vagos serão oferecidos a profissionais da saúde com maior risco. Todos os que forem imunizados farão um novo agendamento para receber a segunda dose depois de 21 dias.

Técnica de farmácia do NHS, o sistema de saúde do Reino Unido, durante treinamento para aplicar a vacina da Pfizer/BioNTech; imunização começa na terça (8) - AFP

O Reino Unido recebeu um lote inicial de 800 mil doses, segundo Chris Hopson, CEO do NHS Providers (organização para os hospitais, comunidade e serviços de ambulância do NHS). Até agora, o governo já comprou 40 milhões de doses, suficientes para vacinar 20 milhões de pessoas, já que são duas doses.

"Esperamos que isso seja um ponto de virada e nos coloque no longo caminho de volta à normalidade", disse o primeiro-ministro do País de Gales, Mark Drakeford, em rede social.

Um exército de trabalhadores da saúde —com o auxílio de dezenas de milhares de voluntários e militares— começará a aplicar injeções da vacina contra a Covid-19 na manhã de terça, com o objetivo de imunizar mais de 20 milhões de cidadãos em poucos meses.

O empreendimento no Reino Unido terá desafios especiais representados pela própria vacina, já que as primeiras etapas da campanha dependerão de lotes produzidos pela americana Pfizer e a alemã BioNTech, que precisam ser armazenados em temperaturas muito baixas, a -70°C.

Todo o esforço recairá sob a jurisdição de profissionais de saúde do país e sob o guarda-chuva do Serviço Nacional de Saúde (NHS). O órgão, amplamente respeitado no Reino Unido, oferece atenção de saúde gratuita, com apenas algumas exceções.

Os médicos de família cuidarão da maior parte do trabalho, contando com sua experiência de aplicar pelo menos 15 milhões de vacina contra gripe por ano.

Trabalhadores de saúde aposentados também estão sendo recrutados como voluntários, e organizações beneficentes deverão apoiar o esforço. Uma destas, a St. John Ambulance, pretende treinar até 30 mil profissionais de saúde e outros para ajudar nos centros de vacinação.

Grande parte do planejamento esteve envolto em sigilo, por questões de segurança. A Europol advertiu que grupos do crime organizado poderão visar veículos contendo vacinas para sequestro e roubo, e na semana passada a Interpol avisou sobre "ataques de todo tipo de atividade criminosa ligados à vacina da Covid-19", que descreveu como "ouro líquido".

Nos Estados Unidos, a FDA (Agência de Alimentos e Drogas na sigla em inglês) poderá aprovar a vacina da Pfizer e BioNTech até o final desta semana. E as autoridades de saúde do governo Trump delinearam um cronograma ambicioso no domingo, de distribuir as primeiras vacinas contra o coronavírus para até 24 milhões de pessoas até meados de janeiro.

A aprovação regulatória na União Europeia também deverá sair nos próximos dias, e países de todo o continente elaboram programas de vacinação em grande escala.

A Rússia, cujo governo sofreu críticas por correr em aprovar uma vacina sem tomar as precauções adequadas, iniciou sua campanha nacional de imunização no fim de semana. Apesar de sua vacina, a Sputnik V, ainda não ter sido provada como totalmente segura e eficaz, os trabalhadores de saúde começaram a inocular milhares de pessoas.

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