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Com pandemia, hospitais passam a ofertar consultas virtuais em escolas, casas, farmácias e aeroportos

Falta regulamentação para o uso dessa ferramenta, que deve ser incorporada à rotina das instituições

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São Paulo

Um ano após o primeiro caso de Covid-19 no país, hospitais ampliaram o uso da telemedicina e já fazem consultas virtuais e exames em casa, escolas, empresas, farmácias e aeroportos.

Ainda que falte uma regulação definitiva para o uso dessa ferramenta, esse é um dos legados da pandemia que deve ser incorporado à rotina das instituições mesmo quando a crise sanitária chegar ao fim.

O Sabará Hospital Infantil (SP), por exemplo, está oferecendo consultas virtuais desde as mais corriqueiras (para diagnóstico de viroses, por exemplo) até as mais complexas, com a criança internada em outro hospital, e o pediatra discutindo o caso com os especialistas do Sabará.

“Uma boa parte das cidades brasileiras não têm pediatra na cidade e, quando você parte para as especialidades pediátricas, é ainda pior. Com a telemedicina, aumentamos essa capilaridade”, diz o médico Rogério Carballo, gerente de negócios do Sabará.

O hospital também está oferecendo atendimento médico virtual em escolas, além de programas de promoção à saúde e prevenção a doenças.

“Se a criança fica doente, a escola solicita um atendimento médico, comunica os pais e eu coloco numa mesma sala virtual a criança na escola, o pai no trabalho e o pediatra no Sabará. Depois, os pais recebem no seu celular a receita, o relatório médico.”

Equipe médica do Hospital Sabará, em São Paulo, acena para Barbara Moraes Lima Monteiro e seu filho Lorenzo Moraes Lima Alves, que moram no Rio - Danilo Verpa/Folhapress

O atendimento é oferecido sete dias por semana, 24 horas, o que permite que os pais o acessem também de casa, evitando que a criança vá para escola e propague a doença.

“Isso faz sentido não só durante a pandemia, mas também na época do sarampo, da bronquiolite. Não é coisa específica da Covid.”

O atendimento pediátrico virtual contará em breve com uma ferramenta que permitirá a realização de exames na casa da criança.

Os pais vão precisar de um aparelhinho portátil (Tyto Care) acoplado a um celular, com um aplicativo de uma plataforma de telemedicina.

Com o dispositivo, é possível avaliar as estruturas do ouvido, como o canal auditivo e o tímpano, possível infecção da garganta, auscultar pulmão, coração e abdômen, medir a temperatura, e fazer imagens de lesões na pele.

Os dados são acessados pelo médico, subsidiando-o com informações para a consulta a distancia.

“O aparelho permite a captura fiel das imagens e sons. Todos os estudos clínicos realizados demonstraram a qualidade dos dados, imprescindível para o correto diagnóstico”, diz o médico Fábio Motta, do Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR), que tem conduzido estudos clínicos para validar o dispositivo no Brasil.

O equipamento foi trazido ao país pela startup Tuinda Care, que é acelerada pelos hospitais Pequeno Príncipe, maior hospital público infantil do país, e o Sabará.

No Hospital Israelita Albert Einstein, várias soluções tecnológicas foram desenvolvidas para suprimir gargalos detectados durante a pandemia.

De aplicativos para pacientes e profissionais da saúde ao desenvolvimento de uma câmera de reconhecimento facial capaz de captar a temperatura em multidões.

Um dos pioneiros no uso da telemedicina no país, o Einstein ampliou projetos que já desenvolvia em parceria com o Ministério da Saúde, como a TeleUTI, que dá apoio a unidades de terapia intensiva no SUS, e treinamento de médicos da atenção primária à saúde.

Agora, o hospital está levando o atendimento médico via telemedicina e a oferta de exames para unidades abertas em aeroportos—em Cumbica (Guarulhos), no mês passado, no Galeão (Rio), nesta terça (23).

As clínicas estão oferecendo exame RT-PCR para detecção do coronavírus e, a partir de março, consultas virtuais. Quando houver disponibilidade de vacinas, o serviço também será ofertado.

“Cada vez mais essa situação da Covid se tornará endêmica, com novas cepas de coronavírus. Alguns países vão exigir vacinação e comprovação da ausência a doença”, diz Sidney Klajner, presidente do Einstein.

Neste mês, a BP (Beneficência Portuguesa de São Paulo) e a rede de farmácias Pague Menos firmaram uma parceria e estão oferecendo consultas virtuais em duas unidades a pacientes com sintomas gripais febre, mal estar, dor no corpo, dor de cabeça, tosse, coriza e dor de garganta. O atendimento é gratuito até o fim de março.

Barbara Moraes Lima Monteiro e seu filho, Lorenzo Moraes Lima Alves, participam de consulta com equipe do Hospital Sabará, em São Paulo - Danilo Verpa/Folhapress

Os farmacêuticos da rede fazem uma pré-avaliação para triar pacientes aptos à consulta online. Medem a temperatura, pressão arterial e a saturação de oxigênio no sangue.

Segundo Felipe Reis, gerente executivo de inovação e soluções médicas da BP, o projeto ainda é piloto e, havendo aceitação, será ofertado numa escala maior.

Para evitar eventuais conflitos de interesses, o paciente é informado de que, se o atendimento envolver prescrição de medicamento, ele tem livre escolha, não precisa comprar naquela farmácia.

Outras iniciativas adotadas pela BP e por outros hospitais privados de São Paulo durante a pandemia foram incorporadas à rotina da instituição, como o drive-thru para coleta de exames, agendamento online de consultas e exames, pronto atendimento digital via telemedicina e check-in virtual.

No âmbito das empresas, cresceu muito a possibilidade não só de consultas virtuais mas também de programas de prevenção, por meio de aplicativos.

A plataforma de saúde corporativa do Sírio-Libanês, por exemplo, oferece diversos tipos de acompanhamento, de sintomas gripais a orientação de nutrição e saúde mental.

A telemedicina também possibilitou um melhor acompanhamento dos pacientes que passam pelo pronto-atendimento ou que têm alta.

Segundo Fernando Ganem, diretor de governança clínica do Sírio-Libanês, a preocupação com o desfecho do atendimento tornou-se obrigatória.

“Mais do que fazer um procedimento, eu preciso saber se ele melhorou a qualidade de vida do paciente”, diz.

Hoje, mais de 20 mil pacientes de diversas patologias, como insuficiência respiratória, câncer de mama, de próstata, e a própria Covid, são seguidos pelo hospital, por meio de ligações telefônicas.

São acompanhadas, por exemplo, sequelas emocionais, respiratórias, neurológicas e motoras.

Para Pedro Mathiasi, infectologista e superintendente de Qualidade e Segurança do HCor (Hospital do Coração), a pandemia levou a uma mudança irreversível na adesão dos protocolos de segurança dentro dos hospitais.

“Eu brinco que a gente mudou de indústria. A gente saiu da indústria da saúde para a indústria da aviação. Se você não cumpre o protocolo, o avião cai e você vai junto.”

Como os outros hospitais, o HCor também oferece consultas virtuais e acompanhamento de pacientes que passam pelo PS ou no pós-alta.

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