Descrição de chapéu Coronavírus

Todos pela Saúde vira instituto com foco em vigilância epidemiológica

Iniciativa do Itaú pretende fomentar pesquisas e ações na área genômica que auxiliem em políticas públicas

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

O programa Todos pela Saúde, iniciativa do Itaú que atua no combate da pandemia de Covid-19, tornou-se um instituto a partir desta sexta (26).

Com dotação inicial de R$ 200 milhões, alocada a partir de doações incorporadas pela Fundação Itaú para o programa, a missão do novo instituto (ITpS) será a de contribuir para o fortalecimento e a inovação na área de vigilância em saúde no Brasil.

Segundo documento divulgado pelo ITpS, o foco será o apoio à pesquisa, à formação de recursos humanos em epidemiologia genômica e ao desenho de uma vigilância genômica, áreas cada vez mais necessárias no campo da saúde.

Por exemplo, as mutações do novo coronavírus surgidas no Reino Unido, África do Sul e Manaus (identificadas primeiramente pelo Japão) só foram descobertas graças aos sistemas de vigilância genômica existentes em vários países.

Eles monitoram os vírus em circulação e identificam as variantes, por meio do sequenciamento genético de amostras. Foi o Japão que identificou primeiro a variante do Amazonas, chamada de P.1, Há uma rede de laboratórios públicos brasileiros que hoje fazem um trabalho de vigilância genômica, mas em quantidade muito menor do que a observada em outros países.

As atividades a serem desenvolvidas no instituto vão incluir tanto o financiamento à pesquisa como também levantamentos genômicos (ou metagenômicos), além da formação de epidemiologistas de campo.

“Com isso, acreditamos que o Brasil estará mais preparado para enfrentar epidemias como a de Covid-19 e menos vulnerável a doenças originadas da interação do homem com o meio ambiente”, diz o documento do ITpS.

Haverá também uma ação no desenvolvimento e aplicação de big data para tratar os dados produzidos. Os trabalhos serão executados em parcerias com instituições de pesquisa, governos e empresas.

A ideia é que os resultados dessas atividades possam ser integrados e disponibilizados para auxiliar em políticas públicas.

Isso poderá ajudar na definição de caminhos para o enfrentamento não só da atual pandemia mas de eventuais outras no futuro.

O instituto é uma associação sem fins lucrativos, tendo como associados a Fundação Itaú (propositora e mantenedora), a ABC (Academia Brasileira de Ciências), a ANM (Academia Nacional de Medicina), a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), a Fundação Faculdade de Medicina da USP e o Hospital Israelita Albert Einstein.

O ITpS reunirá grandes nomes da ciência e da saúde no Brasil. O conselho de administração é presidido por Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês. E o diretor-presidente é Jorge Kalil, professor da USP e também do InCor (Instituto do Coração).

O programa de atividades será avaliado e acompanhado por um comitê científico formado por especialistas e presidido pelo professor César Victora, da Universidade Federal de Pelotas.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.