Técnico da seleção diz que abuso era tratado como boato e rendia gracejo

Marcos Goto foi acusado por vítimas de fazer piadas sobre os abusos sexuais

São Paulo | UOL

Marcos Goto, principal técnico da seleção brasileira de ginástica, disse que as acusações de abuso sexual em São Bernardo do Campo (SP), denunciadas no domingo em uma reportagem da TV Globo, eram tratadas como boatos no meio dos atletas e treinadores.

As vítimas, ouvidas pela reportagem da Globo, acusaram Goto de saber que o técnico Fernando Carvalho Lopes assediava atletas e fazer graça sobre o assunto. Na época, Goto trabalhava na vizinha São Caetano do Sul e acolheu uma parte dos atletas que queriam ficar longe de Fernando.

Marcos Goto,  coordenador técnico da seleção brasileira de ginástica artística
Marcos Goto, coordenador técnico da seleção brasileira de ginástica artística, divulgou nota sobre as acusações de que faria piadas sobre os casos de abusos sexuais - Ricardo Bufolin/COB/divulgação

“Os fatos narrados na matéria, que ocorreram há mais ou menos 12 anos, eram tratados como boatos e podem ter gerado alguns tipos de gracejo na época por muitos envolvidos na ginástica, inclusive entre os próprios atletas oriundos de São Bernardo do Campo acolhidos por mim em São Caetano”, disse ele, lendo uma nota em reportagem desta terça-feira (1) da TV Globo.

“Tanto parecia boataria que alguns atletas, inclusive os ouvidos na matéria, retornaram a treinar em São Bernardo com o mesmo treinador aqui dito [Fernando Carvalho].”

O técnico da seleção de ginástica é funcionário contratado pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil). Ele é o treinador do campeão olímpico nas argolas em Londres-1992, Arthur Zanetti.

Mais tarde, sua assessoria de imprensa divulgou uma nota oficial na qual Goto diz ser "contrário a qualquer tipo de assédio, discriminação e intolerância". Ele afirmou que nunca soube de nenhum denúncia de assédio no período em que trabalhou com os atletas.

"Em nenhum momento os fatos foram trazidos até mim. E nunca houve um pedido de ajuda por parte dos atletas", disse ele.

O treinador não é funcionário contratado da CBG, mas ocupa o cargo de coordenador técnico das seleções masculina e feminina de ginástica durante o período em que as equipes estão reunidas para competições.

Leia a nota de Marcos Goto:

"Sou o treinador mais vitorioso do Brasil, conhecido pela minha rigidez, profissionalismo e disciplina em busca dos melhores resultados, fazendo o trabalho de desenvolvimento da modalidade, em todas as categorias. Desde 1990, conduzi milhares de crianças e adolescentes, sem nenhuma intercorrência negativa, em todos este período de atuação como treinador.

Os fatos narrados na reportagem ocorreram há mais ou menos 12 anos. Eram tratados como boatos e todos faziam gracejos, inclusive os atletas vindos de São Bernardo. Em nenhum momento os fatos foram trazidos até mim. E nunca houve um pedido de ajuda por parte dos atletas.

Os fatos eram citados sempre em tom de gracejos, tanto parecia boataria que os próprios atletas que me citam na reportagem voltaram a treinar em São Bernardo, com o mesmo técnico. 

Quero deixar muito claro que sou totalmente contrário a qualquer tipo de assédio, discriminação e intolerância.

Eu e o referido treinador fazíamos parte da seleção brasileira na mesma função, entre os anos de 2014 e 2016, não tendo como atribuição a gestão de pessoas. Eu tinha como atribuição a preparação de meu atleta para os Jogos Olímpicos. É função dos superiores hierárquicos e da própria instituição verificar os antecedentes de seus contratados.

Sobre a nota emitida pela CBG, quero dizer que na época dos fatos eu não prestava serviço para a entidade, sendo única e exclusivamente treinador de clube. Esta será a minha única declaração sobre o assunto. Assumi a Coordenação Técnica da seleção em 2017.

É importante que a reportagem mantenha o foco no assunto e nos verdadeiros responsáveis e omissos.

Assim que fui nomeado como Coordenador de Seleções, em 2017, iniciamos, juntamente com o COB e a CBG, a elaboração do primeiro Código de Ética, que tem como principal finalidade proteger e orientar os atletas. Também organizamos o primeiro Seminário da Ginástica, onde discutimos os vários temas inerentes à modalidade, inclusive assédio, com a participação dos principais treinadores e coordenadores de clubes do Brasil.

Para finalizar, reitero que sou totalmente contrário a qualquer tipo de assédio, discriminação e intolerância."

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