Chilavert ataca Conmebol e diz que times brasileiros foram prejudicados

Histórico goleiro da seleção paraguaia pede união dos clubes contra cartolagem

Alex Sabino
São Paulo

Falar como uma metralhadora giratória nunca foi um problema para José Luiz Chilavert. O ex-goleiro, hoje com 53 anos, é inimigo declarado da Conmebol e de seu presidente, o paraguaio (como ele) Alejandro Domínguez.

Chilavert durante a campanha do Paraguai nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002
Chilavert durante a campanha do Paraguai nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 - France Presse

Quando o mandatário da confederação sul-americana chegou ao cargo, em janeiro de 2016, promoveu uma imagem de recomeço sob o slogan "nova Conmebol". Recebeu votos de confiança de muita gente envolvida no futebol. Chilavert foi uma das exceções. Sua cólera não diminuiu após o adiamento da final da Libertadores, entre River Plate e Boca Juniors, que deveria ter acontecido no sábado (24) ou domingo (25), mas ainda não tem nova data para acontecer.

Reunião nesta terça (27) deve definir o assunto

"Os presidentes da Fifa [Gianni Infantino] e da Conmebol foram ao vestiário do Boca exigir que houvesse jogo. Eles não estão preocupados com a saúde dos jogadores. Não querem saber da vida de ninguém. Querem saber de dinheiro", disse o goleiro que disputou as Copas do Mundo de 1998 e 2002 pela seleção paraguaia.

Ele se refere ao lobby feito pelos cartolas no sábado para convencer os jogadores do Boca Juniors a entrarem em campo. O ônibus que levava os atletas ao Monumental de Nuñez foi atacado com pedras e garrafas na esquina da avenida Libertador com a rua Monroe, nas cercanias do estádio. Vidros do veículo foram quebrados e estilhaços provocaram cortes no braço e ferimento no olho do volante Pablo Pérez. Outros jogadores passaram mal por causa do gás de pimenta atirado pela polícia para conter os torcedores do River Plate.

Pela seleção paraguaia, o então goleiro comemora vitória em partida das eliminatórias para o Mundial de 1998
Pela seleção paraguaia, o então goleiro comemora vitória em partida das eliminatórias para o Mundial de 1998 - Rickey Rogers-15.dez.97/Reuters

Desbocado quando era goleiro do Vélez Sarfield (ARG), campeão da Libertadores e Mundial de 1994, Chilavert já disse acalentar o sonho de ser presidente do Paraguai. Um dos seus alvos é a Conmebol. Especialmente Domínguez.

"Ele não tem capacidade para manejar a Conmebol. Ele era braço direito de [José Ángel] Napout [ex-presidente da entidade, condenado a nove anos de prisão por corrupção]. Domínguez é cúmplice do Fifagate. Essa gente tem de estar fora do futebol. Todas as empresas de Domínguez estavam quebrando e ele não podia assinar um cheque no Paraguai. De repente, vira diretor de finanças da Fifa? Só Infantino para fazer uma coisa dessas", reclama ele, que considera ser uma das duas vozes a protestar contra a corrupção no futebol sul-americano de forma ininterrupta.

"A outra é do Romário", completa.

A Libertadores deste ano tem sido marcada pelas reclamações nos bastidores e ações no tribunal de disciplina da entidade. Os clubes brasileiros consideram terem sido prejudicados por decisões tomadas fora de campo. O Santos foi declarado perdedor da primeira partida das oitavas de final contra o Independiente (ARG) por ter escalado Carlos Sánchez de maneira irregular. O Grêmio pediu para ser declarado vencedor da semifinal diante do River  Plate  porque o técnico Marcelo Gallardo burlou a suspensão e foi ao vestiário falar com os jogadores. Não conseguiu.

"Todas as equipes brasileiras foram prejudicadas pela Conmebol. Mas a CBF é avalista de Domínguez na confederação desde os tempos de Marco Polo del Nero, que não pode sair do Brasil senão será preso", atacou.

​Articulado e sem rodeios quando é questionado sobre qualquer assunto, Chilavert espera o momento em que os clubes vão se unir contra os dirigentes de federações e confederações. O mesmo vale para jogadores.

"Os presidentes das equipes precisam se unir para tirá-los [os cartolas da Conmebol] de lá. Porque eles se tornaram milionários por causa do futebol e os clubes estão mais pobres. Na Argentina, se falou que [a Libertadores] era a final do mundo. Quanto se arrecadou? Ninguém sabe. Isso é dinheiro dos clubes. Os jogadores também podem participar porque sem eles, não há futebol nem esses dirigentes malandros", conclui.

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