Bobsled brasileiro chega aos Jogos de Inverno em um novo patamar

Com ajuda internacional, time foi do 36º para 21º lugar no ranking pré-olímpico

Equipe brasileira de bobsled, formada por Edson Bindilatti, Odirlei Pessoni, Edson Ricardo Martins e Fabio Goncalves Silva, compete nos Jogos de Inverno de Sochi-2014
Equipe brasileira de bobsled, formada por Edson Bindilatti, Odirlei Pessoni, Edson Ricardo Martins e Fabio Goncalves Silva, compete nos Jogos de Inverno de Sochi-2014 - Natacha Pisarenko/Associated Press
Gustavo Longo
São Paulo

Piloto da equipe brasileira de bobsled, Edson Bindilatti, 38, viveu os dois lados do esporte no país. As viagens às pistas da América do Norte, quando convivia com até 10 horas de espera em aeroportos por voos mais baratos, foram substituídas por um planejamento que indica ainda na pré-temporada quando e para onde o atleta irá viajar. 

“A gente chega pronto para competir. Evoluímos bastante nisso”, diz o atleta, que irá à sua quarta Olimpíada. 

A situação evidencia a mudança de status e a evolução do Brasil ao longo deste ciclo olímpico no bobsled, corrida de trenós com dois ou quatro atletas em uma pista de gelo. 

O Brasil disputará a prova nos Jogos de PyeongChang, na Coreia do Sul, em uma condição inédita, entre as 25 melhores equipes do mundo.

Além de Bindilatti, compõem a equipe Odirlei  Pessoni, 35; Denis Parreiras, 35; Edson Martins, 28; Erick  Vianna, 24; e Rafael Souza, 21.

Todos eles começaram suas carreiras no atletismo, mas migraram para o bobsled e nos últimos quatro anos dedicaram-se ao novo esporte.

Para se sustentarem, eles dividem o tempo dedicado aos treinos com outras atividades. Bindilatti, por exemplo, trabalha como personal  trainer. Todos eles participam do programa Bolsa Atleta, do governo federal.

Como o país só pode inscrever quatro atletas e um reserva, Parreiras foi cortado e o trenó será formado por Bindilatti, Pessoni, Martins e Souza. Vianna é o reserva.

Em janeiro, a equipe confirmou a quarta participação olímpica no quarteto (4-man) com sua melhor posição no ranking pré-olímpico (21º).

O Brasil também teve representantes na modalidade nas Olimpíadas de Inverno de 2002, 2006 e 2014. Além disso, obteve pela primeira vez vaga na dupla masculina (2-man) —com Bindilatti ao lado de Edson Martins.

Mais do que dedicação, tal progresso só foi possível graças a fatores externos à competição: a rede de contatos que a equipe brasileira fez e que resultou em parcerias internacionais, que levaram ao aperfeiçoamento dos atletas.

Entre 2015 e 2017, por exemplo, os brasileiros contaram com orientação das técnicas britânicas Nicola Minichiello, campeã mundial de bobsled em 2009, e Jo  Manning. 

Elas encheram o grupo de informações a respeito de questões fundamentais de logística, como o transporte e armazenamento do trenó nos eventos internacionais.

Em outubro passado, o Brasil acertou parceria com os Estados Unidos no centro olímpico de Lake Placid, no Estado de Nova York.

Os americanos mostraram nuances importantes da modalidade, como a utilização correta das lâminas do trenó de acordo com a temperatura da pista, treinamentos físicos adequados e análise das provas, entre outros pontos.

“Essas inúmeras diferenças fizeram com que a nossa equipe chegasse a essa temporada com muita qualidade física e conhecimento técnico. Hoje, tudo é estudado e medido”, diz Bindilatti. 

Equipe de bobsled do Brasil, composta por Edson Bindilatti, Odirlei Pessoni, Edson Ricardo Martins e Fabio Goncalves Silva, vibra durante prova disputada na Olimpíada de Inverno de Sochi-2014
Equipe de bobsled do Brasil, composta por Edson Bindilatti, Odirlei Pessoni, Edson Ricardo Martins e Fabio Goncalves Silva, vibra durante prova disputada na Olimpíada de Inverno de Sochi-2014 - Natacha Pisarenko/Associated Press

Para os Jogos de Inverno de 2014, o Brasil obteve a classificação no quarteto com a 36ª colocação do ranking da Federação Internacional de Bobsled e Skeleton. 

Para PyeongChang, a vaga veio de maneira mais tranquila, com 15 posições à frente —em determinado momento, o país chegou a ser o 17º.

Ao longo do ciclo olímpico, a equipe masculina faturou 14 medalhas nas duplas e no quarteto em etapas da Copa América, que reúne países de todo o mundo em provas nas quatro pistas localizadas na América do Norte.

Até então, o Brasil tinha conquistado apenas quatro pódios nessa competição. 

As primeiras medalhas de relevo para o país haviam vindo em 2016, no Mundial de Push (disputa para ver quem tem a melhor largada no esporte): bronze na dupla (Pessoni e Souza) e no quarteto.

A expectativa dos atletas, que neste ano treinaram juntos no NAR (Núcleo de Alto Rendimento), em São Paulo, é alcançar o melhor resultado do trenó brasileiro em Jogos de Inverno e superar a 25ª colocação em Turim-2006.

“Nós queremos um grande resultado em PyeongChang”, afirma Bindilatti.

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