Brasileiro Thiago Wild conquista título juvenil do Aberto dos EUA

Tenista de 18 anos bate italiano na final, em feito inédito para o país

Tenista brasileiro Thiago Wild
O tenista brasileiro Thiago Wild, que conquistou neste domingo (9) o título júnior do Aberto dos Estados Unidos, em Nova York - Peter Staples/USTA
São Paulo

O brasileiro Thiago Wild, 18, conseguiu um feito inédito para o tênis brasileiro neste domingo (9), ao se tornar campeão juvenil do Aberto dos Estados Unidos, em Nova York.

Nascido na cidade de Marechal Candido Rondon (PR), Wild derrotou na decisão o italiano Lorenzo Musetti por 2 sets a 1, parciais de 6-1, 2-6 e 6-2, em 1h18min de partida.

Depois de um começo arrasador no primeiro set, vencido em apenas 18 minutos, o brasileiro se desconcentrou na parcial seguinte e permitiu a reação do italiano, que fechou o set quebrando o saque de Wild.

No terceiro e decisivo set, o brasileiro parecia que não conseguiria reagir, após ter o saque quebrado no segundo game. Mas Wild devolveu a quebra na sequência e conseguiu uma impressionante sequência. Ganhou todos os games seguintes e chegou à vitória nos Estados Unidos.

“Acho que o mais importante foi ele ter mostrado capacidade de se ordenar mentalmente no jogo. Teve uma queda de rendimento no segundo set e isso o deixou assustado. Mas teve capacidade para voltar ao jogo quando era mais importante”, disse Arthur Rabelo, técnico de Wild desde 2014.

A vitória de Thiago Wild foi a primeira de um brasileiro na categoria juvenil no Aberto dos Estados Unidos. Antes dele, a única conquista de um tenista do país em chave de simples juvenil de um torneio Grand Slam veio com Tiago Fernandes, em 2010, quando venceu o Aberto da Austrália.

O tenista brasileiro Thiago Wild exibe o troféu de campeão do torneio juvenil do Aberto dos Estados Unidos, neste domingo (9) em Nova York
O tenista brasileiro Thiago Wild exibe o troféu de campeão do torneio juvenil do Aberto dos Estados Unidos, neste domingo (9) em Nova York - Jason DeCrow/Associated Press

O título em Nova York também marcará a despedida de Wild na categoria juvenil. O limite de idade é 18 anos. De qualquer maneira, o brasileiro vinha disputando poucas competições na categoria, já focando sua carreira para a disputa de torneios profissionais.

No último ranking divulgado pela ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), Thiago Wild já aparece na 464ª posição, com 79 pontos.

Thiago Wild mudou-se para o Rio de Janeiro em 2014, após se destacar em torneios sul-americanos. Ele treina na academia Tennis Route, onde já treinaram Bia Haddad e  Thiago Monteiro e onde também trabalha seu pai, o ex-tenista Claudio Ricardo Wild.

A mãe, Gisela, é ortodontista. O jovem conta que ela o incentivava a ter uma “vida normal” e estudar para fazer faculdade, preferencialmente de medicina. Do pai, que o treinou anteriormente, ele ouvia: “escuta sua mãe e vamos ver no que dá”.

Até agora, o início promissor vem dando razão à persistência do atleta. Wild sabe que a expectativa sobre sua carreira é grande e não encara a pressão de forma negativa.

“Desde pequeno, eu sempre gostei dessa pressão que colocam em mim, sempre gostei de jogar assim. Com certeza as pessoas esperam bastante, mas não escuto muito o que as pessoas de fora da minha equipe falam”, afirmou à Folha, em dezembro de 2017.

A inspiração do destro Wild, de 1,80 m, é o canhoto espanhol Rafael Nadal, mas ele vê seu estilo de jogo mais parecido com o do austríaco Dominic Thiem.

“Nunca fui muito paciente, muito calmo. Gosto mais de jogar atacando, com a minha direita e meu saque. Tenho uma boa devolução, mas gosto bastante de sacar”, afirma.

Para Arthur Rabelo, a impaciência em quadra diminuiu nos últimos anos. “Ele era um menino que jogava com poucas bolas, querendo fazer as coisas rapidamente. A gente tinha que mostrar para ele que não precisava ser assim, que em alguns momentos, poderia fazer algumas coisas mais agressivas”, explica.

Rabelo enxerga no atleta um perfil batalhador, cujo gosto pelo treino e pelo trabalho supera o usual para a idade. O treinador também concorda que o pupilo cresce quando está sob pressão.

“Quando as coisas estão muito tranquilas, ele tende a agir com mais displicência. Quando sente que tem que se manter mais intenso, ele consegue fazer melhor”, afirma o treinador do paranaense.

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