Descrição de chapéu Copa do Mundo

Atual campeã, Alemanha perde e tem queda inédita na fase de grupos

Desde que a Copa tem fase de grupos, alemães nunca caíram nesse estágio

Eduardo Geraque
Kazan

Com a derrota por 2 a 0 para a Coreia do Sul, a Alemanha está eliminada da Copa do Mundo da Rússia. O revés alemão e a vitória da Suécia por 3 a 0 sobre o México deram aos suecos a liderança do Grupo F, enquanto os mexicanos ficaram com o segundo lugar.

A seleção brasileira, primeira colocada do Grupo E, enfrenta o México na segunda (2), às 11h, em Samara. A Suíça terá a Suécia pela frente na terça (3), em São Petersburgo.

Alemanha nunca havia sido eliminada da Copa desde que o torneio tem fase de grupos
Alemanha nunca havia sido eliminada da Copa desde que o torneio tem fase de grupos - Michael Dalder/Reuters

A eliminação alemã na fase de grupos é acontecimento inédito na história do país.

A única vez que a equipe caiu na primeira fase de uma Copa do Mundo foi em 1938, quando o modelo do torneio era diferente e já começava com jogos eliminatórios.

Na época, a equipe empatou na estreia contra a Suíça e um jogo de desempate foi marcado. Na segunda partida, os suíços venceram por 4 a 2 e tiraram a Alemanha do Mundial.

Neste Mundial, os alemães foram eliminados marcando somente dois gols, ambos na vitória por 2 a 1 sobre a Suécia. Além disso, registraram diante dos sul-coreanos o quarto jogo seguido em Copas do Mundo sem marcar um gol sequer no primeiro tempo.

A última vez que a Alemanha fez gols na etapa inicial no torneio foi na semifinal de 2014, quando foi para o intervalo vencendo o Brasil por 5 a 0. O jogo terminou 7 a 1 e os europeus foram à decisão, na qual bateram a Argentina, 1 a 0, com gol de Mario Götze nos acréscimos.

O jogo permaneceu 0 a 0 até os 90 minutos na Arena Kazan. Um gol a favor da Alemanha era suficiente. E o frio time germânico tentava. Mas o suspense virou contra os protagonistas da partida, que tiveram a bola nos pés mais de 70% do tempo e não marcaram.

Um erro defensivo fez a bola chegar aos pés do zagueiro Kim Young-gwon. Aos 93 minutos de jogo, ele estufou as redes de Neuer. O drama continuou porque a jogada só foi validada com auxílio do árbitro de vídeo. Não havia impedimento no lance que determinou a análise do replay.

A Alemanha desesperada partiu para o ataque. Inclusive o goleiro Neuer, que abandonou seu gol. Eis que um contra-ataque asiático chegou ao atacante Son. Com velocidade, ele alcançou a bola pela esquerda e rolou para o gol vazio. Se na véspera o técnico sul-coreano, Taeyong, havia dito que só havia 1% de chances de vencer os campeões do mundo, aquele 1% estava virando 100%.

Com 2 a 0 no placar e a Alemanha eliminada da Copa do Mundo da Rússia, a explosão dos torcedores asiáticos foi grande com o apito final.

Os resultados colhidos pelo time de Löw em gramados russos evidenciam que o futebol alemão vai precisar ser reformulado. Nomes como os de Khedira, Özil e Müller não conseguiram ser protagonistas em nenhuma das três partidas da fase de grupos.

O meio-campista Kroos, apesar da categoria de acertar um chute salvador contra a Suécia no final da partida, na virada por 2 a 1 no segundo jogo, também não foi o líder que precisava ser. Muito menos fora de campo. Mas ele tem tempo de recuperação na seleção, ao contrário dos outros veteranos que jogaram a terceira Copa seguida.

Com contrato até 2022, Löw, que tem 17 participações com a seleção alemã em Copas do Mundo, também terá tempo pela frente. E provavelmente mais um mundial.

As dúvidas que estão na cabeça do torcedor alemão são muitas. E todas passam pela insistência do treinador não apenas com nomes, mas também com um estilo de jogo que não mudou, apesar das partidas ruins.

Além de campeã do mundo, a equipe da Alemanha chegou ao Mundial da Rússia tendo feito a melhor da campanha da história nas eliminatórias da Europa. Foram dez vitórias em dez jogos, com direito a algumas goleadas. Mas, na Rússia, não conseguiu passar com facilidade pela Coreia do Sul.

Nas vésperas do Mundial, os resultados nos amistosos indicavam dificuldades. Mas Löw apostou em seus veteranos de confiança. Inclusive no goleiro Neuer, machucado desde o ano passado e sem ritmo de jogo.

Como se viu contra o México, na estreia em Moscou, com Khedira e Özil pelo meio, a velocidade apresentada pela seleção que atropelou o Brasil no Mineirão em 2014 não existia mais. Sem eles, a situação melhorou um pouco contra a Suécia. Mas o técnico alemão não mudou de ideia.

Contra a Coreia do Sul, a lentidão, inclusive da defesa, esteve presente durante todo o jogo.

​Müller, outro veterano considerado como uma das peças-chave do ataque campeão do mundo entrou só no segundo tempo da terceira, e última, partida da Copa. Ele também não resolveu.

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