Descrição de chapéu Coronavírus

Logística do governo federal falha, vacinação atrasa e 11 estados só começam campanha na terça

Houve atraso na entrega das vacinas em pelo menos 19 estados; governos estaduais criticam atropelos

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Após problemas na logística do governo federal no envio de vacinas aos estados, com alterações repentinas dos horários dos voos e atropelos na comunicação, pelo menos 19 estados que aguardavam a chegada de lotes da Coronavac na tarde desta segunda (18) ficaram sem receber as doses.

Onze deles, a exemplo da Bahia, Amazonas e Rio Grande do Norte, tiveram que alterar o cronograma e só vão iniciar a imunização nesta terça-feira (19).

O atropelo na operacionalização de entregas, conforme adiantado pelo Painel, provocou críticas de governadores e autoridades de saúde locais.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e governadores tinham acordado em antecipar a data de quarta (20) para terça (19). Mas, na manhã desta segunda, no evento em São Paulo no qual o ministro anunciou que os estados estavam liberados para começar a vacinação a partir das 17h do mesmo dia, equipes de governadores tiveram a impressão de improviso.

Os problemas foram grandes. Em alguns casos, autoridades estaduais já estavam aguardando nos aeroportos, quando foram surpreendidas pelas mudanças.

"Todo mundo foi esperar no aeroporto, e nada. A previsão era meio-dia, depois mudou para 16h. Agora já deve ser 18h. Até que descarregue, não tem como iniciar hoje. Impossível. Só devo começar amanhã", disse o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), ao Painel.

​O governo fluminense esperava receber as 487 mil unidades que lhe foram destinadas pelo Ministério da Saúde por volta das 13h, quando o governador Cláudio Castro daria uma entrevista à imprensa no aeroporto Santos Dumont, mas o evento foi cancelado porque elas não chegaram.

A vacina seria transportada por um avião da Azul do aeroporto de Guarulhos, a menos de uma hora de voo. Agora, só uma remessa deve chegar ainda na noite desta segunda e outra deve chegar durante a madrugada, como mostra uma planilha do governo federal. Segundo fontes do Palácio Guanabara, a União não deu explicações sobre o atraso.

O estado decidiu viabilizar um helicóptero para levar apenas um lote simbólico e manter a cerimônia de início da imunização que estava marcada para as 17h no Cristo Redentor. O prefeito Eduardo Paes (DEM) afirmou mais cedo à imprensa que já tinha um caminhão pronto esperando as 231 mil doses da capital.

Dulcineia da Silva Lopes recebe a vacina Coronavac no Cristo Redentor, no Rio - Reuters

“Temos até um caminhão pronto. Ele poderia ter ido ontem à noite para São Paulo e já estaria aqui com a vacina a essa altura. Temos uma estrutura que é muito boa”, afirmou.

Na Bahia, onde a previsão era de que as vacinas chegassem na manhã desta segunda, o governo do estado já havia preparado uma logística com sete aeronaves e 220 veículos para fazer a distribuição das doses para as cidades do interior do estado.

“É incompreensível, ninguém tem informação oficial sobre o que aconteceu. Foi dormir no domingo com uma planilha de horários de voos, acordei já era outra e agora à tarde recebi uma terceira”, afirma o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas.

A previsão, agora, é de que as vacinas cheguem às 22h na Bahia, o que obrigará o governo do estado a contratar voos noturnos para fazer a distribuição, gerando novos custos para o governo estadual. “A distribuição vai entrar pela madrugada”, diz o secretário.

Com a mudança, a primeira dose da vacina será aplicada em Salvador apenas na manhã desta terça-feira (19). O ato acontecerá na sede das Obras Sociais Irmã Dulce, na Cidade Baixa.

​Em Minas Gerais, a chegada das vacinas estava prevista inicialmente para as 16h, mas passou para as 18h50. Com 21,2 milhões de habitantes na estimativa do IBGE, o estado receberá 577.480 doses da vacina nesta segunda-feira (18), para serem distribuídas para os 853 municípios. O governo calcula que 280 mil pessoas sejam vacinadas até o final de semana —elas devem receber as duas doses até fevereiro.

"Combinamos com os governadores de acelerar todo o cronograma. O cronograma inicial era a logística hoje. Amanhã [terça] a logística dos estados para o município, e na quarta-feira o início. Os governadores solicitaram que assim que chegassem aos estados eles tivessem a liberdade de iniciar a vacinação", informou o ministro Pazuello.

Embora os chefes dos Executivos estaduais tivessem pressionado para adiantar o cronograma para antes do dia 20, muitos demonstraram concordância com o início da vacinação a partir das 14h de terça (19), o que evitaria atrasos.

A impressão que ficou entre equipes de alguns estados é de que Pazuello tirou da cartola o novo cronograma, mais apertado e sem preparação prévia. "Alguns estados podem iniciar um pouco depois, mas, aqueles que começam, começam às 17h", disse o ministro.

No Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite (PSDB) aguardava, inicialmente, as vacinas chegarem por via terrestre por volta das 16h. Porém, as doses acabaram embarcadas em um voo da Azul, que deve chegar à capital gaúcha só às 20h25. A solenidade da primeira vacinação deve ocorrer às 21h30 desta segunda-feira.

No estado vizinho, Santa Catarina, as vacinas chegaram em um avião da FAB, por volta das 11h. A vacinação está marcada para as 17h.

Quem também recebeu pontualmente foi Goiás. “Nossas vacinas foram as primeiras a serem embarcadas e daqui a pouco já chegam em solo goiano”, comemorou no Twitter o governador goiano, Ronaldo Caiado (DEM).

Em Alagoas, o horário do voo que vai levar 71 mil doses da CoronaVac ao estado sofreu duas alterações. Inicialmente, o governo federal comunicou que a carga chegaria às 16h45 desta segunda. Depois, a entrega seria antecipada para o meio-dia. Logo em seguida, o governo federal modificou novamente o comunicado. Agora, a nova previsão é para as 20h50. A vacinação no estado só deve começar às 8h de terça-feira (18).

No Rio Grande do Norte, ocorreu o mesmo problema. As vacinas estavam previstas para chegar em Natal no voo das 11h55 desta segunda. A nova previsão é 22h50. O governo havia preparado um ato simbólico que ocorreria às 17h. Devido ao atraso, teve que ser remarcado para as 10h de terça-feira.

Em Pernambuco, as vacinas só devem chegar às 19h40. Mesmo assim, o governo comunicou que pretende aplicar a primeira dose ainda nesta segunda.

No Pará, uma entrevista coletiva com o governador Helder Barbalho (MDB) que estava prevista para as 17h teve que ser adiada, segundo a assessoria de imprensa do governo. Inicialmente, as vacinas estavam previstas para chegar por volta das 15h. No entanto, o horário foi atrasado para as 23h20. Embora a nova data de vacinação não tenha sido definida, isso dificultou muito a aplicação nesta segunda.

O Mato Grosso do Sul recebeu, com atraso de três horas da previsão inicial, 158.760 doses da vacina por volta das 16h desta segunda-feira. Às 17h, o estado também tinha marcado um evento simbólico de imunização, no Hospital Regional de Palmas, referência no tratamento de pacientes da Covid-19.

A primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, em Goiás, foi aplicada pelo próprio governador Ronaldo Caiado (DEM), que é médico, na tarde desta segunda.



A primeira pessoa a recebê-la foi Maria Conceição da Silva, 73, mãe de seis filhos, que foi gari e doméstica e mora em um abrigo de idosos na cidade de Anápolis, de acordo com informações divulgadas nas redes sociais do governador. 



"Esperei muito tempo por essa vacina. Eu estava ansiosa. Isso vai dar força para todas e todos. Quando todo mundo estiver imunizado, aí será alegria para mim. Não basta só eu, tem que ser todos", disse ela, segundo o site G1.

“Espero que ela mesma possa atestar que ainda estou com a mão leve, sabendo aplicar bem uma vacina. Às vezes, outros médicos criticam a ortopedia, mas somos habilidosos”, afirmou Caiado em coletiva, em referência à sua especialidade. “Tivemos a oportunidade de fazer com que esse, que era um sonho nosso, se transforme numa realidade." 



A cidade goiana foi escolhida por ter sido local onde desembarcaram os brasileiros que foram trazidos de Wuhan, China, considerada epicentro da pandemia, no início de 2020.

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