Descrição de chapéu Coronavírus

Prefeitos alertam para 'cenário trágico' e cobram de Bolsonaro ações para evitar falta de oxigênio e remédios

Em ofício, gestores apontam escassez de oxigênio e medicamentos de intubação a pacientes de Covid; Saúde diz ter feito requisição administrativa de remédios para 15 dias

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Brasília

Em um momento em que várias cidades apontam UTIs lotadas e falta de leitos a pacientes com Covid, prefeitos enviaram um ofício nesta quinta-feira (18) ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ao Ministério da Saúde em que apontam risco de falta de oxigênio e de medicamentos usados para intubação de pacientes graves. Também cobram "providências imediatas" para evitar um agravamento da crise sanitária.

Segundo a Frente Nacional dos Prefeitos, que assina o documento, "já há registros, de Norte a Sul do país, de escassez e iminente falta desses insumos imprescindíveis para enfrentar a Covid-19".

"O aumento sem precedentes do número de contaminados com o coronavírus e da demanda por atendimento hospitalar aponta para um cenário potencialmente ainda mais trágico já nos próximos dias: a falta de oxigênio e de medicamentos para sedação de paciente intubados", afirma a entidade, em nota divulgada à imprensa.

No ofício, enviado também em cópia a Marcelo Queiroga, confirmado por Bolsonaro para assumir o comando da Saúde, prefeitos dizem que a União pode "reforçar a aquisição dos medicamentos", além de "ter prerrogativa de determinar redirecionamento de insumos e produtos".

"Isso poderia ser feito com a indústria metalúrgica, que também utiliza oxigênio com o mesmo grau de pureza do hospitalar, por exemplo", sugere o grupo, que cita a tragédia sanitária em Manaus, onde houve colapso devido à falta do insumo.

Questionado pela reportagem sobre a demanda dos prefeitos, o Ministério da Saúde diz ter feito uma requisição administrativa nesta semana de 665.507 medicamentos de intubação "para um período de 15 dias, considerando o consumo médio mensal" em dados enviados pelos estados. A medida impede que empresas possam vender estoques ainda disponíveis a outros interessados que não ao governo.

Ainda não há detalhes sobre a previsão de distribuição desses remédios entre os estados. A pasta ainda não respondeu sobre o risco de falta de oxigênio.

​Segundo Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conasems, conselho que reúne secretários municipais de saúde, monitoramento mantido pelo grupo aponta que o estoque atual de medicamentos usados na intubação, como sedativos, dura apenas 20 dias. Sem esses remédios, há dificuldade em fazer a intubação, necessária para assistência a pacientes em casos graves.

A previsão de que o estoque deve durar apenas 20 dias também é apontada por outras entidades do setor.

"Estamos monitorando esse processo. Alguns hospitais já dizem que não têm, mas não estão no plano de contingência, e estamos orientando os gestores a colocarem para que possamos atendê-los", diz Junqueira.

As demandas de apoio para obter oxigênio também aumentaram, afirma. "Estão chegando solicitações de várias regiões do país. Estamos tendo reuniões com Ministério da Saúde e Anvisa. É crescente esse pedido. Não falta o insumo, o oxigênio existe, a dificuldade é de transporte e entrega em algumas regiões do país", diz.

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