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Com Wizard e Hang à frente, empresários querem comprar vacinas contra Covid

Iniciativa para adquirir imunizantes poderá esbarrar em restrições legais, no entanto

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São Paulo

Um mês após o fracasso da tentativa de um grupo de pesos-pesados do PIB comprar vacinas contra a Covid-19, está em curso uma nova investida para adquirir os imunizantes, desta vez liderada por empresários bolsonaristas.

À frente dela estão Carlos Wizard Martins, do grupo Sforza, e Luciano Hang, da Havan, ambos aliados do presidente.

A ideia é comprar milhares de doses no meio do ano, que seriam destinadas à vacinação de funcionários das empresas que as adquirirem e comercializadas por farmácias e laboratórios.

Embora a promessa seja de que isso ocorra apenas depois que os grupos prioritários estiverem vacinados, o projeto pode esbarrar em entraves legais.

“A partir do momento em que profissionais de saúde, pessoas acima de 60 anos e pacientes com comorbidades forem contemplados, empresas privadas poderão comprar as vacinas”, afirma Wizard. O plano foi revelado pelo jornal “O Globo”.

O empresário Carlos Wizard, apoiador do presidente Jair Bolsonaro - Zanone Fraissat/Folhapress

Na última quarta-feira (24), Wizard reuniu-se com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, para expor seu projeto. Antes, havia conversado rapidamente com o ministro Eduardo Pazuello.

Segundo o empresário, o governo deu aval à iniciativa. A previsão do governo, afirma, é de que em três meses os cerca de 70 milhões de brasileiros nas faixas prioritárias estejam já imunizados pelo SUS. Ou seja, a partir de junho seria possível para as empresas começarem a adquirir as doses.

“Atualmente a produção é limitada, e a procura no mundo explodiu. Nós não queremos que essa questão se transforme em um leilão”, disse.

O empresário afirma que o interesse das empresas não é lucrar com as vacinas. “Não vamos concorrer com o SUS. O nosso interesse não é comercial, é sermos solidários em apoio ao Ministério da Saúde numa questão humanitária. Queremos oferecer a autonomia para o consumidor. Não estamos furando fila”, declarou.

O principal objetivo dos empresários, de acordo com Wizard, é comprar doses para vacinar seus próprios funcionários. Além disso, segundo ele, há donos de redes de farmácias e laboratórios que pretendem comprar as vacinas para vender no mercado privado.

Na próxima semana, Wizard irá a Santa Catarina, estado de Hang, para uma reunião com ele e outros empresários. Ele não quis dar nome das pessoas que estariam interessadas no projeto nem quantas seriam. Afirmou apenas que são empresários das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A entrada do setor privado na vacinação foi estimulada pela aprovação pelo Senado de um projeto de autoria do presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG) que autoriza que as doses sejam adquiridas pelo setor privado.

O projeto, que ainda precisa ser votado pela Câmara, estabelece que a compra poderá ser feita apenas para que empresas vacinem seus funcionários, além de exigir que metade das doses sejam doadas ao SUS.

O texto diz que “após o término da imunização dos grupos prioritários, as pessoas jurídicas de direito privado poderão adquirir, distribuir e administrar vacinas, desde que pelo menos 50% das doses sejam, obrigatoriamente, doadas ao SUS e as demais sejam utilizadas de forma gratuita”.

Os empresários entendem, no entanto, que a compra estará liberada, sem a exigência desses condicionantes, após a vacinação dos grupos prioritários.

De acordo com Wizard, os laboratórios produtores das vacinas ainda não foram procurados. A ideia é fazer a negociação de forma simultânea à do governo.

“À medida em que o ministério for fazendo a negociação, vamos estar alinhados com os fornecedores. Só pretendemos adquirir as doses de vacinas aprovadas pela Anvisa, obviamente”, afirma.

Segundo ele, o preço cobrado pelos produtores situa-se na faixa entre US$ 7 e US$ 13 a dose, ou R$ 38,50 a R$ 71,50 pela cotação atual. O empresário não soube dizer qual deve ser o valor cobrado para o consumidor no mercado privado.

No final de janeiro, a Folha revelou que um grupo de grandes empresas como Vale, Gerdau, JBS, Oi, Vivo e Ambev, se articulava para comprar 33 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford, com aval do governo federal.

Metade seria usada para vacinação dos funcionários e metade seria doada ao SUS. Mesmo assim, as críticas à iniciativa afugentaram as empresas, que desistiram do projeto.

Na ocasião, o governo federal afirmou que não se oporia ao projeto. Desta vez, o apoio do Ministério da Saúde poderá ter mais peso, uma vez que os empresários à frente da ideia são totalmente alinhados ao governo.

Wizard chegou a ser nomeado para o cargo de secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde no ano passado. Embora tenha ficado poucos dias no posto, segue firme apoiador do governo.

Hang, da mesma forma, é um dos empresários mais alinhados ao presidente. Procurado, ele não foi localizado para comentar o assunto.

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