Descrição de chapéu Pan-2019

Meligeni cumpre promessa e vibra com sobrinha tenista no Pan

Medalhista de ouro há 16 anos está em Lima para acompanhar o torneio de tênis

Lima

​A família Meligeni ocupava um pequeno espaço da arquibancada com cerca de 50 lugares montada no clube que sedia o torneio de tênis dos Jogos Pan-Americanos de Lima. O barulho produzido por seus integrantes, porém, dava a impressão de que estavam em um número maior.

Paula, a mãe, Flávio, o pai, Concepción, a avó, e Fernando, o tio, além de amigos, vibraram nesta terça (30) com a vitória de Carolina Meligeni Alves, 23, sobre a canadense Rebecca Marino, 28, pela primeira rodada da chave feminina. A brasileira triunfou de virada, por 2 sets a 1 (5/7, 6/4 e 6/4).

Carol Meligeni com a família no Pan de Lima: a avó, Concepción, o pai, Flávio, o tio, Fernando, e a mãe, Paula
Carol Meligeni com a família no Pan: a avó, Concepción, o pai, Flávio, o tio, Fernando, e a mãe, Paula - Arquivo pessoal

Estar presente no Pan e torcer pela sobrinha é um momento especial para Fernando Meligeni. Uma das conquistas mais lembradas da sua carreira como tenista foi a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003, em Santo Domingo (República Dominicana).

Antes da convocação para o Pan de Lima, ele havia prometido que estaria presente caso ela fosse chamada para ser uma das representantes do Brasil no evento.

Promessa cumprida, Meligeni quer aproveitar a experiência de estar novamente em um Pan. Agora com torcedor. 

“Não falo nada tático ou técnico. Minha participação é vir e torcer, nada mais. Isso é um time, uma família, e a gente vive isso aqui. O mínimo que eu posso fazer como tio e torcedor é vir ao campeonato mais importante que ela está jogando”, afirmou à Folha.

Meligeni não gosta da ideia de comparar a experiência de Carol com a sua em 2003, mas diz que estar em Lima o faz relembrar o feito que obteve na final contra o chileno Marcelo Ríos. Até pelas semelhanças entre os dois eventos.

“Você percebe que é um país que está fazendo da melhor maneira que pode. Não tem luxo, mas tem brilho nos olhos das pessoas que estão trabalhando. O complexo de tênis também é muito parecido. Óbvio que relembra”, disse.

O torneio de simples do Pan vale duas vagas aos finalistas na Olimpíada de Tóquio-2020. Mas para buscá-la os participantes precisam abrir mão de atuar nesse período em competições que contam pontos para o ranking e valem dinheiro. Carol é a 334ª da lista.

“A Carol tem muito respeito pelo esporte e pelo Brasil. Ela é uma copeira, gosta de representar, poderia estar no circuito, mas está no Pan jogando e acreditando na possibilidade de uma medalha", disse o tio.

Durante as mais de duas horas de jogo, ele incentivou com gritos de “vamos”, “este game” e “faz sofrer”, para que Carol obrigasse a canadense de 1,83 m a correr atrás das bolas. Quando ela se sentava na cadeira durante os intervalos, procurava os olhares da família para ganhar confiança.

Nas arquibancadas, a tensão se dissipava quando Marcelo Ceará, amigo de Fernando, acionava uma buzina entre os pontos ou gritava “Let’s go Brasil”, em provocação aos torcedores canadenses. O ex-tenista dava risada. Depois, chamou-o de “novo Dartagnan”, em referência ao célebre torcedor/agitador do esporte brasileiro. 

“Aqui existe uma pseudo permissão para fazer uma bagunça maior do que tem normalmente. Isso me faz lembrar muito da época em que eu joguei, que era exatamente assim. Foi muito divertido.”

Rebecca Marino não se divertiu tanto. Após reclamar da arbitragem ainda no primeiro set e levar uma vaia puxada por Marcelo, a tenista virou para a arquibancada e gritou “shut up”.

A canadense, que já foi top 40 do mundo, ficou mais de quatro anos aposentada, de 2013 a 2017. Hoje é a 171ª colocada do ranking e era a segunda cabeça de chave do Pan.

“Era um jogo duro, contra uma menina que joga o tempo inteiro em cima. A Carol entrou nervosa, jogando curto, sentindo a responsabilidade, isso é supernormal. Mas foi se encontrando, achando a bola, e o mais importante é que teve espírito de Pan e conseguiu virar um jogo muito difícil”, analisou o tio.

Na segunda rodada, a brasileira enfrentará a argentina Victoria Bosio, número 458 do ranking mundial. Um problema para a família, originária do país vizinho?

“Se ela representa o Brasil, a gente é Brasil também. Vamos dar pau na Argentina. Argentina jamais”, afirmou entre risos a mãe, que, diferentemente do irmão, não se naturalizou brasileira.

Antes de Carol deixar a quadra, todos se reuniram para uma foto com a bandeira do Brasil. Concepción Meligeni, que tem 78 anos e vai a poucos torneios da neta, ensaiou fazer uma cara feia. Mas depois sorriu e se juntou ao grupo. Pelo menos no Pan está liberado.

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