Crefisa prevê reajuste abaixo da inflação para o Palmeiras

Acordo será de cerca de R$ 81 milhões em 2019; Palmeiras continuará com maior patrocínio do país

Alex Sabino Rafaela Cardoso
São Paulo

O Palmeiras pretende anunciar até o final deste mês a renovação de contrato com a Crefisa como patrocinadora do clube. 

Leila Pereira, conselheira do Palmeiras e presidente da Crefisa, empresa patrocinadora do time, concede entrevista à Folha em seu escritório.
Leila Pereira, conselheira do Palmeiras e presidente da Crefisa, empresa patrocinadora do time, concede entrevista à Folha em seu escritório. - Rafael Hupsel-28.nov.18/Folhapress

O novo acordo, com a duração de três anos, está apalavrado em cerca de R$ 81 milhões em 2019. O reajuste em relação ao ano passado é de R$ 3 milhões. Menor do que índices de preços da inflação como IPCA (4,04% acumulado até novembro) e o IGPM (7,55% até dezembro).

A partir de 2020, o índice de reajuste a ser aplicado ainda é discutido, assim como os bônus pelas conquistas de títulos. O valor pago pela empresa em 2018 foi de cerca de R$ 78 milhões. O reajuste de aproximadamente R$ 3 milhões (3,84%) é mais do que Leila Pereira, a presidente da Crefisa, pretendia pagar há alguns meses. 

“Uma coisa eu digo: não vou diminuir o valor. Pela minha vontade, renovo pelo menos pelo mesmo valor”, disse ela em entrevista à Folha em novembro do ano passado

Na época, ela avaliou o contrato da Crefisa com o clube em “cerca de R$ 80 milhões”.

Mesmo que não houvesse nenhum reajuste, o contrato da Crefisa com o Palmeiras continuaria sendo, com sobras, o maior acordo de patrocínio do futebol brasileiro.

Para estampar o logo da Caixa Econômica Federal no uniforme, o Flamengo recebia R$ 32 milhões em 2018.  

Desde o início da parceria, em 2015, o Palmeiras venceu a Copa do Brasil daquele ano e os Brasileiros de 2016 e 2018.

“A Crefisa é muito importante para o projeto de um Palmeiras protagonista, vencedor, que desponte entre os dez maiores clube do mundo. Sem esse aporte não chegaremos a esse Palmeiras que todos queremos”, afirma Leila que se tornou conselheira do clube após processo contestado pela oposição, que alega que a empresária não tinha  tempo de associada suficiente para ser eleita.

Além do índice de reajuste anual, a discussão é sobre a premiação a ser paga em caso de títulos. O Palmeiras deseja que aconteça um reajuste em relação ao que foi acertado no contrato que está por acabar. 

Em 2018, a Crefisa se comprometera a pagar R$ 4 milhões em caso de classificação para a Copa Libertadores, R$ 6 milhões pelo título paulista, R$ 8 milhões pela Copa do Brasil, R$ 10 milhões pelo Campeonato Brasileiro e R$ 12 milhões pela conquista continental.

Os valores da Libertadores não eram cumulativos. O clube recebeu os R$ 4 milhões pela participação no torneio, mas se fosse campeão, embolsaria mais R$ 8 milhões.

Dono da melhor campanha na primeira fase, o Palmeiras foi eliminado nas semifinais pelo Boca Juniors (ARG). O clube vai receber os R$ 10 milhões pelo título brasileiro.

A ideia inicial do presidente Maurício Galiotte era conseguir um reajuste maior no valor do patrocínio anual, mas Leila não aceitou.

Em novembro de 2018, a força política da presidente da empresa fez com que aditivos ao contrato da Crefisa fossem aprovados pelo conselho deliberativo do clube.

Para cumprir normas da Receita Federal, o Palmeiras assumiu o compromisso de devolver à patrocinadora cerca de R$ 120 milhões gastos para a contratação de jogadores desde o início da parceria. 

O contrato de três anos deverá ser o último da Crefisa antes do final do mandato de Mauricio Galiotte, reeleito no final de 2018.

Na próxima eleição, prevista para novembro  de 2021, Leila Pereira estará apta para para se candidatar. Assim, poderá  satisfazer o seu cada vez mais indisfarçável desejo de presidir o Palmeiras.

“Meu mandato de conselheira termina em fevereiro de 2021 e vou me candidatar novamente. Enquanto o sócio me der a honra de me eleger conselheira, serei pelo resto da vida conselheira, porque acho que posso contribuir bastante, como tenho feito”, disse ela.

“Em novembro [de 2021], será a eleição para presidente. Aí eu preciso ver com o estarão meus negócios, a minha vida. Posso ser candidata, mas só mais perto da data é que vou ver minha vida profissional e se será possível”, afirmou à Folha, em novembro de 2018. 

“Um presidente tem que dedicar sua vida ao clube. Se minha vida daqui a três anos for como está hoje, eu teria condições de concorrer”, completou.

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