Nada apareceu tanto em camisas de clubes como marcas de bancos

Empresas do setor são as que mais patrocinaram equipes da Série A

Carlos Petrocilo Paulo Passos
São Paulo

Nos anos 1990, executivos de bancos rejeitavam que as marcas das instituições financeiras estivessem em camisas de futebol. Econômico, no Vitória, e o Excel, também no time baiano e no Corinthians, foram exceções. 

“Havia o medo [das empresas] por causa do fanatismo, a preocupação de sofrer rejeição dos rivais”, afirma Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

O cenário mudou completamente no século 21. Nas últimas duas décadas, os bancos dominaram as camisas das equipes dos principais clubes da Séria A do Brasileiro. Segundo pesquisa inédita realizada pelo Ibope Repucom a pedido da Folha, 17 times ente os que mais estiveram na primeira divisão nos últimos 30 anos expuseram, em algum momento, uma marca de instituição financeira na camisa.

 

Foram oito instituições financeiras que patrocinaram clubes desde 1987. A Caixa Econômica Federal, líder do ranking, esteve na camisa de 13 clubes — Athletico-PR Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Santos, Sport, Vasco e Vitória e Goiás.

Considerando equipes da Série B, a Caixa esteve no uniforme de 25 clubes, entre 2012 e 2018. No ano passado, o banco investiu R$ 191 milhões em patrocínios.

“É possível fazer coisas cem vezes melhores com menos recursos do que gastar com publicidade em times de futebol”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Foi o anúncio de que torneira fechou e a estatal abandonou o apoio aos clubes de futebol em 2019.

Com a saída da Caixa, financeiras privadas patrocinaram equipes. É o caso de bancos digitais que estão nas camisas de grandes equipes: O Inter, no São Paulo; o BS2, no Flamengo; e o Digi+ com Athletico Parananese e Cruzeiro.

“Os bancos digitais podem oferecer serviços mais ágeis e mais baratos, mas precisam superar a desconfiança dos correntistas, historicamente, acostumados com o espaço físico e a relação pessoal entre cliente e gerente”, disse Fernando Nogueira da Costa, professor de economia da Unicamp.

Maior patrocínio do país, a Crefisa, focada em crédito pessoal, paga mais de R$ 70 milhões para o Palmeiras. Outros bancos também apoiam atualmente equipes da Série A. O Banrisul, estatal do Rio Grande do Sul, está na camisa de Grêmio e Inter. Já o BMG está no uniforme do Corinthians, Vasco e Atlético-MG. Em 2011, o  banco mineiro estampou sua logo em 11 equipes que estavam na época na Série A.

O banco mineiro vivia o melhor momento de sua história. Era dono de 23% do mercado de crédito consignado e registrou lucro líquido recorde de R$ 986 milhões (valores corrigidos) em 2010. Além da necessidade de expor seus produtos, Bernardo Campolina, professor de economia da UFMG, diz que o avanço do programa sócio torcedor atrai as empresas financeiras.

“Os bancos vislumbram se aproveitar dessa fidelização para aumentar sua carteira de clientes e maximizar a oferta dos seus produtos, como cartão de crédito, empréstimos”, disse.

José Colagrossi, diretor do Ibope Repucom e responsável pela pesquisa, afirma que o mercado amadureceu sua visão sobre o esporte. “O futebol é uma indústria que movimenta bilhões de reais todo o ano, não há espaço para decisões baseadas em preconceitos”, afirmou o especialista em marketing esportivo. “As redes sociais também permitiram engajamento direto entre torcedor e atletas, clubes.

Bancos que patrocinaram times da Série A na última década

  1. Caixa

    13 (Athletico Paranaense, Atlético-MG. Bahia, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Santos, Sport, Vasco, Vitória, Goiás)

  2. BMG

    7 (Atlético-MG, Coritiba, Cruzeiro, Santos, São Paulo, Corinthians, Vasco)

  3. Banrisul

    2 (Grêmio e Inter)

  4. Digi +

    2 (Cruzeiro e Athletico Paranaense)

  5. Crefisa

    1 (Palmeiras)

  6. Banco Inter

    1 (São Paulo)

  7. BS2

    1 (Flamengo)

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