Descrição de chapéu Coronavírus

Primeiros vacinados fora de SP relatam emoção e ansiedade

Coronavac começou a ser distribuída a outros estados nesta segunda; em Goiás, governador aplicou o imunizante

Belo Horizonte, Rio de Janeiro , Campinas e Curitiba

Até o início da noite desta segunda-feira (18), 1.030 pessoas já haviam sido vacinadas no estado contra a Covid-19, segundo o governo de São Paulo. A maioria das doses foi aplicada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mas a vacinação também começou no Hospital das Clínicas de Botucatu e da Unicamp, em Campinas.

A primeira vacinada no interior de São Paulo foi a técnica em enfermagem Liane Santana Mascarenhas, 48, que nasceu na Bahia e vive em Campinas há mais de 20 anos. Ela trabalha no HC da Unicamp e no hospital da PUC-Campinas e disse que foi avisada que seria a primeira a receber a dose pela manhã, poucas horas antes da cerimônia.

“Sou da ala de moléstias infecciosas que virou ala de Covid. Cada dia é uma luta”, disse ela, que vive com o marido e há um ano se isolou do resto da família. “Fiquei muito emocionada por receber a vacina, agora estou em paz.”

Em Campinas, que está na fase amarela do Plano São Paulo, cerca de 15 mil profissionais de saúde na linha de frente do combate à Covid-19 serão os primeiros a tomar a vacina.

Dulcineia da Silva Lopes e Terezinha da Conceição são vacinadas no Rio - Ricardo Moraes/Reuters

Esse número não inclui os servidores da saúde da Unicamp, que receberão as doses diretamente do governo do estado. Na universidade, serão imunizados 2.000 funcionários da linha de
frente da saúde.

Nesta segunda, a Coronavac começou a chegar em alguns estados. Em Goiás, a primeira dose da vacina contra a Covid-19 foi aplicada pelo próprio governador Ronaldo Caiado (DEM), que é médico, na tarde de segunda-feira.

Quem a recebeu foi Maria Conceição da Silva, 73, que foi gari e doméstica e mora em um abrigo de idosos na cidade de Anápolis, de acordo com informações divulgadas nas redes sociais do governador.

“Esperei muito tempo por essa vacina. Eu estava ansiosa. Isso vai dar força para todas e todos. Quando todo mundo estiver imunizado, aí será alegria para mim. Não basta só eu, tem que ser todos”, disse ela, segundo o site G1.

“Espero que ela mesma possa atestar que ainda estou com a mão leve, sabendo aplicar bem uma vacina. Às vezes, outros médicos criticam a ortopedia, mas somos habilidosos”, afirmou Caiado em entrevista coletiva à imprensa, em referência à sua especialidade. “Tivemos a oportunidade de fazer com que esse, que era um sonho nosso, se transforme numa realidade.”

A cidade goiana foi escolhida por ter sido local onde desembarcaram os brasileiros que foram trazidos de Wuhan, China, considerada epicentro da pandemia, no início de 2020.

No Rio de Janeiro, antes de receberem as primeiras doses da vacina, as duas escolhidas tiveram que atravessar um corredor de aglomeração.

No Cristo Redentor, jornalistas, funcionários públicos e outros espectadores se espremeram para observar a idosa Terezinha da Conceição, 80, e a técnica de enfermagem Dulcinéia da Silva Lopes, 59, levarem a picada com a Coronavac.

Com o atraso na entrega das vacinas pelo governo federal, o governo do Rio decidiu buscar por conta própria algumas doses do imunizante em São Paulo para manter um evento simbólico que havia previsto no Corcovado na tarde desta segunda.

Dulcinéia foi a primeira a ser vacinada. Ela é técnica de enfermagem e atua há oito meses na linha de frente do combate ao novo coronavírus no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, na zona norte carioca.

Já Terezinha vive em situação de vulnerabilidade e foi acolhida pela Prefeitura do Rio em 2015 após sua casa ser demolida pela Defesa Civil. Ela é beneficiária do BPC (Benefício de Prestação Comunitária) e integra projeto Agente Experiente, que resgata a autonomia e autoestima de idosos.

No Ceará, onde as vacinas chegaram no final da tarde desta segunda, a vacinação começou a ser aplicada em cinco trabalhadores do Hospital Leonardo da Vinci, unidade de referência para pacientes com Covid-19 em Fortaleza. Além deles, o líder indígena Dourado Tapeba, da cidade de Caucaia, também foi vacinado.

A técnica de enfermagem Maria Silvana Souza Reis, 51, foi a primeira vacinada em ato acompanhado pelo governador Camilo Santana (PT). A segunda dose foi para Maria de Jesus de Oliveira Lima, 56, que trabalha com serviços gerais no hospital.

A técnica de enfermagem Liane Santana Mascarenhas Tinoco, 49, foi a primeira pessoa a ser vacinada no interior do estado de São Paulo, em Campinas - Eduardo Anizelli/Folhapress

No Espírito Santo, a primeira pessoa a receber a vacina foi Iolanda Brito, mulher negra, enfermeira, de 55 anos, que trabalha no Hospital Jayme Santos Neves, em Serra, região metropolitana de Vitória.

“Fiquei muito feliz porque presenciei muitos dias difíceis, presenciei dias de luta. Fiquei feliz porque pude contribuir nos dias de luta e agora sou uma das primeiras, da área da saúde, a viver dias de glória”, disse Iolanda, que ainda deu um conselho: “Não tenha medo, a vacina não dói. A vacina vai evitar de você morrer de coronavírus”.

A enfermeira Lucimar de Oliveira, 44, foi primeira a ser foi vacinada contra a Covid-19 no Paraná.

Natural de Paranaguá, cidade do litoral do estado, Lucimar trata de pacientes com Covid-19 no Hospital do Trabalhador, em Curitiba. Além do orgulho de representar a equipe, ela destacou o fato de ser uma mulher negra a primeira imunizada no estado.

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O idoso João de Jesus Cardoso foi o segundo a ser imunizado em Santa Catarina - Ricardo Wolffenbüttel/ Secom

"Estou muito honrada em representar todos os paranaenses e principalmente a minha equipe. É uma época difícil, muitas vezes a gente esmoreceu, ficou triste porque viu amigos e familiares sem poderem dar adeus aos seus. Mas, com a vacina, tenho esperança e fé que vai dar tudo certo", afirmou.

Para a enfermeira, a Covid-19 serviu mais do que apenas para gerar sofrimento “Estamos aqui para cuidar de todos, com muito carinho, atenção, dedicação e, principalmente, com empatia, que é o que precisa a humanidade. A Covid-19 veio na verdade para a humanidade aprender isso: a ter empatia."

Em Minas Gerais, a vacina foi aplicada no próprio Aeroporto de Confins, região metropolitana de Belo Horizonte, por volta das 21h30.

Do grupo de cinco profissionais de saúde escolhidos para receber a vacina, a primeira aplicação foi para a técnica em enfermagem Maria Bonsucesso Pereira, 57, mulher negra, que trabalha há dez anos no CTI do Hospital Eduardo de Menezes, referência no atendimento a casos relacionados à Covid-19.

"Eu peço à população, vacinem. Mas, por favor, eu imploro, não deixem de usar a máscara, o álcool em gel, lavar as mãos. Isso vai viver com nós algum tempo, mas vai passar", disse ela.

Cláudio Liza Júnior , Fernanda Canofre , Júlia Barbon e Katna Baran
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