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Estado de SP tem alta de atendimentos por gripe em fevereiro

Aumento verificado foi de 61% na rede pública, na comparação com o mês anterior; Hospital Sírio-Libanês registra aumento de 200% nas internações

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São Paulo

O estado de São Paulo viu um aumento dos atendimentos por síndrome respiratória causados por influenza, vírus da gripe, de 61% em fevereiro em comparação com janeiro.

De acordo com dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde), de 31 de dezembro de 2023 a 3 de fevereiro de 2024 (1° a 5ª semanas epidemiológicas) foram registrados 89 casos confirmados de Srag (síndrome respiratória aguda grave) no estado. Já de 4 de fevereiro a 2 de março (6ª a 9ª semanas), o número saltou para 144.

E, na primeira semana de março, foram registrados 249 casos de Srag por gripe, com os dados até o último sábado (9). A notificação e confirmação dos casos de influenza só são obrigatórias quando o paciente é internado devido à síndrome respiratória.

Casos de gripe aumentam em fevereiro no estado de São Paulo. - Getty Images

Em 2023, até a 8ª semana epidemiológica (25 de fevereiro), o estado de São Paulo havia registrado 97 casos de síndrome respiratória causados por influenza. Em 2024, foram 202 casos no mesmo período, um aumento de 108%.

Carla Kobayashi, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, explica que esse aumento do número de casos de gripe "se antecipa um pouco do padrão de anos anteriores à pandemia." Segundo a infectologista, a influenza é uma doença sazonal que costuma ocorrer no outono e inverno.

"Temos um aumento do número de casos de gripe que começa em março e vai até o final de agosto. Essa padronização bem definida deixou de acontecer desde a pandemia de Covid. Começaram a ocorrer surtos em épocas não esperadas. Mas ainda temos um maior número de casos de gripe no outono e inverno", disse.

A médica destaca a importância da vacinação principalmente porque ainda acontecerão muitos casos de influenza até o inverno. Segundo ela, em casos de sintomas respiratórios mais graves, é necessário procurar atendimento e realizar um exame para avaliar se é gripe ou Covid. "A diferenciação apenas pelos sintomas não é tão precisa, ambos são síndromes gripais. Mas a influenza tem um padrão de febre alta, uma dor no corpo importante, enquanto Covid pode se apresentar com sintomas gastrointestinais, como náuseas e vômitos", afirma.

De acordo com o último boletim Infogripe da Fiocruz, divulgado na quinta-feira (7), as regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste apresentam um crescimento da transmissão de influenza, aliada à Covid. A nota aponta ainda para um aumento de novos registros semanais de síndromes respiratórias em todas as regiões do país.

Em 29 de fevereiro, o Ministério da Saúde anunciou que anteciparia a vacinação contra a gripe em todas as demais regiões do país, exceto Norte, que já teve a campanha no final de 2023. A campanha costuma acontecer entre os meses de abril e maio, mas, neste ano, terá início no dia 25 de março.

O vírus que causa a gripe é o Influenza, sendo os tipos A e B os mais comuns entre humanos. No caso do A, as linhagens H1N1 e H3N2 são as principais causadoras da doença, por isso a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e disponibilizada no SUS contêm as duas cepas em sua formulação. Além delas, uma terceira linhagem compõe a vacina. Nesse caso, é do tipo B, que é dividido em Yamagata e Victoria –é esta última linhagem que foi utilizada na vacina de 2023.

Hospitais privados de São Paulo registram alta de casos de gripe

No município de São Paulo, hospitais particulares já registram aumento dos atendimentos por síndrome respiratória causados por influenza, vírus da gripe, principalmente no período pós-Carnaval.

Segundo dados do Hospital Sírio-Libanês, de janeiro a fevereiro, os atendimentos respiratórios confirmados para influenza A cresceram em 200%, passando de 105 casos, em janeiro, para 349 até a última semana de fevereiro.

Já o Hospital Israelita Albert Einstein disse que foram registrados, de 28 de janeiro a 3 de fevereiro, 24 atendimentos e quatro internações por influenza. No mês seguinte, de 25 de fevereiro a 2 de março, foram registrados 88 atendimentos e cinco internações, um aumento de 266% dos atendimentos comparado a janeiro.

Principal rede de hospitais privados do Brasil, a Rede D'Or não disponibilizou os dados até a publicação desta reportagem.

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