Hospital de Pelé em Paris já recebeu Angelina Jolie e Picasso

Ex-jogador está internado desde a última quarta (3) com infecção urinária

Lucas Neves
Paris

O Hospital Americano de Paris, onde o ex-jogador Pelé está internado desde a manhã da última quarta-feira (3) para tratar uma infecção urinária, é conhecido entre a elite francesa pela discrição, pelo atendimento VIP e pelas faturas astronômicas.

Inaugurado em 1906 para atender estadunidenses turistas ou expatriados na capital francesa, o prédio na verdade fica fora de Paris: está na periferia chique de Neuilly sur Seine, berço político do ex-presidente Nicolas Sarkozy.

A instituição não recebe subsídios dos governos francês ou americano. É mantida por doadores particulares, como os bilionários franceses Vincent Bolloré, líder do grupo de comunicação Vivendi e Bernard Arnault, presidente-executivo da LVMH, maior conglomerado de artigos de luxo do mundo.

Aproveitando-se de um sistema de admissão que preserva o anonimato dos pacientes, atrizes como Angelina Jolie e Marion Cotillard escolheram o Hospital Americano para dar à luz.

Também já foram atendidos ali, ao longo das décadas, o pintor espanhol Pablo Picasso, o líder palestino Yasser Arafat e o cineasta francês François Truffaut, entre outros.

O estabelecimento é reputado por seus equipamentos para ressonâncias e exames. O zagueiro do Paris Saint-Germain e da seleção Marquinhos esteve no Americano – como dizem os franceses – pouco depois de sentir a coxa direita, na última quarta (3), em jogo pelo time da capital.

Neymar foi outro que passou pelo hospital. Em janeiro deste ano, após sofrer a lesão que, até agora, o mantém fora dos gramados, ele fez exames na instituição.

Quem dá entrada no prédio centenário tem à disposição cabeleireiro, manicure e esteticista, além de serviço de quarto, como nos hotéis de alto padrão.

O complexo do hospital abriga cerca de 200 leitos, um restaurante, para o qual se recomenda fazer reserva, um bar e uma cafeteria. Nesta, uma refeição simples, como uma fatia de torta salgada com salada, suco industrializado e dois doces pequenos, por exemplo, sai por 25 euros, equivalente a mais de R$ 100.

O conforto tem seu preço: quem cruza a porta de entrada deixa no caixa um cheque caução de 6.000 euros (cerca de R$ 25 mil).

A diária custa entre 500 euros (cerca de R$ 2.000) e 1.500 euros (R$ 6.500), segundo a imprensa francesa, a depender do padrão do quarto em questão. Isso sem considerar os custos dos procedimentos médicos – o Americano atende nas principais especialidades.

Uma internação para um parto na unidade tem um custo médio de 10 mil euros (R$ 40 mil), contra 3.000 euros (R$ 12 mil) na rede pública francesa, valor completamente coberto pelo equivalente local do SUS. 

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