Nuzman ganhou R$ 212 mil do COB em 2017

Apesar de negar receber salário na presidência, cartola foi remunerado

 
Nuzman foi preso em 5 de outubro e 2017 e liberado 15 dias depois
Nuzman foi preso em 5 de outubro e 2017 e liberado 15 dias depois - Ian Cheibub/Folhapress

Carlos Arthur Nuzman recebeu R$ 23 mil mensalmente de salário do COB (Comitê Olímpico do Brasil) em 2017.

Preso em outubro, o dirigente, que comandou a entidade por mais de duas décadas, sempre negou receber salários do comitê.

O valor da remuneração do cartola foi publicado no site da entidade, que também disponibilizou o salário de todos os funcionários no ano passado.

Em maio, o cartola chegou a embolsar R$ 118 mil, o equivalente a cinco vezes a quantia da remuneração. Até então, ele não havia recebido nada naquele ano.

O estatuto do COB veta o pagamento de salário ao presidente da entidade.

No total, o ex-presidente ganhou R$ 212 mil até setembro.

Substituto de Nuzman, Paulo Wanderley também recebeu o mesmo valor em 2017.

O dirigente carioca de 75 anos renunciou ao cargo em outubro.

 

Em uma carta de dois parágrafos redigida da cadeia em Benfica, Nuzman abriu mão do cargo de "de modo irrefutável e irretratável".

Na carta, ele dizia que iria se dedicar "ao pleno exercício do meu direito de defesa".

O ex-presidente estava preso suspeito de atuar na compra de votos para a escolha da cidade para sediar os Jogos Olímpicos.

A ação foi um desdobramento da Operação "Unfair Play", que investiga a compra do voto do senegalês Lamine Diack por US$ 2 milhões.

O empresário Arthur César Soares de Menezes foi o responsável por pagar a quantia semanas antes da escolha, em outubro de 2009, em Copenhague, de acordo com as investigações.

O ex-presidente do COB é acusado de ter feito a "ponte" entre o esquema de corrupção do governo Sérgio Cabral (PMDB) e os membros do COI na escolha do Rio em 2009 para receber os Jogos.

Nuzman foi liberado da prisão no Rio por uma decisão da 6ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) concedida no dia 19 de outubro.

Mesmo assim, ele é obrigado a obedecer uma série de medidas cautelares _como não frequentar a sede do COB ou se ausentar do Rio.

A Folha tentou ouvir o ex-dirigente sobre a remuneração paga pelo COB, mas não conseguiu localizá-lo.

Defensor de Nuzman, o advogado Sergio Mazzillo também não foi encontrado para comentar o assunto.

Em nota, o COB informou que o pagamento de salário ao cartola está "em conformidade com o que dispõe o artigo 22 do Decreto 7.984, de 8 de abril de 2013".
Segundo a entidade, Nuzman foi remunerado de janeiro até outubro e não recebia salário nos anos anteriores por "decisão própria".

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.