Ederson volta às origens para buscar forças de olho em chance na seleção

Reserva na Copa, goleiro passa férias em Osasco e mira próximos compromissos do Brasil

Bruno Rodrigues
São Paulo

De férias do Manchester City (ING) por ter feito parte da seleção brasileira na Copa do Mundo, o goleiro Ederson, 24, aproveita a folga onde mais se sente querido e feliz no mundo.

Osasco, na Grande São Paulo, cidade onde ele nasceu e foi criado. E para onde sempre volta quando ganha um tempo das obrigações do futebol.

Desde segunda-feira ele utiliza as instalações do Osasco Audax para manter a forma física. Mas sem quedas no chão ou exercícios próprios do treinamento de goleiros. Seu negócio mesmo é bater uma bola e rever os amigos.

Ederson passa férias em Osasco, sua cidade natal, antes de voltar aos trabalhos no Manchester City (ING)
Ederson passa férias em Osasco, sua cidade natal, antes de voltar aos trabalhos no Manchester City (ING) - Folhapress

Em brincadeira com os atletas do clube, quem deixa a bola cair recebe petelecos na olheira. Quando é Ederson quem erra, todos aproveitam para tirar uma casquinha e dão petelecos também.

Depois, ele arrisca alguns chutes nos goleiros e é observado pelos meninos da base, que assistem atentamente ao ídolo. Todos sonham em ser como Ederson.

Nesta sexta (20), na pelada organizada por amigos e disputada no gramado do centro de treinamentos do Audax, ele deixou as luvas de lado para poder jogar no ataque. 

Vestiu a camisa 14 e mostrou desenvoltura com os pés, assim como no Manchester City, onde sua capacidade de participar do jogo pelo chão é ponto fundamental na saída de bola da equipe.

Ali com os amigos, porém, Ederson é só mais um. Deixa de ser um dos principais goleiros da Europa para virar “Nariz”, “Napão” ou “Gordo”, apelidos pelos quais os companheiros se referem a ele durante a partida.

Todo esse ambiente de descontração e ausência de pressão servem para recarregar as baterias antes dos próximos desafios com seu clube e também com a seleção brasileira. 

“É bom voltar. Andar de calção, chinelo, sem camisa, conversar com os amigos. Tenho orgulho de ter nascido aqui, então é bom matar a saudade um pouco”, diz o goleiro à Folha após o jogo.

Osasco é seu refúgio. Como foi em 2009, quando soube, por telefone, que tinha sido dispensado da base do São Paulo. Chorou muito e pensou em largar o futebol. Mas sua família e os amigos foram importantes para que ele retomasse o objetivo de triunfar na carreira.

Passada a frustração, voltou para a escolinha de futebol onde havia começado e, dali, surgiu a oportunidade de ir para Portugal, depois de chamar a atenção de um olheiro da empresa do português Jorge Mendes, empresário de Cristiano Ronaldo.

O goleiro tem apenas um jogo pela seleção brasileira: vitória por 3 a 0 sobre o Chile, na última rodada das eliminatórias para a última Copa do Mundo
O goleiro tem apenas um jogo pela seleção brasileira: vitória por 3 a 0 sobre o Chile, na última rodada das eliminatórias para a última Copa do Mundo - Lucas Figueiredo/CBF

Contratado pelo Benfica (POR), foi emprestado ao Ribeirão, da terceira divisão portuguesa. Aos 18 anos já era titular e então rescindiu com o Benfica, para poder assinar com o Rio Ave (POR) e buscar mais chances de jogar.

Três anos depois, o Benfica decidiu recontratá-lo. No clube, foi destaque e chamou a atenção do futebol europeu até ser comprado pelo Manchester City por 40 milhões de euros (cerca de R$ 144 milhões), a negociação mais cara de um goleiro depois de Buffon, em 2001, quando se transferiu do Parma (ITA) para a Juventus (ITA) por 52 milhões de euros (aproximadamente R$ 188 milhões).

Agora, a negociação é a terceira mais cara de um goleiro na história. Isso por que nesta semana, seu colega e titular da seleção Alisson foi anunciado pelo Liverpool (ING) por 72,5 milhões de euros (cerca de R$ 323 milhões).

“Acho que ele vai adorar o campeonato, que é muito competitivo, muito disputado, um campeonato muito gostoso de se jogar”, diz Ederson sobre o agora adversário no Campeonato Inglês.

Alisson foi criticado por seu desempenho na Copa do Mundo da Rússia, especialmente no empate em 1 a 1 com a Suíça e na derrota para a Bélgica, que eliminou o Brasil. Ederson defende o companheiro.

“A gente tem frações de segundo para defender a bola, então analisando na câmera lenta é claro que tudo fica mais fácil, mas no jogo ali é complicado. Bola para frente”, afirma o reserva na Rússia, companheiro de Gabriel Jesus no City, outro que foi criticado por não ter marcado gols na Copa.

“Pela questão de ser atacante, as pessoas cobram mais o gol, mas se formos ver o trabalho tático que ele fez, foi fundamental. Como o Giroud, que disputou a Copa toda e não fez nem um gol, mas foi campeão. Então essa é a pequena diferença. Ele [Jesus] vai dar a volta por cima tranquilamente”, acredita.

Ederson tem apenas um jogo pela seleção brasileira. O goleiro foi titular na vitória por 3 a 0 sobre o Chile, na última rodada das eliminatórias.

Para este próximo ciclo, ele acredita que a equipe passará por uma renovação e novos atletas terão oportunidade de mostrar trabalho. É com isso que o goleiro conta, já de olho no amistoso de setembro, contra os Estados Unidos, e na Copa América do ano que vem.

“Vou procurar fazer o meu trabalho no City como eu sempre fiz. Sei que o Tite vai estar olhando os jogadores que foram à Copa e que têm idade menos avançada, então vou continuar trabalhando para voltar”, completa.

Terminada a pelada com os amigos, fãs se aproximam da grade para tirar uma foto com o goleiro. Os meninos da base que assistiam ao jogo também querem garantir um registro com o ídolo.

Antes de pensar nos desafios que tem pela frente, Ederson aproveita os dias de descanso em Osasco, sua casa, onde ele será sempre titular. Nem que seja no ataque.

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